Com fechamento de grandes livrarias na Bahia, livros digitais ampliam espaço

por Carlos Britto // 15 de julho de 2021 às 21:00

Foto: divulgação

O mercado baiano foi surpreendido, neste mês, com a notícia do encerramento das atividades da livraria Cultura em Salvador, retirando a loja por completo do Estado. Isso aconteceu 10 meses depois da Livraria Saraiva também encerrar suas atividades na Bahia. Em contrapartida, a venda dos livros digitais, como e-books e audiolivros, dispararam em 2020.

De acordo com a Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, publicada no início do mês de julho, e coordenada pela Câmara Brasileira do Livro e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, o faturamento das editoras que trabalham com a produção e vendas de e-books, audiolivros e outras plataformas digitais chegou a R$ 147 milhões, em 2020. Esse dado representa 36% do crescimento do setor em relação ao mesmo período de 2019.

Para o professor do curso de Jornalismo da Rede UniFTC, Leonardo Campos, a tendência pela leitura em ferramentas digitais está relacionada ao desenvolvimento da tecnologia e à ampliação do mundo digital. “A digitalização tomou conta da vida das pessoas e das empresas. A tecnologia vem nos atualizando e demonstrando outras possibilidades de interação“, afirma o professor.

Futuro

O fechamento da Saraiva e da Cultura na Bahia, na verdade, reflete uma realidade que este modelo de negócio vem enfrentando no Brasil inteiro. De 2008 a 2018, de acordo com informações do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve uma redução de 25% neste nicho.

Apesar dos dados desanimadores, Leonardo defende que as publicações impressas não terão fim, pois existem outras variáveis envolvidas no processo. “Ainda existem muitas pessoas que dependem do livro impresso para exercer a leitura. Mesmo com o aumento dos preços e com algumas edições difíceis de comprar, temos a cultura do colecionador, que é um público que depende da capa, das folhas, prefácio e posfácio das edições comentadas por historiadores e críticos”, ressalta Campos, destacando que a pandemia de Covid-19 também contribui para essa situação, já que exigiu o fechamento por muitos meses desses espaços culturais, os quais também são utilizados para encontros e eventos.

Para o professor, outro fator importante que precisa ser levado em consideração é o fato de muitos leitores serem apegados ao tradicional. “Observem que para cada livro que sai em e-book, é produzida uma edição em capa dura. São questões complementares. Acho que um não vem para substituir o outro. Acredito que as lojas físicas continuarão a desempenhar um papel importante, apenas lançarão novos modelos de lojas e implementarão o comércio”, enfatiza Campos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *