Classes trabalhadora e patronal deliberam em Juazeiro sobre pauta de negociação coletiva 2020

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Foto: Ascom vereador Agnaldo Meira/divulgação

Assalariados e assalariadas da agricultura irrigada do Vale do São Francisco e a classe patronal realizaram nesta quarta-feira (22), em Juazeiro (BA), o segundo dia de debates da primeira rodada de negociações acerca da Convenção Coletiva do Trabalho. O encontro aconteceu no Centro de Excelência em Fruticultura.

A discussão anual começou na última terça-feira (21) e reuniu assalariados da hortifruticultura da região e representantes da classe patronal para discutir e apresentar propostas com vistas a melhorias nas condições de trabalho nas empresas.

As conversas giraram em torno das reivindicações dos assalariados. Após a definição da pauta de negociação em outubro, durante a Campanha Salarial 2020, as propostas estão sendo apresentadas a classe patronal. Entre as principais delas estão o piso salarial no valor de R$ 1.151,73, plano de saúde, cesta básica, alimentação gratuita no local de trabalho, direito a 45 dias de repouso (em caso de aborto) e a manutenção de todas as conquistas da Convenção Coletiva do Trabalho.

O presidente da Confederação Nacional dos Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR), Gabriel Bezerra Santos, está participando das discussões e se mostrou confiante diante dos resultados dessa negociação. “O nosso objetivo é manter as conquistas históricas do movimento sindical, garantir um salário digno aos assalariados e melhor qualidade, segurança e saúde no local de trabalho“, explicou.

Em contrapartida, a classe patronal apresentou uma pauta com pontos considerados prejudiciais à classe trabalhadora, a exemplo da implantação do banco de horas, a extinção do delegado sindical nas empresas, o fim da homologação do contrato de trabalho no sindicato da categoria, além de impedir o acesso sindical aos trabalhadores nas empresas. “São verdadeiros retrocessos e os trabalhadores precisam permanecer unidos, na manutenção dos direitos conquistados”, afirmou o dirigente sindical e vereador de Juazeiro, Agnaldo Meira.

Diante dos avanços que tivemos, ao longo desses anos, acredito que teremos força e poder político para sensibilizar a classe patronal a não retroceder nos direitos conquistados“, pontuou o presidente da Fetar-BA, Antônio Inácio Ribeiro.

Números

A pesquisa intitulada ‘Dados Sobre Trabalho e Exportação 2017-2019’ reúne informações importantes sobre a produção da uva de da manga no Vale do São Francisco e o quantitativo de admissões e demissões na região, baseados em dados do portal Comex Stat, IBGE, Caged e Dieese. O levantamento aponta que nos últimos anos houve uma redução na geração de empregos, entretanto, apesar da queda do número de contratações, ocorreu um aumento significativo da produção e comercialização de frutas para a exportação.

Essa é a primeira vez, após 26 anos, que a cidade de Juazeiro sedia o debate. As discussões seguem até amanhã (23). Caso não sejam acordadas as propostas apresentadas, novas rodadas de debates acontecerão até o fim do acordo coletivo. Estão participando do debate trabalhadores rurais e representantes dos sindicatos de Juazeiro, Sento Sé, Sobradinho, Curaçá e Abaré (na Bahia); e Petrolina, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Belém do São Francisco e Inajá (Em Pernambuco), além de Sintagro, Fetaepe, Fetar-BA, Contar, CTB e CUT.

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