Centro de Cultura João Gilberto recebe espetáculo “São Francisco de Assis à Foz”

por Carlos Britto // 05 de abril de 2013 às 21:36

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O Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, receberá a primeira apresentação da turnê “São Francisco de Assis à Foz”, com o ator e diretor Glicério Rosário, conhecido nacionalmente pela interpretação do personagem “Setembrino”, na novela Cordel Encantado. A apresentação é da Cia P’ Atuá, de Belo Horizonte (MG).

Em Juazeiro, estão programadas duas apresentações, hoje (5) e amanhã (6), às 20h, com entrada franca. A turnê passará por cinco cidades que integram o Vale do Rio São Francisco, com patrocínio do programa de cultura Banco do Nordeste/BNDES.

Considerando que a encenação integra homem e rio traçando o itinerário que vai de Assis, cidade originária do Homem São Francisco, até a foz, local de deságue do Rio São Francisco; o projeto pretende fazer um percurso análogo, incluindo cidades integrantes da trajetória “nascente-foz” do rio.

A montagem tem como fonte inspiradora o romance O pobre de Deus, de Nikos Kazantzakis, e O Irmão de Assis, de Inácio Larrañaga. No processo de criação, o grupo se valeu ainda de materiais diversos sobre a vida de Francisco (filho de Pedro Bernardone, rude e abastado comerciante de Assis, e Dona Picá, mãe extremamente amável e de fervor religoso) e de estudos e debates sobre a sobrevivência do Rio São Francisco. Evitando o lugar comum de reconstituir lendas da vida do santo ou de lançar um discurso sobre preservação ecológica, a encenação funde os dois São Franciscos, “homem” e “rio”, para falar de amor.

O espetáculo

Na construção dramatúrgica, fatos, relatos, trechos da regra da Fraternidade dos Irmãos menores, foram sendo selecionados de modo a serem usados num discurso ambíguo, em que fatos, histórias, estudos e cultura popular sobre o Rio São Francisco pudessem estar presentes. Assim, em cena, temos um Francisco que traz uma palavra poética, podendo ser o discurso do homem, como o discurso do rio. A personagem em cena vai criando um percurso de luta em que, com extremo amor, vai vencendo as barreiras para chegar ao seu destino, que é tanto Deus, quanto o Mar.

A estética da montagem configura um sertão a partir de elementos cenográficos simples, invocando a aridez geográfica do sertão franciscano. O elemento central da cenografia é um amontoado de pedras. A iluminação reforça a poética, extraindo das pedras, em sombras e penumbras, figuras que lembram expressões humanas. A trilha aposta nos ruídos de elementos naturais, silêncios e timbres que se harmonizam com a aridez cenográfica.

Na história do homem que encontra vários percalços em direção a Deus, os mesmos elementos sugerem sentidos ampliados no percurso do rio que encontra obstáculos para chegar ao mar. Conceitualmente e esteticamente, a montagem une o sertão e a cidade italiana de forma anacrônica, dando atemporalidade e universalidade ao conceito de amor.

A montagem propõe uma reflexão para este tempo de conflitos políticos, geográficos, religiosos, culturais; para este tempo em que os desenvolvimentos materiais e intelectuais aumentam a distância entre as pessoas. O amor é apresentado como símbolo de elevação e integração. (Fonte/fotos: Ascom)

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