Artigo: Pedro Alcântara defende papel mais efetivo da Codevasf em defesa da preservação do Velho Chico

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O chefe de gabinete da Subsecretaria de Relações Institucionais do Governo da Bahia, Pedro Alcântara, faz uma análise, neste artigo, do que deveria ser o papel da Codevasf em defesa da preservação do Rio São Francisco.

Confiram:

pedroalcantara(1)/Foto AssessoriaAo longo da história do Brasil, uma presença sempre marcou e determinou os rumos para o povoamento e desbravamento das terras além do litoral: o curso d’água da terra recém-descoberta.

Era o gado necessitando de pasto e depois as fantásticas histórias de quem se aventurava um pouco mais longe. De todos os rios, o São Francisco, avistado um pouco depois da primeira visita dos portugueses, foi o que mais encantou os aventureiros. A imensidão de sua foz, espraiando-se na chegada ao mar, os habitantes e as riquezas descritas e o diferente verde que se descortinava ao longo de suas margens no começo da viagem, e depois a caatinga e as corredeiras.

Quem veio subindo o rio encontrou ilhas e criou povoados. Juntaram-se costumes, fundiram histórias. A ríspida paisagem próxima ao seu leito forjou homens duros, de caráter rijo, diferentes, mas herdeiros dos primeiros a chegarem.

As cidades que surgiram ao longo de suas margens misturaram costumes, as ruas estreitas, as casas coladas, os palacetes e a Igreja como centro. Durante centenas de anos, seres humanos, animais e, por último, a plantação irrigada, tiraram do rio seu sustento, deram vida a novas vidas, levaram água a distâncias antes impensadas e em troca despejaram desde mercúrio mortal ao letal agrotóxico moderno, além dos dejetos que produziam e continuam produzindo.

Não mereceu mais que um olhar desatento, de vez em quando, de quem mesmo foi criado apenas e tão somente para lhe dar cuidados; dá opinião de longe, lá do Planalto.

O São Francisco é vida! E não é qualquer vida não! É sua vida, minha vida, nossa vida e a de nossos pais e filhos. E, como toda vida, é frágil e está no limite de suas forças e nada mais justo, mais urgente, que devolver a ele um pouco do que nos deu.

Comecemos pelo mais simples. Seria como armar no quintal de casa o hospital necessário à sua recuperação: quem foi criada para cuidar do rio deve ficar à sua cabeceira, ao lado do seu leito, na Bahia. A Codevasf deve vir para as margens do São Francisco. Se a Chesf e a Sudene estão em Pernambuco, o BNB e o DNOCS, no Ceará, e todos os outros órgãos regionais, por que não a Codevasf? Sinal de pouca importância?

E caminhemos pelo necessário: regular, com mão firme o uso de suas águas, recuperar suas matas, disciplinar a pesca e a navegação, garantir a recuperação de sua fauna e flora nativa. Suspender o despejo de dejetos sem tratamento. Punir exemplarmente quem o envenena, seja com o rejeito da mineração (já ilegal), seja com a queima ou o agrotóxico. Recuperar sua calha.

Custa tão pouco e nos é tão caro!

O rio é você! Dentro de nós corre o rio e, se ele morrer, morremos todos. Nasce tão pequeno e é tão grande. Mesmo sendo tão grande, é tratado como coisa tão pequena.

Pedro Alcântara/Chefe de Gabinete-Subsecretaria de Relações Institucionais do Governo da Bahia 

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