Artigo do leitor: O que aprendemos com a derrota do Brasil?

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derrota brasilNeste longo artigo enviado ao Blog, o leitor Márcio Alexandre faz um comparativo interessante entre o fracasso do Brasil na Copa do Mundo e o que pode ser aprendido dessa lição no mundo corporativo. Confiram:

A princípio, ninguém no mundo imaginava uma derrota do Brasil para Alemanha de 7 x 1, mesmo sabendo que ela, Alemanha, era favorita. Os brasileiros ficaram em estado de choque. Parecia um pesadelo, mas era real. Logo após o jogo o sentimento era de desespero, tristeza, decepção, revolta. E todos perguntavam: o que houve afinal?

Não vamos ter uma resposta satisfatória olhando apenas para o referido jogo. É preciso analisar o conjunto dos fatos, desde o início.

Quando comparamos a forma como as duas seleções se preparam as diferenças são gritantes. A Alemanha fez um planejamento de longo prazo. Pensou em todos os detalhes. Escolheu bem o local para preparação. Escondeu o jogo da mídia. Durante o tempo que passou no Brasil, só deu uma folga para os jogadores. Concentração absoluta.

Estudou minuciosamente cada concorrente. Elaborou uma estratégia para cada jogo. Respeitou cada adversário. Focou a todo momento o objetivo principal, que é ser campeã. Exigiu comportamento exemplar de cada atleta, muita simplicidade e uma boa convivência com o povo brasileiro, principalmente com os nativos da região que acolheram a seleção. Muita seriedade, equilíbrio emocional e a visão coletiva norteou todas as ações do grupo, apesar de alguns destaques individuais. Em outras palavras. Uma preparação profissional e sem dúvida em perfeita sintonia com o mundo atual do futebol.

O Brasil fez exatamente o contrário, começando com a escolha do principal líder, ou seja, o técnico. Cabeça dura. Pouca flexibilidade. Modelo mental ultrapassado. Tudo na vida evolui, inclusive o futebol, e o Felipão insistiu em modelos e práticas que não garantem uma boa performance para os dias atuais. Adotou a postura de “paizão” dos jogadores, quando deveria ser de líder que tem um objetivo, um propósito e, por conseguinte, deveria ter exigido um comportamento voltado para resultados, para o “fazer acontecer”.

Pouco treinamento, muita folga, muita exposição na mídia e uma estratégia centrada num único jogador, o Neymar. Vale ressaltar que o time do Brasil conta com vários talentos, inclusive quase todos jogam nos melhores times do mundo, o que faltou na verdade foi uma gestão competente. Não adianta ter talentos sem uma orientação adequada. Quando isso ocorre, o time fica dependendo de jogadas individuais, perde a força e ainda fragiliza a equipe.

O Brasil perdeu a Copa em dois momentos. No jogo do Chile, quando o desequilíbrio emocional tomou conta do time, bem retratado na figura do capitão, que ficou o tempo todo chorando, e no jogo da Colômbia com a saída do Neymar. Todos ficaram lamentando a falta dele e esqueceram que o campeonato não tinha ainda terminado. Foi montada uma estratégia de marketing equivocada com o título “Força Neymar”. E ficou só nisso. Aí pegou a Alemanha totalmente preparada e motivada e não poderia dar outro resultado.

Trazendo essa experiência para o mundo corporativo, será que podemos tirar alguns ensinamentos? Com certeza sim. Se o Brasil fosse uma empresa, diríamos que pecou em vários momentos. Não fez um planejamento consistente, não conhecia, de fato, seus concorrentes, não desenvolveu um produto para ser competitivo, adotou estratégias equivocadas, o time não era uma equipe, o principal líder adotou uma postura arrogante (achou que sabia tudo), não mudou adequadamente quando era necessário e cegou para o óbvio.

E na sua empresa quem é o Felipão? É você? Se for, pense nisso e não fique em momento algum dependendo apenas do seu Neymar.

Márcio Alexandre/Consultor de Empresas e Educador Corporativo

9 COMENTÁRIOS

  1. Caro amigo se você verificar os resultados dos jogos anteriores da Alemanha com o resultado do jogo contra o Brasil, vai chegar a conclusão que houve uma grande falcatrua no futebol, envolvendo CBF e FIFA, onde rolou muito dinheiro. Espere para ver o jogo com a Argentina, se a mesma não se vender poderá inclusive ser tricampeã, ganhando da Alemanha, não seja inocente. Idiota mesmo é o povo, que acredita nesse bando de canalhas.

    • Pedrão – Em se tratando de brasileiro tudo é possível. É histórico a corrupção na CBF, leia os discursos do Deputado Romário na Câmara dos deputados ele trata a CBF como “quadrilha de ladrões”. Ouvi um comentário ontem na Petrolina FM em que houve um acordo entre a FIFA e a CBF para entregar o jogo, citando inclusive que o Marin da CBF foi a concentração, conversou com o Felipão queria uma reunião exclusivamente com os titulares e lhes disse que ja haviam acordo para a Alemanha golear no segundo tempo, só que antecipou para o primeiro. Em troca receberiam muito dinheiro e facilitaria a vitória do Brasil em 2018.

  2. Marcio, vc falou tudo, uma seleção de muito me me me, um endeusamento exagerado a um jogador, uma seleção não é apenas um jogador e sim uma equipe, técnico de idéias ultrapassadas.
    Mas têm uns e outros que preferem acreditar que houve falcatrua no futebol envolvendo a FIFA……fazer o quê?! Mas sábado está chegando e vai ter um clássico, A LARANJA X O BAGAÇO.

  3. Há certos fatos que concordo muito com o texto, outros não. Posso analisar enxergando esta mesma seleção Alemã em Copa de 2002 (alguns jogadores perdendo para o Brasil) , 2006 perdendo em sua casa, porém outros países não apresentam as mazelas brasileiras de ter um técnico que perde já descarta, joga fora. Joachim Low estar junto a Seleção Alemã mais de 12 anos e até hoje permanece (começou como assistente, tornou-se técnico) conhecendo e trabalhando as qualidades de todos jogadores , e quem pensa que a Alemanha é sempre vencedora cai do cavalo, pois ela trabalha com este desejo 24 anos e nós brasileiros não temos nada para ter vergonha do Brasil por perder de 7x 1, muito pelo contrário a nossa seleção foi a única que participou todas a Copas do Mundo, é a Única Penta e nós temos lugares naturais tão maravilhosos que encantam os estrangeiros, como é Santa Cruz de Cabrália. Calmo, praias limpas, índios que ainda perduram por lá. NÓS NÃO TEMOS QUE SER BRASILEIROS SOMENTE DE QUATRO E QUATRO ANOS. E não esqueçam que Felipe Scollari foi o técnico que trouxe o título de PENTA, aí era bom, exigente, “tecnico tem que ser assim” dizia o povo. Hoje não serve? Procurem as curas povo, pois isso prejudica e muito.

  4. Concordo com você Jurema, em gênero numero e grau, pois até ano passado na copa das confederações Felipão era muito bom , o time era bom e hoje é arrogante e por aí vai. A seleção errou e muito, faltou foco, exagerou no força Neymar, mas não devemos deixar de ser Brasileiros. O nosso pais em cinco copas ganhou 2, foi pra uma final e uma semi final, será que isso é pouco. Óbvio que precisamos evoluir como o futebol evoluiu, acho que evoluímos pouco frente a muitas outras seleções, mas não somos o bagaço da laranja. Apesar de ser um pais de muitos corruptos e o futebol ter se tornado em em algo apenas de dinheiro, não acredito em vender, pois a história foi a mesma da copa de 98, o mesmo texto mudando os autores, resta lembrar, que CBF e Jogadores ganhariam milhões sendo campeões e ficariam pra história do futebol, assim como vão ficar marcados por resto da vida por essa derrota. Acredito sim em falta de preparo adequado, falta de foco, de experiência em copa por parte dos jogadores. Vale também lembrar que nosso time historicamente não sabe jogar com placar adverso,principalmente com grandes seleções, ou não lembrar em 2010 contra a Holanda onde o brasil jogava bem melhor e a Holanda empatou e o time perdeu o controle. O que vi foi um desespero descabido, após o 1º gol e que friamente como são os alemães, se aproveitaram e pressionaram o Brasil para aproveitar o momento de descontrole. Foi feio a derrota, mas passa. Nós brasileiros temos a memória curta, um amor curto pelo nosso país é só ver na política onde elegemos qualquer um mesmo este tendo a ficha suja.

    • Nada de sentir vergonha do meu Brasil, muito pelo contrário temos que valorizar ainda mais, saber que em um jogo, um ganha o outro perde. O Brasil tem é que curar as mazelas que imperam no futebol sem valorizar o seu técnico e deixando rolar lavagem de dinheiro (ISTO É VERGONHOSO), pois aqui é comum se ouvir que o técnico de tal clube perdeu duas já é descartado como se fosse algo que não serve, coloca outro até sem dar satisfações puxam a descarga e jogam fora, como foi a poucos meses com o técnico Jayme Almeida. Brasileiros precisam aprender com os países de fora que sabem valorizar quem estar. Com a derrota Alemã em 2006 olhem para trás e veja que tal equipe está junta mais de oito anos com o mesmo técnico Joachim Low (antes assistente). Perderam para o Brasil em 2002(alguns jogadores) perderam para França do time de Zidane em 2006.
      Quem foi Campeã? A Itália.
      Vamos valorizar ainda mais, pois é o único PENTA e o país que participou de todas as Copas Mundiais.
      Jurema A. Q e Santana.

      A Seleção Brasileira chegou à Alemanha mais favorita do que nunca. Afinal, o time treinado por Carlos Alberto Parreira contava com o chamado “Quadrado Mágico”: Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Adriano. Na Copa das Confederações de 2005, o Brasil deu show na final contra a Argentina. Com Robinho ao lado de Adriano, o time canarinho bailou sobre os hermanos. O resultado foi um 4 x 1 para empolgar até os mais céticos.
      Com Ronaldo Fenômeno integrado ao grupo, o Brasil chegou a Weggis, uma pequena cidade da Suíça, para fazer a preparação final antes da Copa do Mundo. O clima excessivamente festivo, no entanto, cobraria seu preço depois. Adriano e Ronaldo estavam nitidamente fora de forma. O esquema tático muito ofensivo também não inspirava confiança. Na primeira fase, a Seleção Brasileira venceu três vezes e avançou sem sustos. Nas oitavas de final, um 3 x 0 tranquilo sobre Gana.
      O sonho do hexa, no entanto, acabaria nas quartas de final. Parreira escalou um time mais cauteloso, optando por Juninho Pernambucano no meio e apenas Ronaldo como atacante de ofício. Mas nem isso foi capaz de parar Zidane e seus companheiros. O camisa 10 francês fez uma de suas melhores partidas na Copa e cobrou uma falta para Henry completar e definir o placar. Mais uma vez, Zidane aparecia como o carrasco do Brasil.
      Fonte dos dados: Fifa.com

  5. Deixo como sugestão aos leitores do blog a recomendação desse texto da Revista Capital a respeito do tema:
    Como a mídia focaliza tudo na derrota e não discute os problemas maiores que fazem declinar o futebol brasileiro, fruto de sua organização estrutural precária e sem mecanismos pra resultados objetivos de conquistas dentro e fora de campo.

    http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/a-novela-da-derrota-da-copa-na-midia-brasileira-656.html

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