Artigo do leitor: “Ensaio do Desespero na mesa do Bar Juazeiro”

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bar juazeiroEm mais uma dessas suas elucubrações inspiradas, o músico e leitor do Blog, Maurício Dias Cordeiro, o ‘Mauriçola’, mescla boemia com política e futuro de Juazeiro (BA).

Confiram:

John Lennon tinha 20 anos e dizia antes dos “Beatles” – “Sou um desesperado”; Beethoven, surdo também era. Richard Wagner era um coração cheio de aflição? Eu não sou nem posso querer ser tanto na minha terra tão pouca, onde João Gilberto foi embora para sempre ser muito no mundo – por isso insosso só me desespero enquanto espero, falo e ouço.

E nós, aqui no “buraco negro” da impossibilidade, eretos no deserto da impotência – o que somos, queremos ser – que seremos?

Eu me entumeço de cerveja porque não tenho uma garrafa de “absyntho” por perto e moro em um parque chamado centenário porque não habito “Montmartre” no meu sonho de vida curta desesperada, no meu desterro de Juazeiro. Cadê minha fadinha verde?

Vamos nos suportando e terei que fazer uns cinquenta “jingles” políticos este ano por alguns “vinténs” destroçados. Sou um arremedo de artista desesperado.

E na semântica do “desespero” tem muita esperança?  Des- espero! Espero?

Quem será o nosso próximo prefeito?

Esta é “sintaxe” de toda mesa de bar, onde me desespero mais ainda – acreditando na ilusão de matar o dragão da infinitude de minha solidão “bairrista”, onde Juazeiro é o meu canteiro e onde também só posso dizer minha voz, fazer um “jingle” como se fosse um hino-canção para subjugar o coração do povo. E sair por aí sem mais meu violão debaixo do braço – mas vou tocar fogo na lona e libertar o leão do circo de “Zé Bezerra”, que nos deixou “Elefante sem rabo” para sempre na Juazeiro mágica de nunca mais. Alguém conheceu o “leão” de João Duarte e Walter Palma?

Eu me confesso “desesperado” cheio de esperança neste “caos”, berrando como “Quincas” nestas mesas que me ensinaram – às vezes de muitas vezes dormir e acordar, ser e estar, pensar logo existir, cantar para ninguém me ouvir, chorar, beber e esconder minhas lágrimas, e perdão para poder prosseguir…

“É na letra A, Arnaldo Vieira é quem vai ganhar”, eu estava no estúdio da Rádio Juazeiro, com Oswaldo Benevides, Joseph Bandeira, Arnaldo e Joca, para ver “Manicão” gravar este “jingle” de um enfermeiro da Santa Casa, no gravador de “rolo” e microfone “Newman” desenvolvido na Alemanha nazista para amplificar a voz do “fuher”. E depois o carro da “Marabá”, de Gil Brás, encher o silêncio da cidade e o meu “jingle” que falava: ‘o sonho vai vencer, Arnaldo e Joseph é povo no poder’. Foi esquecido. Lenin, Marx, Trotsky ou melhor Stalin, se soubessem mandavam me matar, mas quem morreu foi Etelvir Dantas com os milhões daquela eleição.

“Doutor José já está eleito”, “Américo Tanuri no gongo – Zé Padilha no ganzá”.

E agora? Qual será a “bandeira de fé”, se pode não tremular bandeira nenhuma? Que oposição vai plotar “Chega de saudade”, “A vontade do povo”, “Por amor a Juazeiro”, “Juazeiro tem jeito”, “Com Deus é o povo, o doido de novo” “Qual é a sua meu irmão – votar no doido ou no ladrão?”, onde uma situação pode estampar: ré-mudança, no mesmo rumo da esperança? Ou a mudança não pode parar??

Meu Deus, como sou cínico e cafajeste na minha criação musical política. Uma vez Herbeth Café disse qualquer coisa como se eu tivesse o “fígado no coração” por criar um “jingle” sentimental para Misael Aguilar – que me agradeceu com um frio aperto de mão no bar do “Alemão”, e quem me pagou foi Edson Américo.

Eu sou um desesperado nesta vida curta e no mistério de só saber que nada sei e me afogar na mesa do bar onde provoco, invoco, irrito muitos amigos, porque só falamos de poder e política – Por que?

Não posso nem invocar “Deus e o Diabo na Terra de Sol”, sonhando como Glauber Rocha com o sertão virando mar. Não citar o “grande sertão” nas veredas de rosas de “Guimarães” não posso nem cantar meu “rock n’roll” nem minha “bossa-nova” entre padres e pastores, sertanejos em duplas, arrochas e pagodes que me desesperam mais – neste país de corrupção e mediocridade moderna. Então eu “jazz” para não “jazer”.

“Pensar incomoda como andar à chuva”; queria ser um Alberto Caeiro no meu desespero de morte certa e quiçá vida longeva em Juazeiro.

Por que só perguntar e querer logo saber – quem será? Esta pergunta imperfeita, de sujeito ainda oculto.

Eu sou um ateu que se desespera chamando por Deus na claridade do imenso “breu”.

E quem será o nosso próximo prefeito? farei o “jingle” do meu desespero existencial perfeito? Por que esta pergunta não pode parar – insiste na resposta que agora não se pode ter?

Perdão minha gente – baseado em cerveja, brutalizando meus sonhos, escorpião encravado na própria ferida do meu peito, caminhando de banda no meu caminho imperfeito lá vou eu – cheio de rimas na beira do abismo…  Por que agora só nos perguntamos: quem será o próximo prefeito? –Silenciar o amor na mesa do bar é o nosso maior defeito.

Meu desespero sem bálsamo não tem cura desse jeito? Estou preparando uma “loa”.

Para uma mesa próxima, quem sabe na verve, na “vibe” da casa de Veloso, onde por incrível que possa parecer -não triscamos nesta pergunta?

Mas para não esquecer da próxima “boemia” – “quem será o nosso prefeito?

“Áaaaaaaaaaaaaaagua!!!!!” é o meu berro perfeito.

Maurício Dias Cordeiro/Compositor

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