Artigo do leitor: De coronéis, política e eleições

por Carlos Britto // 26 de fevereiro de 2014 às 21:00

Omar BabáNeste artigo enviado ao Blog, o radialista Omar Torres, mais conhecido na região por ‘Babá’ (foto), faz uma observação pertinente sobre as velhas e atuais práticas da política brasileira que, por incrível que possa parecer, pouco ou nada mudaram ao longo dos séculos.

Confiram:

Um velho coronel, conhecida raposa da política, preparando um filho para trilhar os sinuosos caminhos da política mineira ensinava: “na política, meu filho, o melhor é não falar. Se falar, não diga; se disser, não escreva; se escrever, não assine, mas se tiver que assinar, assine com a mão errada”.

Em outros tempos Antonio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, que se jactava de ganhar eleição “com o dinheiro numa mão e o chicote na outra”, confidenciou a um privilegiado interlocutor que considerava a confiança como o principal quesito para decidir a escolha do seu candidato. As outras qualidades a gente faz, dizia. Entenda-se aí confiança como subserviência.

Quando, finalmente, no dia 24 último, o Governador Eduardo Campos anunciou o nome do candidato que escolhera como de seu, depois de desgastante processo nas hostes governistas e a escolha recaiu sobre o pouco provável, tímido e quase desconhecido do povo, secretário Paulo Câmara, não pude deixar de sentir que os velhos ensinamentos, que não deveriam ser tomados como lição, tinham sido postos em prática.

Os preteridos falaram e disseram mais do que deviam, se esforçaram para ganhar musculatura política no grupo, mas não conseguiram ganhar o quesito confiança que decide a escolha. E quando o ungido proclamou no seu discurso de candidato “… Meu líder maior é Eduardo Campos e a tropa está unida”, que seguirá os passos do socialista e “será o primeiro a acordar e o último a dormir”, foi a publicação do comprometimento com quem o escolheu, e não com quem elege.

Como entristece, em pleno século 21, assistir a discursos de futuro e modernidade apenas como retórica que mascara os velhos ensinamentos e práticas dos séculos 19 e 20. Como dói constatar que nós, o povo, não somos a prioridade nem o objetivo das alegrias das grandes vitórias, e sim meros espectadores do prazer de quem quer derrotar um partido. Incomoda ser tratado como uma criança que deva abrir mão da mágica que encanta para se embevecer com um mercador de ilusões.

Quanto desalento constatar que os velhos coronéis de roupas cáqui, chicote e dinheiro nas mãos, se apresentam agora em talhados ternos Armani, com vistosas gravatas Hermes, usam notebooks, se deslocam em aviões a jato, mas não mudam as práticas nem a forma de bater e nos fazer sofrer.

Omar Torres/Radialista

Artigo do leitor: De coronéis, política e eleições

  1. João Batista DA Silva Pinto disse:

    Omar diz o que todos queríamps falar. Imposições pessoais não conduzem a nada senão à derrota.

  2. Ana Cristina disse:

    OMAR
    Escreveu isso por despeito.pois seu grupo ainda não se definiu. Não sabe quem vai apoiar para governo : se um USINEIRO que a vida toda o PT combateu,( seu atual partido político) ou qualquer um outro que seu partido indique. Que coisa feia, . é só teoria e ultrapassada essa sua fala, pois vc está ansioso , esperando em quem vai votar……que nome os CORONEIS do PT vai indicar pra voce votar. Falar é fácil né. Pensa que somos trouxas pra nos enganar com bobas palavras? Vc é daqueles que acredita na premissa : FAÇA O QUE DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE FAÇO! Ficou feio pra vc……..

  3. Jaime Monteiro disse:

    você apoiaria alguém que não confia? Colocaria seu nome atrelado a uma pessoa que pode ser e pode não ser? tirem suas próprias conclusões.

  4. abner de oliveira vasconcelos disse:

    Omar descreveu o que o povo Pernambucano deveria sentir, principalmente o interiorano.

  5. Danilo Mororó disse:

    O Governador Eduardo Campos ouviu todos os partidos que fazem parte da Frente Popular, conforme noticiado pela imprensa estadual, ouviu lideranças diversas e principalmente o povo de Pernambuco, através de várias pesquisas qualitativas, que indicaram o perfil do candidato e que nas eleições de 05 de outubro é quem vai homologar esta escolha. Portanto, querer tachar de coronelismo são apenas os primeiros sintomas de desespero da derrota.

  6. Osvaldo disse:

    CERTISSIMO

  7. gilvan disse:

    OMAR é uma das pessoas mas cultas que eu conheço e admiro Omar não fala besteira quando ele fala procuro ouvi com atenção porque sei que vou aprender alguma coisa você pode gostar ou não eu gosto,gostaria que o seu programa falando claro na ponte fosse mais longo,porque a notícia como ele informa ninguém faz. parabéns baba.

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