Alunos de Medicina da Univasf protestam contra convênio entre instituição e universidade particular de Juazeiro

por Carlos Britto // 20 de abril de 2021 às 14:26

Foto: WhatsApp/reprodução

Um grupo de estudantes de Medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) saiu às ruas de Petrolina nesta terça-feira (20) para protestar. Eles são totalmente contrários a um convênio firmado entre a direção do Hospital Universitário (HU) e a Universidade Estácio, de Juazeiro (BA), com o objetivo da realização de atividades práticas por parte dos estudantes da Estácio.

Com vários cartazes, o grupo foi até a Avenida Guararapes, onde fica a sede da Prefeitura de Petrolina. Uma das faixas eles afirmam que o HU “serve à população e não deve atender interesses privados”. Em outra os estudantes indagam: “não temos aulas práticas! não temos vacinas! Agora perderemos nossos espaços de prática no HU-Univasf?”.

O reitor pro-tempore da Univasf, Professor Paulo César Fagundes Neves, já havia se pronunciado na semana passada à comunidade da instituição, mostrando contrário ao convênio. Ele, inclusive, falou em tomar possíveis providências administrativas e jurídicas no intuito de reverter o convênio.

Confiram a nota do reitor:

Mensagem à comunidade universitária

Comunicamos à comunidade universitária da Univasf, em especial a todos os integrantes do curso de Medicina, bem como à sociedade em geral, que esta Reitoria nunca participou ou foi, por quem quer que seja, procurada mesmo que informalmente, para tratar de assunto relacionado a tratativas visando à celebração de convênio com a Universidade Estácio Juazeiro, ou qualquer outra, para possibilitar que o Hospital de Ensino da Univasf – HU possa ceder seu espaço para a realização de atividades de formação médica voltadas para estudantes de outra instituição ou mesmo, nesse caso em particular, da Universidade Estácio Juazeiro.

Neste momento cabe esclarecer e informar que buscaremos nos inteirar de todos os fatos inerentes a esta questão, fartamente comentados em redes sociais e, agiremos prontamente interpelando a superintendência da EBSERH para prestar informações e esclarecimentos com vista a subsidiarem possíveis providências administrativas e jurídicas que se fizerem necessárias.

Esta Reitoria renova seu compromisso em se manter atenta e vigilante aos legítimos interesses da Univasf.

Paulo César Fagundes Neves/Reitor Pro-Tempore

Foto: WhatsApp/reprodução

Alunos de Medicina da Univasf protestam contra convênio entre instituição e universidade particular de Juazeiro

  1. Profissionais disse:

    Porque não podem dividir o espaço com futuros colegas de profissão?

    1. Anônimo disse:

      Pq o HU não tem espaço para suportar a grande quantidade de alunos que viriam, já existe uma superlotação com a quantidade de alunos atuais (que não são apenas os da Univasf Petrolina e nem apenas alunos de medicina), se houvesse espaço, e pacientes suficientes, não haveria nenhum problema em dividir o espaço.

    2. Ingryd disse:

      Porque, infelizmente, não há espaço para ambos os grupos no HU, o qual ficaria superlotado de internos, prejudicando a formação médica e, futuramente, a própria população. Os caros colegas de profissão têm todo direito a um lugar adequado para suas atividades e deveriam exigir um hospital universitário próprio da instituição (estácio), o que agregaria sua formação e geraria mais assistência médica para a população do vale do São Francisco.

    3. Thiago da Estácio disse:

      O espaço já é pouco para os que já estão, imagine aí se colocarem mais alunos! Vai abarrotar o hospital, importunar os pacientes e atrapalhar o aprendizado!

    4. Marilia Dias disse:

      Já fui atendida no hospital de traumas. Senti que tive minha privacidade invadida. São muitos estudantes, acho que aumentar o número de estudantes pode piorar essa situação. A faculdade particular pode providenciar outra forma de oferecer estágio para seus alunos, já que eles pagam uma mensalidade tão alta.

    5. Estudantes disse:

      1) Não há espaço suficiente no hospital. Se o convênio for para frente, serão muitos estudantes para poucos pacientes, prejudicando o aprendizado dos estudantes da Univasf e dos estudantes da instituição privada em questão, e o PIOR, prejudicaria os pacientes!
      2) O acordo foi firmado de forma unilateral, a instituição privada em questão tinha todos os ganhos, e a Univasf só cedia os seus espaços de prática sem ganhar absolutamente nada com isso. É justo uma instituição pública servir aos interesses privados?
      3) Nem a Univasf, nem os estudantes da Univasf foram consultados sobre o convênio. Ele foi assinado arbitrariamente pelo superintendente do Hospital Universitário/Traumas.

    6. Ana Passos disse:

      Porque não há espaços no HU para essa quantidade de alunos, além de que o contrato não oferece nenhum benefício realmente interessante para o Hospital e para a Univasf. Se houvesse espaço e se o acordo fosse interessante, não haveria problemas em dividir

    7. 2R disse:

      Por que*
      Usamos “Por que” separado para iniciarmos uma pergunta e “porque” junto para responder

    8. Carlos disse:

      Pq a instituição formadora dos futuros colegas pode construir um hospital com os milhões anuais que recebe. Não é justo superlotar um hospital público já deficitário com estudantes de uma rede privada de ensino que contribui minimamente para a manutenção do serviço, e retirando o espaço dos alunos da própria rede pública. É completamente ilógico.

    9. Aluno disse:

      O problema não é dividir espaço, mas sim a pactuação de um acordo que cede um espaço público para uma instituição particular (que cobra em torno de R$10mil de mensalidade), e como contrapartida esta instituição oferece material descartável (propé e touca) e biblioteca virtual. Não é estranho?

  2. Alice Stern disse:

    Que ação absurda a da superintendência do Hospital Universitário. Isso precisa ser revertido e investigado já!

  3. Lucas Aires de Sá disse:

    Os estudantes estão certos! Aliás, onde estão os órgãos competentes para denunciar e investigar os envolvidos nisso, hein?

  4. Luis Andrade disse:

    Estudantes precisam se movimentar mesmo para denunciar o absurdo desse convênio. Querem vender o espaço público da Universidade em troca de uma biblioteca virtual.

  5. Itto Galandor Albano Moura disse:

    Dai a César o que é de César!

  6. Estudantes disse:

    Não é esse o problema. :(
    Durante o internato, que é o estágio obrigatório do curso, nós ganhamos um pouco mais de autonomia e começamos a atuar na prática, mas permanecemos estudantes que necessitam de instrução. Um hospital cheio de alunos, sem um aumento no número de preceptores (professores que supervisionam o que fazemos), espaço e leitos (que são muito importantes para o aprendizado, pois possibilitam que cada interno possa conhecer o caso de cada paciente de maneira holística e dedicar a isso o tempo adequado, e também não incomoda-lo tanto com visitas de vários alunos), não funcionaria bem – a qualidade do atendimento e do ensino cairia muito.
    Além disso, esse convênio que supostamente deveria beneficiar as duas instituições universitárias falhou muito com a univasf. Estavam tentando tirar nosso espaço, construído com os impostos do povo e muita luta, por uma biblioteca virtual… Essa proposta, vinda de uma universidade que arrecada no mínimo alguns milhões de reais por ano, não parece justa, certo?
    Por isso pedimos compreensão: não é uma questão de egoísmo, nós realmente só estamos pensando na qualidade de nossa formação. E também por essa razão nos solidarizamos com os alunos da Estácio, que, assim como nós, merecem e precisam da melhor qualidade de ensino e prática possíveis.

  7. João Alberto disse:

    Superlotar o hospital só traria dando a população, do que adianta ter médicos mal formados?

  8. Joao sousa disse:

    A população merece respeito… Isso é um descaso. Cadê o prefeito e a justiça federal para intervir nessas trocas de interesses particulares?

  9. 2R disse:

    Por que* Usamos “Por que” separado para perguntas e “porque” junto para respostas

  10. 2R disse:

    Por que*
    Usamos “Por que” separado para iniciarmos uma pergunta e “porque” junto para responder

  11. Um aluno disse:

    Como aluno da univasf, gostaria de ressaltar o seguinte:

    Não queremos guerra com nenhum aluno de faculdades particulares, especialmente dos nossos vizinhos da Estácio. Nós nos solidarizamos pela falta de um hospital escola para vocês, e esperamos que consigam o quanto antes campos de prática organizados (especialmente considerando o grande valor que investem na formação de vocês).

    No entanto, estamos revoltados com:

    1 – A forma com a qual o convênio foi suscitado. O colegiado de medicina da univasf só foi ter ciência dos fatos muito depois que o convênio já estava praticamente firmado, sem consulta ou organização prévia. Até mesmo os coordenadores de cada área do internato da univasf não tinham noção do que estava sendo feito.

    2 – Ainda sobre o convênio: a incerteza do que realmente seria oferecido em troca (nada explicitado), assim como a incerteza da quantidade de estudantes que seriam enviados para o HU, os períodos que lá ficariam, etc…

    3 – A realidade do HU: conforme os próprios preceptores do nosso hospital, os cenários clínicos e cirúrgicos do HU são limitados para a recepção de internos.
    Basta observar 2019, logo antes da pandemia, quando estávamos entrando constantemente no internato (o que vai voltar a acontecer em breve): havia, além dos advindos da univasf (sede), alguns poucos estudantes de Serra Talhada (UPE) e Paulo Afonso (univasf), e o limite de internos do hospital já era excedido.
    Há relatos de internos que não evoluíam sequer 1 paciente no dia. Um. Isso é favorável para a formação médica? Acreditamos que não. E, além disso, apenas com essas faculdades estagiando, houve alguns relatos de pacientes que se sentiram extremamente incomodados, a ponto de tentar escapar das visitas dos estudantes/preceptores.

    Pela nossa visão, com esse convênio feito às pressas, todos sairiam perdendo: os pacientes, que se sentem bastante incomodados com a quantidade de internos, e os estudantes, que, independentemente da faculdade de origem, não aprendem tanto quanto deveriam.

    Vamos lutar por uma boa formação médica para todos.

  12. Estudante disse:

    Como aluno da univasf, gostaria de ressaltar o seguinte:

    Não queremos guerra com nenhum aluno de faculdades particulares, especialmente dos nossos vizinhos da Estácio. Nós nos solidarizamos pela falta de um hospital escola para vocês, e esperamos que consigam o quanto antes campos de prática organizados (especialmente considerando o grande valor que investem na formação de vocês).

    No entanto, estamos revoltados com:

    1 – A forma com a qual o convênio foi suscitado. O colegiado de medicina da univasf só foi ter ciência dos fatos muito depois que o convênio já estava praticamente firmado, sem consulta ou organização prévia. Até mesmo os coordenadores de cada área do internato da univasf não tinham noção do que estava sendo feito.

    2 – Ainda sobre o convênio: a incerteza do que realmente seria oferecido em troca (nada explicitado), assim como a incerteza da quantidade de estudantes que seriam enviados para o HU, os períodos que lá ficariam, etc…

    3 – A realidade do HU: conforme os próprios preceptores do nosso hospital, os cenários clínicos e cirúrgicos do HU são limitados para a recepção de internos.
    Basta observar 2019, logo antes da pandemia, quando estávamos entrando constantemente no internato (o que vai voltar a acontecer em breve): havia, além dos advindos da univasf (sede), alguns poucos estudantes de Serra Talhada (UPE) e Paulo Afonso (univasf), e o limite de internos do hospital já era excedido.
    Há relatos de internos que não evoluíam sequer 1 paciente no dia. Um. Isso é favorável para a formação médica? Acreditamos que não. E, além disso, apenas com essas faculdades estagiando, houve alguns relatos de pacientes que se sentiram extremamente incomodados, a ponto de tentar escapar das visitas dos estudantes/preceptores.

    Pela nossa visão, com esse convênio feito às pressas, todos sairiam perdendo: os pacientes, que se sentem bastante incomodados com a quantidade de internos, e os estudantes, que, independentemente da faculdade de origem, não aprendem tanto quanto deveriam.

    Vamos lutar por uma boa formação médica para todos.

  13. Ronaldo Moraes disse:

    Os estudantes da UNIVASF estão certos, pois para ter acesso em Medicina na UNIVASF tem que atingir uma nota acima de 780 no ENEM

    A Eustácio acima de 500 pontos o estudante tem acesso e tem que pagar mensalidades acima de R$ 9.000,00.

    Acho que o Hospital Universitário tem que ser direcionado exclusivamente para a UNIVASF.

  14. Josefa Maria disse:

    Nem estão formados e já estão brigando por espaço. A coisa vai piorar. Agora tem muitas faculdades de medicina, vai acabar essa regalia médica. Egoístas com sempre. O sol é para brilhar para todos.

  15. Euzin disse:

    Muito mimimi nos comentários

  16. Kelly disse:

    Não querem estudar e nem deixa quem queira. Que eu saiba todos pagam impostos! Se estes futuros profissionais da saúde não sabem compartilhar,imagina como serão? São os Dipironas ambulantes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.