4 perguntas para Carol Tonizza

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Carol TonizzaA partir de hoje o Blog vai também colocar matérias diferentes. Lançaremos pequenas entrevistas onde perguntaremos o de sempre: o que o nosso leitor quer saber sobre os mais diversos assuntos.

Nesse primeiro “bate-papo” conversamos com a professora Carol Tonizza, Bióloga, Doutoranda em Biologia Vegetal da UFRPE e Professora da Univasf em Petrolina.

Blog: Baronesas fazem mal ao rio?

Carol: Baronesa são plantas aquáticas que se desenvolvem geralmente em ambientes ricos em nutrientes principalmente nitrogênio e fósforo. Esses ambientes são denominados eutrofizados. Elas são “sintomas” de que o corpo dagua está recebendo altas quantidades de nutrientes. No caso da Orla de Petrolina o esgoto doméstico é quem tem contribuído para isso. Elas fazem parte do metabolismo aquático. Elas possuem inúmeras funções ecológicas. Nossa visão não pode ser antropocêntrica. Elas podem contribuir ou podem ser maleficas. Depende.

Blog: Vale a pena tirá-las?

Carol: Vale a pena tratar o esgoto para que elas não se desenvolvam. Retira-las pode sim ser oneroso e não vai resolver pois ali já existe um banco de sementes. Se as condições ideais continuarem elas irão se desenvolver novamente.

Blog: Baronesas podem servir para ração animal?

Carol: Sim elas podem ser utilizadas como ração para animais. Aí valeria a pena retirar para produzir alimento.

Blog: Como podemos ajudar o rio, os cidadãos comuns?

Carol: A revitalização da mata ciliar é crucial para evitarmos esses problemas e outros mais graves como o assoreamento. Eutrofização. Uma boa maneira de acabar com as baronesas seria sombrear e evitar o aporte de nutrientes tratando o esgoto. Ou fazemos isso ou iremos sobrecarregar o rio que tenderá a diminuir sua vazão e até a longo prazo vir a desaparecer.

8 COMENTÁRIOS

  1. Discurso puramente ecológico. O assoreamento não diminui a quantidade de água que corre no rio. Deixa o rio mais raso e o enlarguece. Caso não tenha mata ciliar, com o enlarguecimento, temos a erosão. A mata ciliar, além de proteger as margens da erosão, também ajuda na retenção de água, que são liberadas com o recuo do rio. Agora vazão do rio São Francisco, maior ou menor, depende do aquecimento das águas do Pacífico – fenômeno El niño e do ASAS – que barras as frentes frias vindas do Atlântico Sul em direção ao norte de Minas Gerais. Eu penso que o desmatamento do Amazonas é o responsável pela falta de chuva no Nordeste.

    • Gostaria de saber onde o senhor se formou pra ficar dando esses palpites ai. O assoreamento não reduz a quantidade de água que corre? Mata ciliar “retém” água, nessa ai eu ri. “Acho que a falta de água no NE é pelo desmatamento da amazônia”, quase lá tente outra vez, os “rios aéreos” que vem da amazônia, vão para o sudeste, mais especificamente para São Paulo. O que mais influência aqui é o El niño, não a amazônia. Sugiro que se o senhor não tem conhecimento técnico, pelo menos, busque informações verdadeiras na internet, ao invés de ficar duvidando de uma pessoa que estudou e estuda isso, além de trabalhar na área.

      • Meu caro, em 1955 a vazão do rio São Francisco chegou a ficar abaixo de 400 m3. Em 1979, chegou a vazão de 18.(000) mil metros cúbicos. Com certeza, em 1955, o nosso rio era menos assoreado do que em 1979. Em 2007/2008, chegou a 8 mil m3. Agora estar chegando apenas 65 m3 em Três Marias. A explicação não é o que acontece no rio São Francisco, e sim fora dele. A seca no Vale não tem nada a ver com assoreamento, mata ciliar, poluição etc, e sim pelos fenômenos El Niño e o ASAS. A questão do desmatamento, como eu disse, é apenas uma opinião, pois tal ação humana pode estar influenciando no el niño, que nada mais é que o aquecimento das águas do Pacífico. Quanto a retenção, pesquise e encontrará. Basta deixar a preguiça de lado e botar no google: função da mata ciliar.

      • Cabeçadegelo, você esqueceu de ver que 70% das águas do Rio São Francisco provém de chuvas de Minas que surgem, principalmente, do encontro de frente fria vinda do Sul com a umidade vinda da Amazônia. Outros 20% vem das chuvas do Oeste Baiano, também com influência da Amazônia. As chuvas, ou a falta dela, no Sertão pouco contribui para aumentar ou diminuir a vazão do Rio. E quanto a mata ciliar, a função dela não é aumentar a vazão do rio, é basicamente proteger, com suas raízes, o solo das barrancas do rio. A diminuição da vazão do Velho Chico é um fenômeno natural, que pode está sendo potencializado pelo desmatamento da Amazônia e/ou pelo efeito estufa. No último século a precipitação no Vale do São Francisco reduziu-se em 60%. Eis o motivo mor da crise hídrica do nosso rio, e não a poluição, o desmatamento da mata ciliar, ou projetos de irrigação. Em 1979 a vazão mínima garantida na foz era de 2.060m3/s. Hoje não chegamos nem a 900m3/s. O Governo Federal tem a sua culpa por privilegiar a produção de energia em detrimento da irrigação, da navegação e do consumo humano. Por isso a Barragem de Sobradinho está próxima do colapso com apenas 5%, e ainda estamos em 18/10. Estamos numa crise hídrica muito pior que em 2001. Quanto às baronesas, elas prejudicam sim, diminui a correnteza do rio, prejudicando a dispersão dos poluentes, e no local onde se instalam causam diminuição do oxigênio. Agora, mais prejuízo causa a poluição pelos esgotos da senhora Compesa que é tão poderosa que não tem ninguém que a impeça de fazer isso! Acho que as autoridades estão esperando a muni da referida empresa para começarem a agir, já que a moda é só atuar contra o município.

    • Sabe o que acontece quando o rio sofre assoreamento e fica mais largo e raso? Pegue um balde, encha com água e deixe-o no sol por meia hora. Veja quanta água ficou no balde. Depois encha o balde de novo e espalhe a água dele em uma calçada plana. Veja depois de meia hora quanto ficou de água na calçada. Provavelmente nenhuma, pois a água vai ter evaporado rapidamente, pois sua área de contato com o ar vai ter aumentado consideravelmente, com o mesmo volume de água. É o que acontece com um rio assoreado. Antes de sair culpando o desmatamento na Amazônia, temos que olhar o que estamos fazendo de errado. É proibido construir até a margem de rios e do mar. É proibido plantar até as margens. Muita gente não segue essa lei e acabam piorando a situação.

  2. Não respondeu: O que a pessoa comum, o cidadão comum pode fazer, ajudar?
    Um bom passo é não desmatar as margens do rio para ampliar o agronegócio da monocultura, para construir condomínios de luxo, ter o cuidado com o lixo, não jogar a toa, quando visitar as ilhas, leve seu lixo de volta para a sua casa, cuidado com seus barcos, lanchas e jet-sky para não jogar óleo na água, seria um bom começo.

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