Univasf e Incra querem fortalecer práticas artístico-culturais para comunidades do campo

por Carlos Britto // 27 de abril de 2026 às 21:00

Foto: Ascom Univasf

Investigar e fortalecer o papel das práticas artístico-culturais em comunidades rurais brasileiras. Este é o objetivo do Projeto ‘Arte, Cultura e Educação no Campo’, desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A iniciativa busca gerar conhecimento científico e subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à cultura no campo. O projeto tem como público comunidades camponesas, assentadas e quilombolas vinculadas ao Incra e prevê, ao final, a publicação de um caderno com propostas para uma política nacional de cultura no campo, com lançamento previsto para 2027.

A proposta pretende compreender como a arte e a cultura contribuem para a formação identitária, o fortalecimento sociocultural e o desenvolvimento territorial dessas populações. “A iniciativa parte do entendimento de que o campo é um espaço de produção de saberes, memória e resistência, mas ainda enfrenta desafios quanto ao reconhecimento e à valorização de suas expressões culturais nas políticas públicas”, destacou Thiê Gomes, diretor de Arte, Cultura e Ações Comunitárias da Univasf.

O cronograma inclui etapas nacionais e regionais, com oficinas de formação, encontros em diferentes territórios e atividades voltadas a arte-educadores de escolas do campo. A primeira ação será a 1ª Oficina Nacional de Formação, que reunirá 60 agentes culturais de todo o país, entre os dias 12 e 14 de junho, em Brasília (DF).

A iniciativa também prevê a realização de entrevistas e diagnósticos participativos com as comunidades envolvidas. Além de mapear práticas culturais, o projeto busca analisar processos formativos e discutir temas como identidade, pertencimento e território, além de incentivar a criação e o fortalecimento de grupos culturais locais.

Demanda histórica

Segundo os organizadores, o projeto responde a uma demanda histórica dos movimentos sociais do campo por políticas culturais permanentes. “Apesar da relevância da arte e da cultura do campo, esse valor ainda não é plenamente reconhecido pelas políticas públicas. Faltam iniciativas contínuas que fortaleçam essas expressões”, afirmou Gomes. O projeto é desenvolvido pela Diretoria de Arte, Cultura e Ações Comunitárias da Univasf, em parceria com a Coordenação-Geral de Educação, Arte e Cultura do Campo do Incra, além de instituições como o Ministério da Cultura, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade de Brasília.

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