Uma carta do ano de 2070

por Carlos Britto // 13 de junho de 2009 às 21:00

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi comemorado na semana passada, 05 de junho, mas nunca é tarde para lembramos que podemos fazer algo pelo nosso planeta, antes que seja tarde demais. Um exemplo disso é essa carta fictícia (mas bem realista), que o presidente do PSOL de Petrolina, Rosalvo Antonio, nos envia. Confiram – e se conscientizem:

Ano 2070
Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água.
Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos.
Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques. As casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro por aproximadamente uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.

Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras.
Agora, raspamos a cabeça para mantê-la limpa sem água.
Antes, meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira.

Hoje os meninos não acreditam que utilizávamos a água dessa forma.
Recordo que havia muitos anúncios que diziam para CUIDAR DA ÁGUA, só que ninguém lhes dava atenção. Pensávamos que a água jamais poderia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.

Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A indústria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam os empregados com água potável em vez de salário.

Os assaltos por um litro de água são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética.
Antes, a quantidade de água indicada como ideal para se beber era oito copos por dia, por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo.
A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo. Tivemos que voltar a usar as fossas sépticas como no século passado porque a rede de esgoto não funciona mais por falta de água.

A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não têm a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera.

Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível.

Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.

Alterou-se a morfologia dos gametas de muitos indivíduos.
Como conseqüência, há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos: 137 m3 por dia por habitante adulto.
Quem não pode pagar é retirado das “zonas ventiladas”, que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar.

Não são de boa qualidade, mas se pode respirar.
A idade média é de 35 anos.
Em alguns países restam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército.
A água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes.
Aqui não há árvores porque quase nunca chove. E quando chega a ocorrer uma precipitação, é de chuva ácida.
As estações do ano foram severamente transformadas pelas provas atômicas e pela poluição das indústrias do século XX.

Advertiam que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém fez caso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o quão bonito eram os bosques.

Falo da chuva e das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse.

O quanto nós éramos saudáveis!
Ela pergunta-me:
– Papai! Por que a água acabou?

Então, sinto um nó na garganta!
Não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou de destruir o meio ambiente, sem prestar atenção a tantos avisos.
Agora, nossos filhos pagam um alto preço…
Sinceramente, creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto… enquanto ainda era possível fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!

Uma carta do ano de 2070

  1. Ivan disse:

    Vale a pena ver em vídeo esta carta. Mias emocionante ainda. Acessem o youtube no clicabndo aí:

    http://www.youtube.com/watch?v=2MvE8hsZPco

  2. Vitorio Rodrigues disse:

    Divulgando os créditos do texto, das imagens e do slide. Vale apena lê essa carta e refletir.

    Autor do Slide: Ria Ellwanger
    Texto: publicado na revista “Crónicas de los Tiempos“, de Abril de 2002.
    Imagens: Getty Images Este slide é exclusivo do site Ria Slides

  3. Vitorio Rodrigues disse:

    Veja o video narrado no endereço abaixo.

    http://www.youtube.com/watch?v=oi81WUlp3wM

  4. Vitorio Rodrigues disse:

    Ha, perdão acabaram de aparecer. Obrigado.

  5. ROSALVO ANTONIO disse:

    Quando enviamos o texto para o Blog, mandamos exatamente com os créditos, nunca dissemos ser da nossa autoria, mas, o que é bom precisa ser divulgado e o blog está de parabens por ter feito isso.

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