Terceiro suspeito de envolvimento em massacre na escola de Suzano é considerado “frio” e “mentor intelectual” do crime, diz polícia

por Carlos Britto // 20 de março de 2019 às 12:00

Foto: Felipe Rau/Estadão

O adolescente de 17 anos suspeito de participação no ataque a tiros na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, é considerado um dos mentores do massacre e uma pessoa “fria” pelos investigadores. O jovem foi levado para uma unidade da Fundação Casa na manhã desta terça, 19, após a Justiça aceitar pedido de internação provisória apresentado pela promotoria.

Segundo o delegado titular da delegacia de Suzano, Alexandre Henrique Augusto Dias, os investigadores estão “convencidos” que o adolescente teria envolvimento no massacre e atuado no planejamento do crime. Documentos obtidos pelo Jornal Estado de S.Paulo mostram que o rapaz trocou mensagens com professores e colegas logo após o ataque. Ao falar sobre o caso, ele afirma: “nem cheguei a chorar”, e ri. O delegado não comentou o conteúdo das mensagens.

Ele é uma pessoa fria, com toda a certeza”, afirmou o delegado Alexandre Dias. Segundo ele, as provas obtidas nas investigações indicam que o rapaz é um dos mentores do massacre junto do adolescente G.T.M., de 17 anos, acusado de liderar o ataque. “Ele foi mentor intelectual, comprou objetos que poderiam fazer participar do delito e teve participação junto dos autores na compra desses objetos.

De acordo com o promotor Rafael Ribeiro do Val, responsável pelo caso, o adolescente foi imputado pelo ato infracional de participação em homicídio. O jovem ficará internado provisoriamente em uma unidade da Fundação Casa por 45 dias – prazo em que o Judiciário dará uma resposta sobre o processo.

O promotor afirmou ainda que o Ministério Público investiga pessoas que tenham exaltado o atentado em Suzano pela internet. “Aqueles que tem exaltado atentados como em Columbine (EUA) e em Suzano estão sendo monitorados e serão responsabilizados, pois exaltação de um crime de forma pública é um crime”, afirmou Rafael do Val.

Os próximos passos da investigação miram como os autores do massacre obtiveram as armas utilizadas no crime e, se a compra dos objetos ter sido feita ilegalmente, uma quarta pessoa pode ser responsabilizada.

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O delegado de Suzano, Jaime Pimentel, que atua nas investigações afirmou que o celular encontrado na casa do adolescente apreendido é roubado. As investigações apuram se o jovem teria sido o autor do delito. Pimentel informou que o laudo de exame necroscópico realizado nos corpos dos autores confirma a versão em que G.T.M. teria atirado na cabeça de Luiz Henrique de Castro, de 26 anos, em um ponto logo atrás da orelha, e em seguida se matou, reforçando a teoria de ser o líder do ataque.

O adolescente de 17 anos foi apreendido na manhã de ontem, 19, e levado ao Fórum de Suzano para audiência de apresentação. A decisão foi da juíza Erica Marcelina da Cruz, da Vara de Infância e Juventude de Suzano. Ela atendeu pedido apresentado na segunda-feira, 18, pelo promotor Rafael do Val, responsável pelo caso, após a Polícia Civil apresentar “provas contundentes” da participação do jovem no planejamento do ato.

Em depoimento à Justiça, o rapaz negou envolvimento no crime. Ele estava acompanhado dos pais e do criminalista Marcelo Feller, que representa o adolescente. Segundo Feller, a defesa ainda não teve acesso às cópias do processo e as provas colhidas pela Polícia Civil (PC). (Fonte: Estadão)

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