Tarifaço dos EUA não deve atingir exportações de frutas do VSF

por Karyne Ramos // 04 de junho de 2026 às 16:30

Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido

As frutas produzidas no Vale do São Francisco devem ficar de fora do novo pacote de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos. A avaliação é do superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Petrolina, Edilázio Wanderley, que considera a exclusão das frutas da lista uma notícia positiva para a fruticultura da região.

Segundo ele, a decisão demonstra a importância da produção brasileira para o mercado norte-americano, especialmente durante o segundo semestre do ano. “Isso mostra, entre outras coisas, a necessidade que o governo dos Estados Unidos tem das frutas brasileiras, principalmente na janela desse segundo semestre. Eles não têm total produção, principalmente da uva e da manga, e dependem muito desses produtos exportados pelo Brasil”, afirmou.

De acordo com Wanderley, a estratégia adotada pelo Brasil após o primeiro pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos contribuiu para ampliar mercados e reduzir a dependência de um único comprador. “A diplomacia ativa do governo brasileiro desde o primeiro tarifaço acabou reforçando alguns mercados e a fruticultura foi um deles. No segundo semestre de 2025, mercados que produtores não atendiam em alguns meses do ano, como Inglaterra e Canadá, acabaram absorvendo essa fruta”, explicou.

Atualmente, os Estados Unidos compram cerca de 50 mil toneladas de manga brasileira por ano. O país é considerado um dos principais destinos da fruta produzida no Vale do São Francisco, responsável por aproximadamente 90% das exportações nacionais de manga e 92% das exportações de uva de mesa.

O superintendente também destacou a abertura de novos mercados internacionais. Segundo ele, os primeiros contêineres de uva enviados para a União Europeia já foram embarcados sem taxação, após avanços no acordo entre Mercosul e União Europeia. Além disso, produtores brasileiros seguem ampliando negociações com países asiáticos.

Entenda a proposta dos Estados Unidos

O novo tarifaço foi sugerido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente norte-americano, Donald Trump. A proposta prevê a aplicação de tarifas de até 25% sobre parte das importações brasileiras. Segundo o governo dos EUA, a medida seria uma resposta a políticas e práticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação americana, impactariam setores como comércio digital e serviços de pagamento.

Enquanto a fruticultura não deve ser diretamente afetada, outros segmentos seguem acompanhando as negociações. É o caso do setor sucroenergético. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou que o impacto da medida ainda é incerto. A expectativa é de que o tema seja discutido em novas rodadas de negociação previstas para ocorrer ao longo do mês de julho. (Fonte: Diário de Pernambuco)

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  1. Nesse tempo o político tinha vergonha na cara, hoje é os caras roubando e ainda pedindo votos com a maior…