Em ano eleitoral, os discursos na Câmara Municipal de Petrolina começam a ficar mais acirrados – o que não é nenhuma novidade. Na sessão plenária de ontem (5), integrantes da oposição e situação azeitaram o embate, que começou com a derrubada do Requerimento nº 075/2026, de autoria do vereador Dhiego Serra (PL), com pedido de informações ao Governo Simão Durando acerca da contratação de atrações artísticas para o São João e da regulamentação da exploração publicitária vinculada ao evento.
A solicitação é voltada em especialmente no que se refere ao posicionamento da gestão municipal sobre a adoção de limites para contratação de artistas com cachês elevados, prática que vem sendo debatida em diversos municípios brasileiros e órgãos de controle. A iniciativa se Serra se deu a partir da realização de licitação, por meio de concorrência eletrônica, realizada no último dia 25 de fevereiro.
O requerimento, no entanto, foi barrado pela base do prefeito, que é maioria na Casa. Um dos que ajudaram a derrubar o pedido, o governista Ronaldo Cancão (Republicanos) afirmou que “tem vereador querendo fazer pirotecnia com o que deu certo”. Evitando dar nome aos bois, Cancão disse que o colega desconhece a grande receita gerada pelo São João de Petrolina – que, segundo ele, está entre os três mais importantes do Nordeste. Ele explicou ainda que a empresa responsável por realizar a festa entra com toda a estrutura, enquanto cabe ao município um investimento de R$ 13 milhões na contratação dos artistas.
Por sua vez, Serra argumentou que sua solicitação era simples. Ele queria apenas saber detalhes sobre a publicidade do evento, que deveria ficar restrita à área do São João, no pátio de eventos, mas no ano passado a empresa do segmento de apostas, que patrocina os festejos, foi muito além disso. O oposicionista também alegou que não está estipulando o valor que a prefeitura vai pagar aos artistas nacionais contratados, mas de qual será o teto. Serra lamentou que já teve um requerimento, com o mesmo pedido, derrubado pelos colegas de Legislativo. “Isso mostra que os vereadores, que deveriam ser vereadores do povo, passam a ser vereadores do prefeito Simão Durando. Esta Casa precisa ter independência”, desabafou.
Mais polêmica
Na mesma sessão, o inquérito da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação ‘Vassalos’, que investiga desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares e tem como alvo o ex-senador Fernando Bezerra e seus filhos, o ex-prefeito Miguel Coelho e o deputado federal Fernando Filho, voltou aos holofotes da Casa. Líder da oposição, Ronaldo Silva (PSDB) reforçou o pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), sobretudo após o “calote” dado pela prefeitura aos pequenos construtores da cidade. “Mas não falta dinheiro para a Liga Engenharia”, desabafou. A empresa citada por Ronaldo seria a beneficiária dos recursos oriundos das emendas.


