Radialista de Juazeiro critica ausência de representantes culturais em evento na cidade

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sibeleA pouca participação de representantes culturais em um evento promovido pelo músico e poeta Maviel Melo em Juazeiro, esta semana, mereceu um desabafo recheado por duras críticas da radialista Sibelle Fonseca (Cidade AM).

Em seu Facebook, Cibele soltou as farpas. Confiram:

E ontem participando da Primeira Feira de Letra e Música de Juazeiro, observando umas 300 cadeiras vazias, das 400 existentes, fiquei pensando: Onde está o pessoal que diz que a cultura de Juazeiro morreu? e os saudosos que querem a volta do chá das cinco? e os “intelectualóides” com suas mochilas vazias? e os intelectuais que vivem reclamando do lepo-lepo? e os educadores que trilham as apresentações festivas dos colégios com a axé música? e os estudantes que consomem o arrocha? e uma raça toda de gente que diz que é sem pensar nadica de nada? e a imprensa regional, tão sem pauta que preste, tá onde? e os radialistas do ‘jabá’ que reproduzem muito lixo, tão ouvindo o que uma hora dessa? e o pessoal do Rock? do pop? da MPB? do underground? do jazz? onde estão estas tribos todas que vestem um rótulo e na hora do “vamo ver” desaparecem? Os produtores e agentes culturais ficaram com medo da chuva? E os agentes do poder público estão, pelo menos, cuidando dos desabrigados? e o pessoal da Secretaria de Cultura, não deveria participar ativamente deste momento de cultura? (o secretário compareceu por uns 20 minutos, cumprindo a liturgia do cargo, claro!) Cadê? cadê todo mundo?

Meu sentimento é de decepção e, confesso, de revolta também. Individualmente saí feliz, maior e mais rica. Coletivamente, muito triste e indignada. Vi o empenho, a dedicação e as contas que os organizadores tiveram que fazer para proporcionar a Juazeiro dias melhores aos ouvidos e a alma. Eles sonharam com todas as cadeiras ocupadas, principalmente pela geração mais nova, tão órfã de música boa e tão contaminada pelo lixo cultural que vende, e vende muito. E não é porque goste, não. É porque não conhece e não tem quem dê a mão e mostre outros caminhos. Nem os educadores – pais e professores, querem se dar a este “trabalho”. Lupeu Lacerda e Maviael Melo, uma sugestão: Façam a segunda feira, mas façam em Petrolina. Juazeiro gosta mesmo é de vaquejada e do “bilu-bilu”. De paredões estéricos, do “lepo-lepo” que promove a exploração sexual nos bares da orla e de coisinhas bem arrochadinhas.

Assinado: Eu, que gosto do arrocha ao clássico.

PS: Aposto que hoje, dia de Lirinha do Cordel do Fogo encantado, que ganhou repercussão nacional, o espaço vai lotar. Tomara! Ele é massa mesmo. Mas também são massa Flávia Wenceslau, Silvério Pessoa, João Sereno, Maviael Melo e todos os outros…

Sibelle Fonseca/Radialista

3 COMENTÁRIOS

  1. A jornalista Sibelle tem toda razão em criticar esses pseudos defensores da cultura. Temos uma imprensa (escrita, falada e os blogueiros de plantão) que na maioria das vezes só publicam ou divulgam aquilo que lhe dar retorno (principalmente financeiro), outro grupo formado por “organizadores de eventos sociais” que se utilizam do patrocínio como forma de pagar esses eventos e fonte de renda para os mesmos (alguns até são conhecidos por solicitar patrocínio para eventos que nunca são realizados) fora aqueles que têm seus nomes sempre ligados as Secretarias de Cultura e sobrevivem sempre de eventos patrocinados por dinheiro público. Patrocinador da cultura é aquele cidadão que paga o ingresso de um evento público como esse por vontade própria e que vai assisti-lo não para aparecer em coluna social ou na internet mais por gostar do que vai assistir e ver.

  2. O termo correto para estas manifestações não á CULTURA mas ENTRETENIMENTO ( nós não cultivamos quase nada do que reza esta bendita palavra, exceto as canções ´populares nas horas de folga nos bares )
    Portanto as cedeiras vazias expõem exatamente a radiografia da situação .

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