A morosidade na conclusão das obras do Centro de Convenções de Petrolina elevou a temperatura na sessão plenária desta quinta-feira (10) na Câmara de Vereadores. O tema foi suscitado pelo vereador oposicionista Dhiego Serra (PL/foto), por meio do Requerimento nº 472/2026.
Serra solicita do Poder Executivo Municipal, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade, uma série de informações e documentos referentes à suplementação orçamentária destinada à requalificação do Centro de Convenções, em especial quanto à evolução dos valores contratados, aos aditivos celebrados e à necessidade de novos recursos para conclusão das obras.
Em sua fala, o oposicionista disse que o equipamento virou um “grande elefante branco”, que já recebeu sete aditivos e deveria ser concluído em julho de 2023. Entre outros detalhes, Serra quer saber qual o motivo que levou a um atraso de três anos no cronograma. “Para onde está indo o dinheiro para essa obra que não se acaba mais nunca? Isso é uma vergonha para Petrolina”, alfinetou. Ele cobrou explicações do porquê as obras estão recebendo mais um crédito suplementar de R$ 2,76 milhões em pleno período eleitoral.
Líder da bancada de oposição, o vereador Professor |Gilmar Santos (PT) completou as críticas lembrando que a reforma do Centro de Convenções havia sido prometida, juntamente com o teatro municipal, na segunda gestão do então prefeito Fernando Bezerra Coelho – ou seja, há mais de 20 anos. Segundo Professor Gilmar, várias foram as solicitações do segmento cultural pedindo a construção do teatro. “Fomos impedidos duas vezes de adentrar o espaço e acionamos o Ministério Público Federal para que faça a devida intervenção desse equipamento. Estamos aguardando”, afirmou.
Ele também questionou o grupo Bezerra Coelho, que está à frente do município desde o ano de 2017. “Temos a notícia de que esse grupo está com um patrimônio elevado de 3.600%. Por que a mesma disposição em aumentar tanto o patrimônio pessoal não é utilizada também para garantir serviços em tempo e com qualidade, melhorando as condições de vida da nossa população?”, indagou.
Respostas
Cancão lamentou os discursos do “quanto pior, melhor” proferidos pela oposição. Primeiro, rebateu a fala de Serra sobre o Centro de Convenções ser tachado de “elefante branco”. Ele lembrou que o equipamento foi inaugurado em 1995 e várias empresas atuam no local, desde então. Sobre a requalificação, ele argumentou que as obras estão 80% concluídas. No entanto, devido a problemas referentes ao lençol freático onde o espaço fica localizado, houve esse atraso. Ele revelou também que o teatro está pronto, faltando apenas a parte de acabamento, bem como o pavilhão de feiras e ampliação dos auditórios e do Memorial Nilo Coelho – num investimento de R$ 46 milhões.
“Querem fazer aqui a política do ‘quanto pior, melhor’, de agredir, de acusar de forma leviana o prefeito. É uma oposição pequena, miúda, varejista. Mas nem todos. Alguns”, desabafou. Sobre as denúncias de aumento excessivo no patrimônio pessoal, Cancão disse que se o líder oposicionista quiser, acione a Polícia Federal (PF), mas essa questão não cabe no Plenário da Casa Plínio Amorim.
Também integrante da base governista, Maria Elena (UB) não conseguiu controlar sua indignação diante das insinuações de que o grupo do qual faz parte é corrupto. Transtornada, ela chegou a rasgar o requerimento de Serra e foi acusada de quebra de decoro. “Podem ter certeza de que nós não temos medo dessas acusações sombrias e nebulosas que os senhores fazem contra o grupo político da gente. São 18 anos que a gente ouve essa turma do PT, verdadeiros característicos da palavra ‘corrupção’. Não foi pra isso que a gente votou tantas vezes nos presidentes do PT”, completou.
Aprovação
A vereadora recebeu a solidariedade do líder do governo, Diogo Hoffmann (UB), pelo fato de ter sido abruptamente interrompida em sua fala. Ele também lembrou os investimentos do Governo Bolsonaro nas obras do Centro de Convenções, enaltecendo a força política do seu grupo. Apesar da polêmica, Hoffmann autorizou sua bancada a votar favorável ao requerimento, mas nem todos seguiram. O documento, que teve pedido de destaque, recebeu 11 votos a favor e quatro contra.


