Novo tratamento de esgoto é implantado em comunidade rural de Juazeiro

por Carlos Britto // 23 de agosto de 2021 às 15:00

Foto: Reprodução

O Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), em Juazeiro (BA), criou um novo sistema de tratamento de esgoto e reuso agrícola, em nível familiar, que pretende alcançar centenas de territórios no Sertão do São Francisco. O projeto busca promover melhorias ambientais, sociais e econômicas, além de contribuir na construção de políticas públicas de Saneamento Básico Rural apropriadas à realidade climática do Semiárido brasileiro.

A ação viabiliza o acesso ao saneamento básico contextualizado através da coleta e tratamento dos resíduos líquidos, destinando o efluente tratado para reuso em frutíferas e plantas forrageiras. A iniciativa chegou a Escolas Famílias Agrícolas das redes estaduais. As famílias e escolas beneficiadas, assumem serviços de contrapartida na implementação, o manuseio dos sistemas pós implante, e também se comprometem em promover a difusão de saberes inerentes ao tema.

O projeto piloto beneficiará 18 famílias rurais e terá como principal desafio a operacionalização e gestão do sistema a ser feito pelos próprios beneficiários. Através do SAAE, a Prefeitura Municipal de Juazeiro apoia a ação.

Sistemas de tratamento de esgoto e reuso agrícola

O sistema de tratamento de esgoto total implementado na comunidade utilizará a tecnologia Reator UASB, que trata tanto as águas cinzas (provenientes das pias e chuveiros), como águas fecais (de vasos sanitários) – por isso se chama esgoto total. O tratamento biológico se dá através de um processo de fermentação anaeróbico, de fluxo ascendente via reator UASB o que promove remoção de grande parte da matéria orgânica do esgoto, e separação de sólidos, gases e líquidos.

Em seguida o efluente repousa por cinco dias sobre lagoas de polimento, de um metro de profundidade para ocorrer a eliminação de bactérias (desinfecção) por meio de raios solares, deixando a água pronta para ser reutilizada na agricultura pelas famílias. A combinação de tempo e profundidade ideal à desinfecção, sendo 5 dias de exposição ao sol, com profundidade mínima e 0,6m e máxima de 1,0m, possibilita eliminar microrganismos e preservar nutrientes como fósforo e nitrogênio, importantes para o crescimento vegetal.

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