Nova uva produzida no Vale do São Francisco conquista ingleses

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UVA BRS Vitória

Com a economia interna fragilizada, boa parte das empresas do País enxerga o mercado internacional como uma alternativa ao marasmo. Na tentativa de aumentar a competitividade lá fora e a produtividade das uvas do Vale do São Francisco, os agricultores do Sertão pernambucano apostam em cultivares cujo material genético permite ao produtor fazer mais de uma colheita ao ano, chegando ao mercado externo em épocas distintas.

Este é o caso da BRS Vitória, primeira cultivar brasileira de uva sem sementes. Por ter bom equilíbrio entre açúcar e acidez, a fruta conquistou os ingleses e já é fundamental à balança comercial do Brasil, provocando exportações de aproximadamente 150 toneladas entre abril e dezembro, quando, nessa época do ano, o mercado inglês costumava ser abastecido pela Itália, Espanha e Grécia.

Apesar de a participação parecer irrisória, visto que na safra a região produz 39,2 mil toneladas de uvas sem semente, o desenvolvimento da pesquisa é um avanço e permite que o Brasil chegue a mercados até então inexplorados. Na região do Vale já são cultivados com essa variedade cerca de 200 hectares. Coube ao grupo Labrunier ser o pioneiro na exportação, enviando semanalmente a BRS Vitória para a Inglaterra.

Desenvolvida a partir do Programa de Melhoramento Genético de Uva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho, ela é recomendada para regiões de clima tropical úmido, como o Sudeste brasileiro, e o tropical semiárido. A uva vem se destacando, sobretudo, no Vale do Submédio São Francisco, nos municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), áreas protagonistas no mercado de produção e exportação de uvas no Brasil. A aceitação tem sido positiva. Quatro anos depois de ter sido lançada, 90% dos associados da Cooperativa de Produtores Exportadores do Vale do São Francisco (Coopexvale), com 22 empresas, adotam a BRS para o mercado interno.

Facilitador

O grande facilitador para os produtores da região é que, com irrigação e uso de produtos para promover brotações, é possível escalonar podas durante o ano todo e proporcionar as colheitas para o melhor período do mercado, o que permite que aconteçam duas safras anuais com planejamento da época da colheita. Um ponto que vale destacar é que, por ter menor custo de produção em função de menor demanda de mão de obra para o manejo da copa e dos cachos, a cultivar ainda é mais atrativa na relação custo-benefício. A tolerância ao míldio da BRS Vitória resultou em vantagens econômicas e ambientais. Em 2015, o Vale chegou a comercializar 185 mil toneladas de frutas, entre mangas e uvas. (fonte: Folha PE/foto: Embrapa divulgação)

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