MPPE e Adagro apontam orgânicos com resíduos de agrotóxicos comercializados no Recife

por Carlos Britto // 28 de abril de 2023 às 07:53

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco arquivo

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), em parceria com a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado (Adagro), promoveu no período de setembro de 2022 a fevereiro deste ano uma coleta de material para avaliar a qualidade dos alimentos comercializados em feiras orgânicas e supermercados da Região Metropolitana do Recife (RMR) e de Petrolina. Ao todo, foram coletadas 176 amostras de produtos agroecológicos, das quais 23 continham resíduos de agrotóxicos. A análise do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) detectou defensivos agrícolas em frutas, verduras e legumes vendidos em vários estabelecimentos.

A relação inclui abacaxi (Feiras da Várzea, da Beira Rio e do Senac), tomate (Feiras de Casa Forte, da Peixaria de Candeias e da Fiocruz), goiaba (Feira de Casa Forte), vagem (Feira do Espinheiro), brócolis japonês (Feira da Fiocruz), banana (Feiras do Bairro Novo, RM Express, Organomix Shopping Recife e Mercado Eufrásio Barbosa), mamão (Feiras do Senac e Agroecoloja), maracujá (Feira da Praça do Bom Pastor), pimentão (Museu do Homem do Nordeste), cenoura (Mercado Eufrásio Barbosa), melão (Museu do Homem do Nordeste) e acelga (Feira de Jardim São Paulo, também no Recife). A partir da constatação dos resultados insatisfatórios, a Adagro realiza a rastreabilidade do produto para fiscalização diretamente na propriedade rural, com o objetivo educativo de prestar orientação e informações técnicas aos produtores.

A iniciativa faz parte do Projeto de Rastreabilidade e Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos em Produtos Orgânicos, realizado pelo MPPE, por meio do Centro de Apoio Operacional (CAO) de Defesa do Consumidor. Para a execução do mesmo, o MPPE firmou um Termo de Cooperação Técnica com a Adagro, que ficou responsável pelas coletas mensais dos produtos orgânicos e o encaminhamento das mesmas para análise laboratorial.

A coordenadora do CAO Consumidor do MPPE, promotora de Justiça Liliane da Fonseca Lima Rocha, lembra que, pela legislação brasileira, o produto orgânico – seja ele in natura ou processado – é aquele obtido a partir de um sistema orgânico de produção agropecuária ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local. Para serem comercializados, os produtos orgânicos deverão ser certificados por organismos credenciados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). São dispensados da certificação somente aqueles produzidos por agricultores familiares que fazem parte de organizações de controle social (OCS) cadastradas no MAPA, que comercializam exclusivamente em venda direta aos consumidores.

Matéria atualizada às 20h18

MPPE e Adagro apontam orgânicos com resíduos de agrotóxicos comercializados no Recife

  1. ednaldo disse:

    A corrupção está em toda parte.

  2. Severino Alves da Silva Junior disse:

    Ah esses sem terras……!!!!!!!

  3. Quintal Verde disse:

    Não tem nada a ver com MST ou pessoa sem terra… São produtores que tem terra e não são necessariamente de assentamentos. Acorda, povo!

  4. João Francisco da Silva Filho disse:

    Parabenizo aos demais que produzem com seriedade e compromisso pra si e seus clientes consumidores.

  5. AGROECOLOJA disse:

    A AGROECOLOJA vem por meio desta mensagem esclarecer que já está em diálogo com o produtor fornecedor do produto fora da conformidade orgânica (mamão), suspendendo as compras até que este fornecedor volte a adequar sua produção às regras de produção orgânica. Apoiamos esta iniciativa do MPPE com apoio da Adagro que entendemos ter um caráter educativo e que busca contribuir para o fortalecimento da Agricultura Familiar Agroecológica e para produção de alimentos saudáveis. Conforme informado na própria matéria, “a partir da constatação dos resultados insatisfatórios, a Adagro realiza a rastreabilidade do produto para fiscalização diretamente na propriedade rural, com o objetivo educativo de prestar orientação e informações técnicas aos produtores”. É importante destacar que os riscos de contaminação por agrotóxicos, pela agua e pelo ar, estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano com a liberação de mais de 1.682 novos agrotóxicos nos últimos 4 anos e a permissão de pulverizações aéreas no estado de Pernambuco.

  6. Davi Rodrigues leite filho disse:

    Caro amigo Carlos Britto,
    Venho por meio deste informar que não ouve nenhuma detecção de resíduo químico em cultura orgânica alguma que são produzidos e comercializados em feiras ou supermercado em Petrolina. O bairro jardim são Paulo mensionado na matéria fica na cidade de Recife, até mesmo porque o jardim São Paulo de Petrolina nem produz nada ou tem feira.
    Peço a retratação para com nossos produtores e comerciantes de produtos orgânicos de Petrolina afim de reparar tal dano no qual repercutiu bastante na região.
    Desde já agradeço.
    Davi Rodrigues Leite Filho
    Comerciante orgânico.

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