O Brasil vive um dilema que se repete a cada ciclo de festas regionais, exposições agropecuárias e carnavais fora de época: de um lado, a alegria e o fomento econômico gerados pelos grandes eventos; de outro, o uso de verbas públicas para custear apresentações com valores que ultrapassam a casa dos sete dígitos.
Embora o entretenimento seja um direito e um motor para a economia local, o volume de recursos destinados a artistas de renome nacional tem gerado um incômodo crescente na sociedade civil e órgãos de fiscalização. A pergunta que fica é: até onde o “pão e circo” deve ir quando as necessidades básicas da população ainda não foram atendidas? Por toda a cidade notamos o abandono dos bairros a olhos vistos. E o município não pode se resumir ao Centro.
A Era dos Cachês de R$ 1 Milhão
O cenário musical brasileiro, especialmente nos gêneros sertanejo e piseiro, inflacionou drasticamente nos últimos dois anos. O que antes era uma exceção, hoje tornou-se regra: grandes estrelas dificilmente sobem ao palco por menos de R$ 500 mil, com os principais nomes do país — como Gusttavo Lima, Jorge & Mateus, Wesley Safadão e Ana Castela. Só pra ficar por aí — figurando em contratos que frequentemente superam R$ 1 milhão.
De acordo com dados levantados em portais de transparência de diversas prefeituras, os custos não param no cachê. Há uma “fatura invisível” que inclui:
• Logística – Passagens aéreas, hospedagens de luxo e transporte para equipes que superam 30 pessoas.
• Estrutura – Palcos monumentais, sonorização de última geração e segurança privada.
• Produção – Iluminação e efeitos especiais exigidos em contrato (riders técnicos).
Tudo isso para uma apresentação que dura, em média, 90 minutos. Os gestores precisam se levantar, se unirem em prol de remunerações estratosféricas.
O Contraste com a Realidade Social
O debate não é uma campanha contra o São João, mas uma reflexão sobre a prioridade. Enquanto o som ecoa alto nas praças, o silêncio nas filas dos hospitais públicos e a carência de infraestrutura básica gritam por socorro.
Para quem depende exclusivamente do SUS, a falta de um medicamento ou a demora de um exame pode ser fatal. Na educação, escolas carecem de reformas e tecnologias básicas. Ao colocarmos na balança, o investimento em um único show de grande porte seria capaz de:
1. Construir ou reformar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
2. Pavimentar dezenas de ruas em bairros periféricos.
3. Garantir meses de fornecimento de merenda escolar de alta qualidade.
4. Implementar projetos de saneamento e iluminação pública que beneficiam tanto o rico quanto o pobre.
5. A cidade é pobre de drenagem, saneamento e zelo
Especialistas em gestão pública defendem que o evento é necessário para a autoestima do povo e para girar a economia (hotéis, comércio ambulante e serviços), mas alertam que o excesso compromete a cidadania. O São João de Petrolina, por exemplo, é uma referência, mas o custo passou do aceitável. Não é “não fazer a festa”, é fazer com responsabilidade.
“Uma coisa não pode anular a outra. O setor público tem o dever de oferecer cultura, mas o exagero não pode virar regra“, afirma o texto que circula entre críticos da gestão pública. O debate atual foca na busca por cachês justos e na transparência total. Afinal, quem paga a conta é o cidadão através dos seus impostos, independentemente dele estar na frente do palco ou em casa esperando por um asfalto que nunca chega.
O alerta está ligado: que as festas continuem e que o São João continue a nos orgulhar, mas que o respeito ao dinheiro público e à dor de quem precisa de assistência seja a prioridade máxima dos gestores.



Parabéns pelo artigo meu amigo…
Até quando?
A saúde e educação precárias e os bolsos dos artistas sobrando…
Muito oportuno esse comentário, o capital privado deveria bancar esses cantores famosos e os artistas locais a prefeitura pagaria
Zé povim reclama da falta de assistência com qualidade na saúde, reclama de ruas esburacadas e ruas com esgotos obstruídos, reclama da falta de segurança e educação de qualidade, porém faltando festa com artistas de renome nacional… a, aí a coisa pega. Se percebe que pra o Zé povim as festas são prioridades e os políticos precisam agradar o povo, do contrário não se sustentam na politica