Mendonça Filho: “Ciro terá respaldo do partido mesmo que não acompanhe Guilherme”

por Carlos Britto // 20 de março de 2009 às 18:20

O ex-governador de Pernambuco, Mendonça Filho, visitou o blog. Nome forte do seu partido, o DEM, para disputar uma cadeira na Câmara de Deputados, Mendoncinha fez uma avaliação positiva da agenda estratégica que seu partido fez no sertão passando por sete cidades.

Ressaltou que a idéia foi de detectar necessidades do povo sertanejo e de levar as propostas do DEM, disse que o governador Eduardo Campos “faz aposta” com suas promessas de campanha e falou sobre a rebeldia do deputado estadual Ciro Coelho. Confira.

Carlos Britto – O senhor tem dito em suas entrevistas em toda a região que em visto muito oba-oba e pouca ação do Governo do Estado. O que o senhor tem visto no sentimento das pessoas para que isso não seja um sentimento só do político?

Mendonça Filho – Na verdade quando eu digo isso não estou falando só de uma avaliação pessoal, mas uma contestação do que eu percebi do diálogo debito com a população nos quatro dias que passei no Vale do São Francisco e nas sete cidades do sertão. Infelizmente o quadro que posso pintar para você é esse. Não há nada de relevante feito pelo atual Governo (do Estado) que possamos destacar. Existe uma certa aposta do atual Governo. O quadro é de frustração. E as ações que são federais e que o atual Governo poderia intervir para que elas funcionassem estão abandonadas, como o Projeto Pontal, que esta aí paralisado há cerca de sete anos.

Carlos Britto – Mas o senhor, na época em que foi governador, fez essa cobrança ao governo federal?

Mendonça Filho – Não só fiz a cobrança, como apoiamos. Além do Projeto Pontal, financiamos um estudo inicial do Canal do sertão. Fomos procurados na época pelo então deputado Osvaldo Coelho, que colocou a visão dele sobre o projeto e as necessidades de investimentos, e que até então só tinha um estudo preliminar por parte da Codevasf. Como a Codevasf não tinha recursos suficientes para bancar pelo governo federal os estudos do projeto executivo e básico, nós investimentos à época no projeto mais importante e transformador da realidade do São Francisco. Para mim é um projeto redentor e que tem tudo a ver com o futuro da região.

Carlos Britto – O senhor acredita na Ferrovia Transnordestina e nas obras do PAC como um todo?

Mendonça Filho – No ritmo do atual governo não acredito, infelizmente, porque eu participei do lançamento da pedra fundamental das obras da Transnordestina na cidade de Missão Velha (CE). Eu era governador do Estado e fui ao sertão do Ceará acompanhando os governadores do Nordeste e com a presença do presidente Lula. Na época foi lançada como uma das prioridades do PAC e hoje anda a passos extremamente lentos. E dentro do pedaço pernambucano, a gente não vê execução. Muito pelo contrário. Vê apenas oba-oba dentro daquilo que acabei de mencionar. Dentro do ponto de vista prático, não é uma obra que estará concluída nessa atual gestão (de Lula), mas somente a partir de 2011 com um novo governo, que esperamos seja o de José Serra.

Carlos Britto – e a Transposição?

Mendonça Filho – é a mesma coisa. Quem tem experiência com obra pública como eu tenho modéstia á parte, pode chegar facilmente à conclusão de que esta obra está longe de ser concluída e que o atual governo não vai levá-la muito adiante. Ou seja, será mais uma obra que estará a caminha de ser executada pela gestão que suceder o presidente Lula, que espero como já disse que seja José Serra.

Carlos Britto – o senhor disse que quer fazer dez deputados estaduais e sete federais. Acredita neste objetivo?

Mendonça Filho – Acredito sim. Pela tradição do nosso partido, os Democratas, e a avaliação do papel histórico que o antigo PFL cumpriu, é perfeitamente possível. Nós temos hoje a maior bancada de deputados estaduais na assembléia Legislativa. São sete deputados estaduais. Dos sete, pelo menos seis são candidatos à reeleição. A eleição de mais três ou quatro deputados estaduais é perfeitamente possível numa coligação ampla envolvendo os outros partidos da base oposicionista a exemplo do PMDB e PSDB, principalmente. No que se refere à Câmara Federal, nós temos candidatos representativos, novos nomes lançados, como é o caso do ex-prefeito Guilherme Coelho, que estará ocupando o espaço deixado pelo deputado Osvaldo Coelho, que foi extremamente atuante e que é um grande transformador da realidade econômica e social da região a partir principalmente dos projetos de irrigação e dos pólos educacionais aqui instalados.

Carlos Britto – o senhor acha que o DEM perdeu a força, esse é um trabalho de resgate, ou partido conterá forte?

Mendonça Filho – o processo político se modifica. Muitas vezes você está no poder, e outras vezes você é oposição. Tivemos mais força dentro do ponto de vista político-eleitoral do que temos hoje. Mas isso não quer dizer que você não possa se fortalecer e renascer politicamente mais fortes. E é o que nós estamos construindo. Agora, eu só acredito que é possível você construir um processo como esse se porventura sair dos gabinetes, ir para as ruas, ter contato direto com o povo, discutir os problemas da população e estabelecer prioridades básicas que interessem à população no seu dia a dia: educação, saúde, segurança pública, infra-estrutura, geração de oportunidades de trabalho. Fazemos isso hoje em Pernambuco através de projetos como o Democratas nas Ruas, que é a busca da discussão com a sociedade, ampliando o leque de filiados e simpatizantes dos Democratas, ao mesmo tempo identificando nomes que possam figurar como candidatos a deputado federal e estadual. Aí a gente vai colher os frutos desse trabalho na eleição de 2010.

Carlos Britto – Não é contraditório o senhor defender a força do seu partido e, como presidente do DEM, mais uma vez apontar o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, o senador Sérgio Guerra, do PSDB, para disputar o Governo, quando o senhor poderia ser esse nome pelo respaldo que o senhor tem no estado?

Mendonça Filho – Não, não é uma coisa que você possa restringir ao raciocínio partidário. A gente tem de racionar do ponto de vista da frente política, de amplitude da base oposicionista. Eu não tenho nenhuma dificuldade de discutir nesses termos porque eu já fui candidato a governador com respaldo de uma aliança ampla. Já apoiei um candidato a governador com respaldo de uma aliança ampla e, inclusive, fui apoiado e eleito duas vezes vice-governador de Pernambuco nesse contexto. Também já disputei eleição sozinho com o meu partido no Recife. Então, já vivi todos os quadros possíveis nesse contexto. A eleição de governo estadual requer a base ampliada para que você possa ter sustentação e viabilidade no processo final dessa eleição. Temos como prioridade a reeleição do senador Marco Maciel, e temos abertura para discutirmos as opções que os três principais partidos oposicionistas têm para disputar o Governo do Estado.

Carlos Britto – E quanto ao deputado Ciro Coelho? É notória a insatisfação dele com o partido e também o incômodo dele com a gestão do prefeito Júlio Lóssio, que não é do seu partido. Como o senhor avalia o deputado nesse processo?

Mendonça Filho – Da relação dele com o prefeito Júlio Lóssio, fica difícil pra eu fazer uma avaliação mais precisa porque estou num ambiente político distante, no Recife, muito embora eu entenda que o prefeito é uma pessoa habilidosa e agregadora. Quando eu falei com Júlio e veio á tona o nome de Ciro sempre foi relatado o respeito pelo papel político que ele cumpre e a contribuição que ele ofereceu ao processo político eleitoral para eleger Júlio. Quanto ao aspecto mais relativo à relação de Ciro com o DEM, o partido sempre o respeitou e o teve entre os deputados mais destacados, sempre com voz ativa nas reuniões da executiva estadual. E foi numa dessas reuniões que deflagramos a iniciativa (Democratas nas Ruas), onde na ocasião estava presente não só Ciro, como o ex-deputado Osvaldo Coelho. Ele assinou, conforme consta em ata, e logo depois foi comunicado com antecedência da vinda do partido para Petrolina.

Carlos Britto – O senhor entende como ato de insubordinação ou infidelidade partidária o fato do deputado Ciro Coelho não marchar com Guilherme em Petrolina?

Mendonça Filho – De forma alguma. Acho que Ciro tem condições de avaliar qual o melhor caminho do ponto de vista político e estratégico para sua eleição. É importante que ele seja reeleito para o partido?

Carlos Britto – Ele terá respaldo do partido?

Mendonça Filho -Terá. É isso que eu posso dizer, independente da opção que ele faça como dobradinha aqui no município.

Mendonça Filho: “Ciro terá respaldo do partido mesmo que não acompanhe Guilherme”

  1. tabareo disse:

    Ciro zero
    Guilherma zero
    Os dois igual a nada
    Caiam fora vocês não estão com nada

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