“Me senti como se tivesse sido assaltado”, diz Domingos de Cristália sobre cassação do seu mandato

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Uma semana após decisão unânime do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) que lhe cassou o mandato por abuso de poder econômico e político, o vereador Domingos de Cristália (PSL) assegurou não ter cometido nenhuma irregularidade na campanha municipal de 2016. Pelo contrário: ele voltou a dizer que é vítima de uma “perseguição política” em Petrolina.

Em entrevista ao Programa Carlos Britto nesta quarta-feira (17), na Rural FM, Domingos disse que “se sentiu como tivesse sido assaltado”, já que não teria praticado nenhum crime para ser punido dessa forma. “Se todo crime que eu cometi levasse à cassação de mandato, não ficaria nenhum político nesse país. Eu queria que todo político cometesse o crime que cometi, que foi ajudar a minha comunidade”, desabafou.

Domingos lembrou que as denúncias contra ele constadas no processo de mais de 500 páginas referem-se a uma obra de pavimentação em Izacolândia, na zona rural da cidade (uma das bases eleitorais do vereador), que custou R$ 1,2 milhão, além de uma praça do Clube de Bairro, horas/máquinas em comunidades rurais e de ter conseguindo trazer para o Cartório Eleitoral de Petrolina, por meio de uma parceria com o deputado Lucas Ramos (PSB), 2,6mil eleitores para fazer a biometria. Segundo ele, nesse último caso, a justiça deu a devida autorização. Nas demais iniciativas, Domingos lembra que apenas pediu ao prefeito da época, seu aliado Julio Lossio (PSD), para que este levasse ações ao homem do sequeiro.

Domingos afirmou que a alegação final do TRE-PE, ao receber do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) as denúncias do líder comunitário Júlio César Monteiro, foi de que “alguém tapou um buraco numa rua de Izacolândia” e atribuíram o fato a ele. “Decisão judicial eu respeito e acredito muito na justiça. Mas acredito também que a justiça errou, e errou feio”, avaliou.

Verdade

O vereador cassado também garantiu que nunca usou seu mandato em troca de voto, ao contrário do que viu nas eleições municipais de 2012 com os adversários de Lossio, que disputava a reeleição naquela época. Um deles é o próprio Júlio César Monteiro, ligado ao grupo do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB). Segundo ele, Júlio César foi flagrado com uma sacola de dinheiro para comprar votos, chegando até a ser agredido pelo então deputado Adalberto Cavalcanti e por outro comunitário dono de um restaurante. Para Domingos, seu desafeto “ou é apaixonado por ele ou não se conforma com as derrotas que vem sofrendo” após sua chegada a Izacolândia, há dez anos.

Júlio César, por telefone, participou do programa, mas evitou polemizar com o vereador. Domingos também respondeu outro ouvinte, que questionou o fato de a decisão do TRE-PE pela sua cassação ter sido por sete votos a zero, alegando que a “verdade vai aparecer”.

4 COMENTÁRIOS

  1. Ele agora sabe como me senti quando fui ASSALTADO pelo bandido do Julio Lossio quando não me pagou pela obra da AME de Izacolândia. Nada melhor que um dia atrás do outro.

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