Mauriçola vai doar seus arquivos submetidos à ditadura ao Museu Regional

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O cantor e compositor Maurício Dias, o ‘Mauriçola’, vai abrir os seus arquivos dos anos de ditadura. Ele doará todo seu material, submetido à censura, ao Museu Regional de Juazeiro.

Para poder fazer um show ou qualquer apresentação artística nos “anos de chumbo” (entre 1964 e 85), os artistas tinham que ter sua obra submetida à censura prévia da polícia federal.

No seu primeiro show, no lendário Teatro Vila Velha em Salvador, no final dos anos 70, Mauriçola teve músicas suas censuradas pelo regime. “Cavalo de Zorro” e “Eu não acho nada” foram proibidas e a clássica “Erva-doce” só foi liberada com a supressão de parte da letra. “Eu não acho nada” dizia:

“Um milico me perguntou o que eu achava do regime/eu disse nem gordo nem magro, não acho nada/um amigo meu foi achar e nunca mais acharam ele/e a longa estrada está cheia de crime/me anime, me anime, não me recrimine, não me reprima, não me reprima, liberdade é minha dor, paz e amor é minha sina”.

O compositor vai lançar agora um box com CDs da sua obra em Salvador.(Fonte/Pressa Perfeição)

3 COMENTÁRIOS

  1. De carona na Democracia que eu diria ainda sob o engatinhar consequente das mais diversas interpretações distorcidas, faço lembrar à quem interessar, que à época da Ditadura Militar não somávamos tantas perdas de valores que dia a dia nos conduzem à perda de nossa própria identidade. Dizem muito das injustiças que mancharam aquele Regime; Entretanto, por não saberem precisamente de sí, ignoram (ou adaptam-se) a “ordem” e a outros abstratos deste País sem a necessária governabilidade!

  2. Antropólogos e historiadores atestam que nenhuma nação se adapta a um regime político em menos de 100 anos. Se se conferir, com tantas leis irresponsavelmente adormecidas nas páginas de nossa Constituição, enquanto morremos se não por falta de segurança por falta de saúde e outras negligências impunes o saldo da população brasileira não irá além de 70%. Faz- se necessário continuarmos a gritar pelas ruas deste País cobrando tantos direitos vergonhosa/ inescrupulosamente nos roubado, ou, se não amargamos o progresso que tanto ficou à desejar no período militar, não experimentaremos jamais a ORDEM imposta pelo mesmo Regime. Com meus respeitos pelas críticas do compositor juazeirense Mauriçola e de outros grandes nomes, parabenizo o Sr. Albuquerque pela nitidez do seu ponto de vista!

  3. O que dizer de um Brasil em que a Polícia – que seria autoridade para impor a ordem -, se rende a marginais e até a baderneiros? O que pensar de um País que a cada minuto a impunidade e a falta de compromisso social de seus governantes faz um óbito? Como ver um país abastecido de leis deitadas no berço esplêndido do desleixo e de tantos descasos? A verdadeira cara deste País só é mesmo mostrada quando seu povo (lamentavelmente) é obrigado a gritar nas ruas! . . .

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