Leitor faz desabafo pertinente sobre desabastecimento em Petrolina

por Carlos Britto // 27 de janeiro de 2026 às 18:31

Foto: WhatsApp/Blog do Carlos Britto

Indignado quanto ao desabastecimento de água em sua comunidade, o leitor Omar Babá Torres vai muito além do que apenas reivindicar o serviço – e com toda a razão. Ele também esmiuça um problema que veio aumentando no decorrer das décadas em Petrolina, mas quem deveria perceber isso tratou essa questão “com descaso”.

Confiram:

Ao Blog de Carlos Brito.

Me valho desse prestigiado canal de comunicação para fazer chegar mais longe e a quem de direito, um grito de revolta pelo desrespeito aos meus direitos de cidadão. Me refiro ao que estou sofrendo com desabastecimento de água. Resido na Rua dos Migrantes, CEP 56328-040, próximo ao River Shopping, área central da cidade e, nessa rua, soube que também nas adjacentes, estamos nos banhando com água recolhida em baldes há uma semana. Mesmo possuindo em casa um reservatório de 4 mil litros, estamos sem água nas torneiras. Isso dá uma dimensão do prolongado tempo que a água não chega com força suficiente para subir até o reservatório.

Por favor, não me venham com retóricas e transferências de responsabilidades. Estou cansado desse blá blá blá. Sou um cidadão que paga impostos, taxas e contas de prestadores de serviços, portanto, consciente de que tenho direitos e exijo respeito por eles.

Mesmo reconhecendo que a Compesa é a responsável maior pelo abastecimento de água, portanto, de quem mais devemos cobrar, também não esqueço que vivo em uma comunidade que tem gestores públicos e lideranças políticas (eleitos para nos representar e defender), Ministério Público, entidades representativas de segmentos sociais e veículos de comunicação (também concessões públicas) que devem zelar e clamar pelos direitos que constitucionalmente nos são assegurados. Portanto, todos temos responsabilidades, maiores ou menores, mas todos somos responsáveis pelas buscas de soluções dos problemas comunitários.

Não esqueçamos que sofremos hoje pela omissão e descaso dos nossos representantes no passado. Por décadas, a Compesa não investiu em Petrolina o suficiente na ampliação, na captação e na distribuição da água e nem em infraestrutura. Também não foi suficientemente cobrada e responsabilizada por isso.

As conveniências políticas de então exigiam que “não se visse” o problema que se acumulava e em algum tempo explodiria. A cidade cresceu, mas os investimentos em infraestrutura e fornecimento de água não andaram no mesmo compasso. Talvez, porque naqueles tempos o Centro não fosse afetado pelo desabastecimento. Os novos bairros que surgiam do “lado de lá” da cidade, a chamada periferia, estava distante e sofria invisível aos olhares de quem cá vivia. Os seus clamores não chegavam com força nos ouvidos de quem deveria ver, ouvir e por eles reivindicar.

No momento, resta um apelo a todos que aqui vivemos para que façamos o possível. Unamos as nossas forças e os nossos esforços para soluções definitivas e não deixemos de herança às futuras gerações os dissabores que herdamos do passado.

Omar Babá Torres/Leitor

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