Juiz Marcos Bacelar destaca trajetória à frente da Vara da Infância e Juventude de Petrolina

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Juiz Marcos Bacelar, titular da Vara da Infância e Juventude de Petrolina. (Foto: Blog do Carlos Britto)

O juiz da Vara da Infância e Juventude de Petrolina, Marcos Bacelar, foi o entrevistado do Carlos Britto Talk Show de ontem (21). Natural de Feira de Santana (BA), ele contou que vem de uma família humilde, mas todos batalharam e conseguiram alcançar seus objetivos. Bacelar está há 15 anos à frente Vara da Infância e Juventude de Petrolina, onde ganhou reconhecimento em todo o estado, inclusive com título de Cidadão Pernambucano.

O juiz falou sobre a infância e os estudos e disse que sonhava em ser jogador de futebol. Entretanto, seguiu a carreira do pai: “quando eu nasci, meu pai era estudante do Curso Normal e fazia locução. Logo depois, eu com 16 anos, meu pai já era advogado e estava fazendo concurso para juiz de direito“, contou. Ele tem quatro irmãos, todos profissionais da área do Direito.

Minha mãe é professora e daí vem o meu carinho especial à érea da Infância e Juventude, de trabalhar muito próximo às escolas públicas do nosso município, tentando fazer esse enfrentando à violência dentro do espaço geográfica da escola“, explicou Marcos Bacelar, que é torcedor fanático do Flamengo, casado e tem dois filhos.

Marcos Bacelar fazia parte da área criminal, mas depois de alguns anos o Tribunal de Justiça de Pernambuco lhe designou para a Vara da Família. “Essa Vara era conjuminada com a questão da Infância e Juventude. A partir daí, desenvolvi esse amor por conta de uma rede protetiva que passei a construir aqui em Petrolina. Essa rede protetiva formatou uma aparência muito interessante e a gente passou a ver resultados que eu não via na área criminal“, endossou.

Parceria

Para ele, não há resultados sem parceria. “Eu acredito que nós temos somado positivamente para a sociedade, e isso não é a Vara da Infância em si, mas principalmente pelos parceiros que nós temos aqui em Petrolina, a exemplo da Polícia Militar, dos gestores públicos, dos Conselhos Tutelares e conselhos de direitos e as professoras da rede pública. Esse sucesso – que ainda está muito longe de chegar ao ideal, mas que trilha pelo caminho da correção – eu quero creditar a esses parceiros“, enalteceu o juiz.

Marcos Bacelar ainda falou sobre o ‘Previne’, projeto de Prevenção de Violência nas Escolas que tem o objetivo de formar comitês e mediar os conflitos nas escolas da cidade. “A gente vislumbra, através dele, um enfrentamento diferenciado que não temos visto durante as nossas andanças pelo Brasil, que é a questão desse combate à violência social dentro do espaço geográfico da escola”, destacou o juiz, que está fazendo um mestrado na área de Educação e se disse “esperançoso com resultados satisfatórios a partir dessa união entre a Pedagogia, o Jurídico e a Psicologia“.

Desestruturação familiar

Por fim, ele falou sobre um dos assuntos mais delicados, que é a questão da desestruturação familiar. “A gente sente uma falta de estruturação familiar muito forte, mas esse fenômeno não é somente no Brasil. No caso específico da nossa área de atuação, o que a gente vê no dia a dia é, muitas vezes, a transferência de responsabilidade. A mãe ou o pai chega à Vara da Infância e Juventude querendo transferir a sua responsabilidade, o seu exercício do poder familiar para o Poder Judiciário, para o gestor público, para o Ministério Público, quando na verdade essa é uma questão inerente à própria família“, revelou.

“O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente pontua que a responsabilidade primeira é da família, depois da comunidade e da sociedade, para somente depois ser de responsabilidade do Poder Público“, destacou o juiz.

Transferência de responsabilidade

Marcos Bacelar falou a Vara da Infância não nega ajuda, mas o trabalho é sempre deixar a família ciente que o primeiro trabalho de educação deve ser da família. “Nosso trabalho é sempre deixar a família ciente de que podemos ajudar, mas o primeiro trabalho de educação é do pai e da mãe. Se eles não têm condições para poder assumir essa responsabilidade, eles devem ser auxiliados pelos órgãos assistenciais do nosso município, mas feito monitoramento para que eles possam evoluir e assumir, na íntegra, essa responsabilidade”, finalizou o juiz. O vídeo completo da entrevista com o juiz Marcos Bacelar pode ser conferido acessando aqui.

4 COMENTÁRIOS

  1. O trabalho desenvolvido pela equipe da Vara da Infância e Juventude de Petrolina, notadamente por Dr. Marcos, tem o reconhecimento de toda população de Petrolina/PE. Representa o modelo de Judiciário sonhado por muitos: acessível e comprometido com os anseios sociais.

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