A jornalista Beatriz Oliveira Reis, natural de Sento Sé (BA), relatou ter sido vítima de racismo após se mudar para Minas Gerais. Ex-apresentadora do Bahia Meio Dia e da TV São Francisco, ela atualmente é repórter da Globo Minas. O episódio aconteceu apenas um mês após sua chegada ao Estado e foi descrito por ela como “um soco no estômago”.
Em publicação nas redes sociais, Beatriz afirmou que nunca havia vivido uma situação semelhante na Bahia e chegou a pensar em mudar de endereço. “Há lugares onde a cor da pele chega antes da nossa história, da nossa formação, da humanidade”, escreveu.
A jornalista também refletiu sobre a violência enfrentada por mulheres negras de pele clara e revelou ter questionado se tinha o direito de reconhecer como violência aquilo que a feriu. A possibilidade de recuar e escolher outra região da cidade foi considerada, mas a lembrança da trajetória familiar mudou sua decisão. “Lembrei da minha mãe, que limpou tantos chãos para que eu pudesse chegar até aqui. Lembrei do meu pai, que tantas vezes empunhou enxadas para abrir caminhos que não estavam prontos para nós. Lembrei dos meus avós, que não puderam viver sonhos porque precisavam sobreviver”, relatou.
A reflexão sobre o passado familiar levou Beatriz a compreender que recuar significaria permitir que a violência sofrida atravessasse uma história construída por gerações. “Recuar não seria apenas mudar de endereço. Seria permitir que a violência de alguém atravessasse uma história que levou gerações para ser construída”, afirmou. No encerramento da publicação, a jornalista compartilhou a mensagem recebida de uma pessoa próxima, que a incentivou a não desistir. “Um anjo que a vida colocou no meu caminho me disse: ‘Não haverá recuo’. E o eco ressoa: não haverá!”, escreveu.


