Irpaa lamenta suspensão de investimentos coletivos pelo BNDES para famílias do Semiárido

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Foto: divulgação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suspendeu os investimentos financeiros em grupos, associações e cooperativas da agricultura familiar, assessoradas pelo Projeto Semiárido Produtivo. O montante – estimado em R$ 1.800.589,14 – deixará de ser investido em 17 unidades coletivas de produção no Semiárido, o que traria impacto positivo para aproximadamente 1.200 pessoas nos estados da Bahia, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Alagoas.

Em carta enviada ao Irpaa, o Banco afirma que a suspensão do apoio é resultado das novas diretrizes estratégicas do BNDES. O Banco está construindo novas prioridades de investimento, a exemplo da educação e da saúde. A carta foi socializada durante um encontro virtual, realizado na última semana de abril. O evento reuniu representantes dos grupos assessorados, do BNDES e da equipe do Irpaa.

A interrupção definitiva dos investimentos acontece no período em que o Brasil retornou para o mapa da fome e segundo o ‘Inquérito Nacional Sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil’, a fome está presente em 12% dos domicílios das populações rurais do país. O corte de investimentos nos empreendimentos que geram alimento e renda para agricultores familiares pode aumentar a situação de insegurança alimentar no campo.

Sonho adiado

Na Bahia, a suspensão do investimento coletivo adiou o sonho da Cooperativa Agropecuária Familiar de Massaroca e Região (Coofama), em ampliar o escoamento dos seus produtos. A comunidade de Canoa, no Distrito de Massaroca, em Juazeiro, conta com o Entreposto de Ovos da Caatinga. O grupo já comercializa para o mercado atacadista e varejista, mas ainda existem barreiras a serem transpostas, como conta Delma Lino, membro da cooperativa.

Hoje, nosso maior desafio é no escoamento da produção“, explica a jovem. O desafio poderia ser superado com a aquisição de um veículo, compra prevista pelo Projeto Semiárido Produtivo. “Criamos uma expectativa com esse investimento (…) é uma tristeza que tudo que se tinha planejado vai ficar pra depois“, compartilhou Delma.

O Semiárido Produtivo assessora diretamente 400 famílias, em 27 municípios nos estados da Bahia, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Alagoas, sendo executado pelo Irpaa com o apoio do BNDES. A execução está prevista entre 2017 e 2021. O projeto conta com parcerias locais e tem como objetivos incentivar os sistemas produtivos, melhorar a segurança alimentar, estimular a geração de renda e disseminar a proposta de convivência com o Semiárido a partir das ações de Assessoria Técnica e Extensão Rural (Ater) e estruturação individual e de grupos produtivos.

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