Impasse em área nas proximidades do Pontal leva agricultores a cobrar posicionamento dos vereadores de Petrolina

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Um impasse criado numa área de sequeiro localizada nas imediações do Projeto de Irrigação Pontal levou um grupo de agricultores familiares ligados ao Movimento dos Sem Terra (MST), no dia de ontem (26), a cobrar da Casa Plínio Amorim um posicionamento em favor da categoria. Mesmo esses agricultores não fazendo parte do Pontal, eles mantêm suas plantações com a sobra da água do projeto, que desponta para o Riacho do Pontal.

Ocorre que a 3ª Superintendência Regional (SR) da Codevasf, após acionar a justiça há cerca de 70 dias, ganhou o direito de suspender o fornecimento d’água para essa área. Pelo menos 50 comunidades, que agregam de 4 mil a 5 mil famílias, tiveram suas atividades agrícolas prejudicadas desde então.

Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Sintraf), Isália Damascena (foto), o recente período de chuvas em Petrolina amenizou um pouco o drama das famílias. Mas com o período chuvoso findando, as dificuldades retornaram.

As comunidades mais atingidas ficam nos distritos de Cumprida, Lajedo, Lagoa da Pedra, Welson Maciel, Amargosa, Rio Pontal, Lagoa dos Cavalos, Manga Nova e Federação. Os agricultores dizem estar perdendo a plantação e tendo de racionar água para produção e consumo.

Isália Damascena assegura que a área ocupada não é da Codevasf, já que os agricultores são nativos do sequeiro, ou seja, estavam lá antes do Pontal ser implantado. O órgão federal, por sua vez, os trata como “invasores” e quer a desocupação da área. Mas Isália justifica que as famílias receberam recentemente, de lideranças políticas da cidade, kits de irrigação para investirem em suas culturas. “Irrigação se irriga com água, não com vento ou terra“, dispara.

Durante o protesto na Câmara Municipal, após terem deixado a pauta de reivindicações também na prefeitura, Isália chegou a bater de frente com o presidente da Casa, vereador Osório Siqueira (PSB), que tinha reservado um espaço para ela na tribuna, mesmo sem o grupo solicitar com antecedência que iria à Casa ontem. Aborrecido com o tom de cobrança de Isália, Osório rebateu: “não adianta vir aqui com politicagem, tentando jogar a opinião pública contra os vereadores”. Osório justificou que, embora o Legislativo apoie as famílias, não tem a prerrogativa de intervir na questão por se tratar de uma área federal.

Isália, no entanto, afirmou que a pauta apresentada aos vereadores não diz respeito à questão da Codevasf, e rebateu Osório. “Não estamos aqui fazendo politicagem, mas lutando por uma categoria que elegeu muitos vereadores desta Casa. Então, temos todo o direito de cobrar posicionamento de cada um de vocês”, retrucou.

Negociação

Os agricultores ainda procuraram a sede da 3ª SR, mas encontraram os portões fechados. Segundo informou a assessoria do Sintraf, após uma negociação dez representantes de comunidades conseguiram um encontro com o superintendente da companhia, Aurivalter Cordeiro, que pediu um prazo de 20 dias para religar o abastecimento d’água. “Ele também abriu a possibilidade para uma discussão sobre a perenização dos riachos e a permanência dos usuários das áreas Lindeiras (às margens do Pontal)”, contou Isália.

Nota

Antes disso, a 3ª SR havia enviado ao Blog a seguinte nota sobre o impasse: “A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba-Codevasf, Superintendência Regional de Petrolina, esclarece que todas as ações tomadas com relação às invasões do Projeto Pontal são, unicamente, em cumprimento a decisões judiciais. É importante destacar que a Companhia não pode questionar uma ordem judicial, mas, apenas cumpri-la. Por fim, a Codevasf informa que o local para onde serão encaminhados os invasores foi definido pelo Incra, órgão federal responsável pela Reforma Agrária”.

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