IBGE aponta impacto da guerra nos preços no Brasil

por Carlos Britto // 14 de abril de 2026 às 16:00

Foto: Reprodução

A inflação oficial do Brasil subiu 0,88% em março, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Parte desse aumento já reflete impactos das tensões no Oriente Médio, especialmente sobre os combustíveis. De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, as incertezas no cenário internacional, envolvendo Estados Unidos e Israel, já começam a impactar os preços. “Em alguns subitens apurados, sobretudo nos combustíveis, já há efeito das incertezas no cenário internacional”, afirmou.

Em março, a gasolina subiu 4,59%, sendo a principal responsável pela alta da inflação, com impacto de 0,23 ponto percentual. O diesel teve aumento ainda mais expressivo, de 13,90%, enquanto o etanol subiu 0,93%. Apenas o gás veicular apresentou queda, de 0,98%. No geral, os combustíveis ficaram 4,47% mais caros no período.

Segundo o pesquisador, os reajustes estão ligados ao cenário global e também às decisões internas. Ele lembra que houve aumento nas refinarias da Petrobras, em meio à alta do petróleo no mercado internacional e às tensões em regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz. O impacto dos combustíveis foi determinante no índice. “Sem a gasolina, o IPCA de março teria sido de 0,68%. Sem os combustíveis, o IPCA de março teria sido de 0,64%”, explicou Gonçalves.

Alimentos

Além dos combustíveis, os alimentos também pressionaram a inflação. Os itens para consumo em casa subiram 1,94% em março, maior alta desde abril de 2022. O avanço está relacionado tanto à redução na oferta de alguns produtos quanto ao aumento no custo do frete. Os grupos de transportes, alimentação e bebidas responderam juntos por 76% do índice do mês. Para os próximos meses, o cenário ainda é incerto. Segundo o gerente do IBGE, novos impactos podem ocorrer caso haja redução na oferta. “Se tiver menor oferta de combustível internamente, é possível que tenha preço maior”, alertou. A inflação de abril também deve incorporar reajustes em energia elétrica, água, medicamentos e cigarros, que podem continuar pressionando o custo de vida da população. (Fonte: Diário de Pernambuco)

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