Gestor da Armup afirma que produção de água tratada em Petrolina daria para abastecer cidade por 35 anos e que prefeitura fez mais em rede coletora do que Compesa

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O diretor-presidente da Agência Reguladora Municipal de Petrolina (Armup), Rubem Franca, engrossou o repertório de críticas feitas pela população à Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Ao rebater as recentes declarações do gestor regional da empresa, João Raphael de Queiroz, a uma emissora de rádio, Franca apresentou números preocupantes sobre a constante falta d’água na cidade.

Em entrevista ao Programa Carlos Britto, na Rural FM, nesta sexta-feira (5), o gestor da Armup revelou que Petrolina produz atualmente 1.100 litros de água por segundo, através das três estações de tratamento existentes. Isso, segundo Franca, seria suficiente para abastecer a cidade pelos próximos 35 anos. “Não sou eu quem está dizendo. É o Plano Municipal de Saneamento Básico, que foi feito pela prefeitura e aprovado este ano”, declarou.

Por conta desses números, Franca considera “alarmante” a falta d’água em quase todas as comunidades de Petrolina, praticamente toda semana. O presidente da Armup foi mais além ao afirmar que o problema deve-se à falta de investimentos e à má gestão da Compesa em relação à rede de abastecimento da cidade.

Franca destacou ainda que a Companhia insiste em manter a tubulação de amianto (material já banido por lei, por causar danos à saúde humana), contrariando inclusive o termo aditivo ao contrato de concessão do plano de metas de 2007, firmado com a prefeitura, na gestão Odacy Amorim – o qual determinava a troca de toda a rede de tubulação de amianto da cidade. “Até hoje nada foi feito. O que ela (Compesa) tem feito são reparos. Estoura aqui, estoura ali, ela troca pela mesma rede de cimento amianto já banida da legislação brasileira. Isso é proibido, e ela insiste em não colocar redes em PVC e redes novas”, ponderou.

Nova empresa

Franca também adiantou sobre o processo de licitação da prefeitura com vistas à contratação de uma nova empresa para gerir o sistema de água e esgoto da cidade. Ele revelou que poderão participar do certame empresas nacionais ou internacionais, individualmente ou em consórcio. A vencedora garantiu o gestor, vai administrar exclusivamente o serviço em Petrolina – ao contrário da Compesa, que utiliza recursos arrecadados na cidade para cobrir outras consideradas deficitárias (o chamado ‘subsídio cruzado’). “Os recursos arrecadados aqui, serão aplicados aqui”, afirmou.

Apesar de se um órgão regulador, a Armup não consegue ter acesso a informações sobre investimentos da Compesa em Petrolina. Segundo Franca, somente em 2018 a empresa teve um faturamento líquido de R$ 105 milhões. Desse montante, a agência não tem conhecimento do que foi investido na cidade. “É uma caixa preta. Ela não nos informa. Só soubemos desse faturamento líquido porque solicitamos por meio judicial”, argumentou.

O presidente da Armup fez questão de elogiar a conduta do gestor da Compesa, o qual sempre se mostrou solícito em manter o diálogo com representantes da prefeitura, mas disse não aceitar que a Companhia tente passar aos petrolinenses que “fez tudo em relação ao serviço, e a prefeitura nada”. Franca citou, por exemplo, que dos cerca de 1.000 quilômetros de rede coletora implantada na cidade, em 45 anos de atuação da Compesa em Petrolina, 77% foram executados pela prefeitura, e apenas 3% pela empresa.

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