Geddel desafia PT a aglutinar forças

por Carlos Britto // 24 de dezembro de 2008 às 09:10

Biaggio Talento e Regina Bochicchio | A TARDE


O ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, principal liderança peemedebista na Bahia, disse nesta segunda-feira, 22, que o processo de eleição da presidência do Legislativo estadual é uma excelente oportunidade para a articulação do governo mostrar capacidade de aglutinar forças em torno do governador Jaques Wagner. Ele explicou, também, os motivos pelos quais o PMDB não vota com Marcelo Nilo (PSDB) para a presidência da Assembléia Legislativa (AL), entre eles, o de que Nilo – que é o candidato do PT na Casa – não subiu no palanque de Jaques Wagner durante a campanha de 2006.

“Estamos [o PMDB] oferecendo apoio a um nome que o PT apresentar como candidato à presidência ou um nome do PMDB que possa promover o consenso na Casa”, declarou o ministro. Geddel aproveitou para explicar as razões de não apoiar a reeleição do atual presidente. “O PMDB não tem nada contra ele, mas queremos um nome com certas características”, disse passando a descrever os tais atributos: “Que faça parte da base do presidente Lula e do governador Wagner; que tenha apoiado clara e explicitamente Wagner em 2006; e possa dizer que estará com o candidato de Lula [à presidência] em 2010”. Indagado se Nilo não preencheria ao menos o item de que “tenha apoiado clara e explicitamente Wagner em 2006”, Geddel desafiou a alguém revelar em qual palanque do candidato Wagner o tucano subiu dois anos atrás.

Caso o oferecimento de apoio ao candidato petista não seja considerado “suficiente” pela articulação do governo, Geddel disse que o PMDB vai se sentir “desobrigado” de qualquer acordo “e livre para fazer a articulação que achar mais conveniente” na eleição de presidente do Legislativo e, naturalmente, isso inclui aliança com o DEM.

INFIDELIDADE – O presidente da AL, Marcelo Nilo, admitiu que, de fato, não subiu no palanque de Wagner durante a campanha, mas explicou: “Não subi no palanque mas isso é fruto da fidelidade partidária. O PSDB não estava formalmente na aliança de Wagner. Eu não subi no palanque mas todos os municípios em que estive pedi votos a Wagner. Se eu subisse alguém poderia impugnar minha candidatura”, falou.

Nilo contou que em março de 2006 esteve na casa do então candidato Wagner acompanhado do deputado Arthur Maia – à época, no PSDB hoje no PMDB e, ironicamente, hoje seu único inimigo no Legislativo estadual – quando deu sua palavra de apoio. “A Bahia toda sabe que eu apoiei o candidato Jaques Wagner desde o início. Em março de 2006, estive na casa do então candidato Wagner com Arthur e nós garantimos apoio a Wagner”. E mandou recado ao ministro Geddel: “Eu tenho certeza absoluta que o ministro Geddel vai permitir aceitar que se faça um amplo consenso na Casa em torno daquele que tem as condições de vitória e esse candidato, no momento, inevitavelmente, sou eu”.

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