Familiares de jovem morto em hipermercado cobram justiça

por Karem Rodrigues // 23 de outubro de 2026 às 14:00

Foto: WhatsApp / divulgação

Familiares de Gabriel da Silva Suzano, de 23 anos, que morreu após sofrer uma descarga elétrica durante a chuva do último domingo (18), no estacionamento de motos do Novo Atacarejo (antigo Mix Mateus), em Petrolina, manifestaram indignação com as circunstâncias da morte.

Natural de Uauá (BA), Gabriel havia se mudado para Petrolina para estudar, trabalhar e construir um futuro melhor. Em uma carta aberta divulgada nesta quinta-feira (22), os parentes questionam as condições de segurança do estacionamento, que, segundo o relato, costuma acumular água em períodos de chuva, e criticam a falta de contato por parte do estabelecimento.

Os familiares também consideraram a nota divulgada pelo supermercado após o ocorrido distante e sem sensibilidade. Segundo o documento, nenhum representante da empresa entrou em contato para prestar esclarecimentos, e as atividades foram retomadas no dia seguinte à tragédia.

Leia a carta na íntegra:

Nós, familiares de Gabriel da Silva Suzano, manifestamos nossa profunda indignação diante das circunstâncias que provocaram sua morte, no estacionamento do supermercado Novo Atacarejo, em Petrolina, e da ausência de esclarecimentos por parte do estabelecimento sobre uma tragédia que destruiu os sonhos de toda uma família. Gabriel tinha apenas 23 anos e uma vida inteira pela frente. Deixou sua cidade natal, Uauá, na Bahia, para estudar, trabalhar e construir um futuro melhor em Petrolina.

Era um jovem cheio de sonhos, planos e objetivos. Tinha muito ainda para viver e conquistar. Nossa família havia adquirido uma casa nas proximidades do antigo Mix Mateus, que posteriormente passou a funcionar como Novo Atacarejo, justamente pela facilidade de deslocamento e acesso aos serviços da região, incluindo o próprio supermercado. O que imaginávamos ser uma comodidade para facilitar a rotina diária do nosso amado Gabriel acabou se tornando o cenário de uma tragédia que mudou nossas vidas para sempre. Jamais poderíamos imaginar que um lugar frequentado diariamente por tantas pessoas seria onde perderíamos alguém tão especial.

É revoltante pensar que Gabriel perdeu a vida em uma área onde deveria existir segurança para a circulação de pessoas. É de conhecimento de quem frequenta o local que o estacionamento acumula água sempre que chove. Manter fiação elétrica exposta em uma área sujeita a alagamentos é assumir um grave risco à vida das pessoas. O Novo Atacarejo enviou uma nota à imprensa que, para nossa família, foi fria, distante e sem qualquer sensibilidade. Uma manifestação simplesmente protocolar. Até o presente momento, nenhum representante do estabelecimento entrou em contato com nossa família. E dói ainda mais saber que, enquanto enfrentávamos um dos momentos mais difíceis de nossas vidas, o supermercado retomou suas atividades normalmente já no dia seguinte à tragédia, como se nada tivesse acontecido.

Nossa indignação vai muito além da postura do estabelecimento após a tragédia. O que mais nos revolta é que uma vida foi perdida em circunstâncias que precisam ser rigorosamente esclarecidas. Queremos respostas. Queremos justiça.

Gabriel não era apenas mais uma pessoa que passou por aquele estabelecimento. Era um filho, um amigo, um jovem amoroso, prestativo, trabalhador e cheio de planos e sonhos. Sua vida tinha um valor imensurável. Para nós, não existe palavra capaz de descrever o vazio que sua partida deixou. Não aceitaremos que a morte de Gabriel seja tratada como uma simples fatalidade, sem que todas as circunstâncias sejam devidamente investigadas. Exigimos celeridade e rigor nas investigações para que todos os fatos sejam esclarecidos, especialmente a existência de possíveis falhas de segurança no local.

Não vamos nos calar e não permitiremos que sua história caia no esquecimento. Iremos até o fim, por todos os meios legais, para que todas as responsabilidades sejam apuradas e aqueles que, por ação, omissão ou negligência, tenham contribuído para essa tragédia sejam identificados e responsabilizados na forma da lei. Nossa luta é por justiça. É para que nenhuma outra família precise passar pela dor que estamos enfrentando neste momento. É para que a vida humana seja respeitada e a segurança das pessoas jamais seja negligenciada.
A morte de Gabriel não pode ficar sem respostas. Não descansaremos enquanto a verdade não for esclarecida e a justiça não for feita.

Família de Gabriel da Silva Suzano
Petrolina (PE), 22 de outubro de 2026

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