Família de Juazeiro consegue na Justiça medicação para idosa com doença sanguínea, mas atraso na compra pelo Estado complica saúde da paciente

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Decisão judicial para a compra do medicamento pelo Estado da Bahia. (Foto: Duda Oliveira/Blog do Carlos Britto)

No último mês de janeiro, Ismailde Brandão Melo, uma moradora de Juazeiro (BA) de 69 anos de idade, foi diagnosticada com síndrome mielodisplásica – uma condição na qual há falência da medula óssea em produzir células que formam o sangue. De lá para cá, a família da idosa vem lutando para conseguir seu tratamento.

A doença foi descoberta em janeiro. Ela já vinha com anemia, tratando. Por último mandaram a gente procurar um hematologista. Aí foi feito exame de medula e o sangue dela não é produzido. Ela vinha fazendo transfusões na emergência do Hospital Regional”, explicou a filha de Dona Ismailde, Danuza Brandão.

Para evitar que a doença se transformasse em leucemia, o médico passou um remédio para ser aplicado com urgência na paciente. “Logo em seguida, em março, dei entrada na Defensoria Pública da União, em Petrolina. No dia 23, o juiz decidiu que a medicação deveria ser encaminhada pelo Estado da Bahia para a aplicação no Hospital Regional”, relatou a filha da paciente.

Há quase três meses, conta Danuza, ela tenta conseguir o medicamento. A demora, segundo ela, complicou o estado de saúde da sua mãe, e o pior aconteceu: a doença já se tornou leucemia. O remédio serviria justamente para evitar que isso acontecesse. Dona Ismailde está internada no HRJ desde o dia 14 de maio.

O Estado só me diz que está em processo de compra da medicação. O remédio era para não virar uma leucemia, o que já se agravou. Ela está internada, teve que fazer quimioterapia. Na idade dela, a medicação seria melhor, para ela não correr risco de morte com a quimioterapia. Já não aguento mais esperar, porque ela está piorando. O Estado está sendo negligente”, afirma.

Danuza informou que a medicação deve ser comprada pela Secretaria de Saúde da Bahia, repassada para o Núcleo Regional de Saúde (antiga Dires), para depois ser encaminhada ao HRJ, onde a aplicação na paciente deve acontecer. Cada ampola do remédio custa quase R$ 2 mil. “Ela não tomou nenhuma. Quase três meses e o quadro se agravou por conta dessa negligência”, lamenta.

Resposta

Na tarde de hoje (6) a reportagem do Blog procurou o Núcleo Regional de Saúde, vinculado à Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), e foi informado que o medicamento da paciente ainda não chegou. Está programa para chegar amanhã (10) uma nova remessa de medicamentos, mas não foi informado se a medicação da paciente Ismailde Brandão estará no lote. A reportagem não conseguiu contato com a pessoa responsável pela Assistência Social do Estado, através de um número repassado por Danuza Brandão.

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