Apenas 30% das perfurações de poços artesianos realizadas pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), entre 2024 e 2025, viabilizaram efetivamente o fornecimento de água. Isso representa 91 poços das 297 perfurações, das quais 128 foram classificadas como poços secos (43%). Outros 75 aguardam instalação. Os dados fazem parte de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) sobre os serviços que buscam ampliar o acesso à água, principalmente nas comunidades rurais.
O estudo foi elaborado pelo Departamento de Controle Externo da Economia e da Saúde do TCE-PE, por meio de sua Gerência de Fiscalização do Trabalho e da Agricultura. A análise reúne informações fornecidas pelo IPA, e resultados de fiscalizações presenciais realizadas pelas equipes do Tribunal.
“Além de perfurar o poço, é necessário verificar se ele produz água em quantidade suficiente e se ela é adequada para o consumo humano ou animal. O levantamento classifica como ‘poço seco’ aquele que não atende aos requisitos de vazão mínima, isto é, a quantidade de água que consegue fornecer, ou de qualidade da água para consumo”, afirmou Jorge Santana, gerente de Fiscalização do Trabalho e da Agricultura do TCE-PE.
O estudo disponibilizado pelo TCE-PE permite consultar a quantidade de poços classificados como secos em cada mesorregião e município. Um número elevado de perfurações sem sucesso pode indicar falhas de planejamento, falta de estudos prévios sobre as condições do solo e a presença de água subterrânea, ou escolha inadequada dos locais de perfuração.
O painel também mostra a quantidade de poços produtivos que ainda não foram instalados. A demora nessa etapa pode indicar falhas no planejamento e na execução dos serviços, além de aumentar o risco de danos e contaminação. Mesmo quando há investimento de recursos públicos, o benefício para a população só ocorre quando o poço está instalado, em funcionamento e atendendo à comunidade.
As consultas podem ser feitas por região, município, empresa contratada, ano de execução, comunidade e situação de instalação, com base na localização geográfica de cada poço, recurso conhecido como georreferenciamento.
Auditoria
A equipe do TCE-PE realizou fiscalizações presenciais em 92 poços perfurados pelo IPA. Desse total, 62 estavam instalados e apresentavam condições de fornecer água. Os outros 30 ainda não haviam sido instalados, e seis deles foram classificados como secos. A análise dos 92 poços fiscalizados mostrou que todos já haviam sido perfurados e submetidos ao teste de vazão, procedimento que indica a quantidade de água fornecida pelo poço. Desse total, 86 (93%) foram considerados produtivos. Entre eles, 62 (67% do total fiscalizado) estavam instalados e 24 (26%) ainda aguardavam a instalação.
O estudo também apresenta os valores contratados para os serviços, divididos em três blocos regionais, que somam R$ 45,1 milhões:
Bloco A — Agreste Meridional e Mata Sul: R$ 8.847.200,59;
Bloco B — Sertão Central, São Francisco, Itaparica e Araripe: R$ 17.622.038,69;
Bloco C — Sertão do Pajeú e Moxotó, Agreste Central e Setentrional e Mata Norte: R$18.644.588,34.
Importância
O estudo destaca que a perfuração adequada e a instalação dos poços são fundamentais para ampliar o acesso à água. A escassez hídrica afeta diretamente as condições de vida da população, bem como a economia local. Em muitas comunidades rurais, a água é essencial não apenas para o consumo e a subsistência das famílias, mas também para a agricultura e a criação de animais.
Os poços em funcionamento podem fortalecer a agricultura familiar, reduzir a dependência de carros-pipa e ajudar as comunidades a enfrentar os períodos de estiagem. O acesso à água também favorece a permanência das famílias no campo e contribui para reduzir os impactos econômicos e sociais provocados pela seca.
O painel tem como objetivo mapear os serviços de perfuração e instalação de poços realizados pelo IPA em contratos ainda em execução. A ferramenta permite que os controles externo e interno, a sociedade civil organizada, as comunidades rurais e qualquer cidadão avaliem a qualidade do gasto público nessa área, no contexto da política pública de ampliação do acesso à água.
O TCE-PE continua acompanhando a evolução dos gastos e atualizando os resultados do levantamento, para permitir o monitoramento dos serviços e contribuir para que os recursos públicos destinados à ampliação do acesso à água beneficiem efetivamente a população.


