Esgoto volta para residências no Antônio Cassimiro e vira ‘terror’ de moradores

por Antonio Carlos Miranda // 18 de junho de 2026 às 09:00

Foto: Blog do Carlos Britto

Viver com o fantasma dos esgotos  batendo à porta — ou melhor, voltando pelos ralos e vasos sanitários — virou a rotina de terror dos moradores da Rua Mar Negro, no Bairro Antonio Cassimiro (proximidades do nº 450). O problema, que afeta diversas residências da localidade, decorre de entupimentos crônicos na rede pública operada pela Compesa, transformando o cotidiano dos moradores em um cenário de insalubridade e prejuízos materiais.

A situação é desesperadora para quem reside nos pontos mais baixos da via. Sempre que a rede principal da rua obstrui, o esgoto que deveria ser escoado faz o caminho inverso: retorna com força total para dentro das casas, inundando banheiros, quintais e cozinhas com dejetos e mau cheiro.

Reféns do descaso

Não se trata de um caso isolado. Vários vizinhos relatam o mesmo drama, o que comprova que a falha não é nas instalações particulares, mas sim na incapacidade da rede pública de suportar a demanda ou receber a manutenção adequada. “Não podemos ver o tempo mudar ou a rede encher que o desespero começa. O esgoto volta pelo ralo, estraga móveis, infesta a casa com um odor insuportável e coloca a saúde da minha família em risco”, relata um dos moradores afetados na altura do nº 450.

Além do transtorno psicológico de ver a própria casa invadida por detritos, os moradores enfrentam um grave risco à saúde pública, já que o contato com a água contaminada pode transmitir doenças severas, como a leptospirose e a gastroenterite infecciosa.

Protocolos acumulados

Os moradores afirmam que as reclamações junto aos canais de atendimento da Compesa são frequentes. No entanto, quando as equipes técnicas comparecem ao local, realizam apenas intervenções paliativas e temporárias — os famosos “quebra-galhos” —, que resolvem o fluxo por alguns dias até que a tubulação volte a estourar ou entupir em vários pontos da rua.

A comunidade exige uma solução definitiva, que passe pela desobstrução profunda, redimensionamento da rede ou correção do fluxo da tubulação pública na Rua Mar Negro.

O que diz a lei?

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor e a Lei Nacional do Saneamento Básico (Lei nº 11.445/2007), o serviço de esgotamento sanitário deve ser prestado de forma contínua, eficiente e segura. A persistência desse problema abre margem para que os moradores busquem reparação jurídica por danos morais e materiais devido aos prejuízos causados pela negligência na manutenção da rede. A bronca é que a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) não opera nesse local, e a responsabilidade é da prefeitura.

O Blog está aberto para as autoridades competentes se manifestem e apresentem um cronograma concreto de obras para solucionar, de uma vez por todas, o pesadelo dos moradores da Rua Mar Negro.

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