Escola quilombola de Orocó conquista certificação mundial em educação

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A Escola Quilombola Municipal Águas do Velho Chico, localizada em Orocó (PE), no Sertão do São Francisco, receberá, no final de setembro, o selo do Programa Escolas Associadas (PEA) da Unesco. O certificado de Escola Associada será entregue durante o Encontro Nacional PEA-Unesco, que acontecerá em Foz do Iguaçu (PR). O estabelecimento de ensino será o único no Nordeste e Sudeste a representar as escolas associadas apresentando seus projetos, incluindo um experimental em Etnobotânica e de formação e capacitação em Direitos e Cidadania. Com o selo, a escola ganha o reconhecimento por prezar a cultura e a ciência.

É uma conferência extremamente importante, onde serão debatidas as bases e diretrizes dessa educação inovadora. A escola agrega cinco comunidades quilombolas de Orocó, e trabalha com um modelo inovador. É uma escola aberta, literalmente. Eles [os estudantes] desenvolveram um trabalho de etnobotânica e um trabalho de cidadania fortíssimos. O trabalho de etnobotânica deles não tem em outro lugar. Esse selo é importantíssimo para conseguir parcerias e na captação de recursos”, explica a coordenadora regional do PEA-Unesco em Pernambuco, Giovanna de Melo Pessoa, em entrevista a este Blog.

A princípio, foi realizando um levantamento etnobotânico de plantas medicinais utilizadas na cura de doenças nas comunidades de Orocó para a criação de um laboratório, de modo a evidenciar o saber medicinal dos povos tradicionais, bem como a interação com o meio que a cerca. O levantamento foi feito pelos próprios alunos, os quais consultaram os “mestres” (raizeiras, benzedeiras, parteiras e outros) das comunidades, como forma de conhecer melhor as ervas medicinais, que há muito tempo são utilizadas como remédios naturais.

Giovanna contou que tudo aconteceu devido a uma parceria entre o programa da Unesco e a Defensoria Pública de Pernambuco. “Buscamos parceria com a Defensoria por causa da formação em direitos. A Defensoria Pública da União está apoiando comunidades quilombolas em todo o Brasil, para assegurar o direito desses povos. A iniciativa foi do defensor público geral de Pernambuco, Manoel Jerônimo, que fez essa aproximação. A Defensoria Pública, através de Manoel Jerônimo, se confraterniza com a Defensoria Pública da União, que está levando essa luta adiante. E os Estados devem se mobilizar para apoiar essa luta”, ressalta a coordenadora.

As defensoras públicas Isabel Alice Macedo e Maria do Socorro Cavalcanti se mobilizaram pela causa. Juntamente com Giovanna, elas foram até a Escola Águas do Velho Chico no último sábado (12), e realizaram o projeto ‘Amiga da Comunidade’, referente à documentação e registro civil e orientação jurídica para mais de 200 pessoas. Dentro da ação foram oferecidos, entre outros serviços, emissão de registro civil de nascimento e casamento (2ª via) e registro tardio. Já dentro do programa ‘Aprender Cidadania’ foi realizada palestra em torno da garantia de direitos dessas comunidades e, especificamente, sobre um tema de extrema importância: a questão da titularidade das terras quilombolas.

Nosso papel é ficar mais perto daqueles que estão à margem da sociedade, fazendo um trabalho de inclusão. A gente mostra o que eles têm de direito, porque muitos deles nem documentação têm”, conta a defensora Isabel Alice. “Nós somos defensores públicos para atuar nas áreas mais carentes. A Defensoria apoia o PEA-Unesco, pois precisamos envolver, aprender, trocar informações e unir”, completa Maria do Socorro.

Internacionalização

Para o 23º Encontro Nacional do Programa das Escolas Associadas do Brasil, que acontecerá nos dias 27, 28 e 29 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR), as próprias alunas farão a apresentação do projeto escolhido, o de Etnobotânica. “O PEA-Unesco vai bancar todo o custo de duas alunas e uma gestora, as quais vão para mostrar as melhores práticas. Eu acredito que eles têm uma grande chance de chegar à Paris, na França, onde acontece uma reunião anual. Como a visibilidade dessa apresentação em Foz do Iguaçu vai ser enorme, eu acho que eles devem ser chamados para apresentar o projeto lá”, finaliza Giovanna.

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