De volta a Petrolina, Santana o Cantador vai homenagear professores ao lado de Targino Gondim e Elisson Castro

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Entrevistas com Santana, o Cantador, geralmente nunca são entrevistas. São muito mais que isso. Transformam-se em longos e deliciosos bate-papos, que deveriam ter apenas começo, nunca fim – e ser regados a uma boa pinga, cerveja gelada ou, no máximo, uma dose de vinho tinto (a única bebida de Santana, e por recomendação do seu médico).

De volta a Petrolina, o músico se apresentará neste sábado (15) – Dia do Professor – na Casa de shows Zé Matuto, no Loteamento Padre Cícero, às 22h, ao lado de Targino Gondim e de Ellisson Castro (Pega leve), com seu mais recente trabalho, ‘O Forró Nosso de Cada Dia’. O show, claro, não poderia ter outro homenageado.

“É muita responsabilidade, vou ter a honra de cantar pra eles. E fico feliz demais”, destaca Santana. Para Santana, o grande parceiro da cultura popular (da qual se considera um legítimo representante) é o educador. “No Japão, o professor é a única figura para a qual o imperador se curva. Só no Brasil o professor não é valorizado”, lamenta.

Ele também lembra que para qualquer profissão, há sempre um professor por trás para moldar esse profissional. No caso de Santana, além dos seus mestres de sala de aula, ele também contou com um aprendizado de um mestre da música: o eterno Rei do Baião Luiz Gonzaga.

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Influência

De gerente de banco, ainda na década de 80, Santana enveredou pelas trilhas do autêntico forró nordestino após ouvir insistentemente de artistas como Zito Torres e Zé Trindade que estava na profissão errada. Mas talvez tenha sido o próprio Gonzagão quem o convenceu definitivamente, uma vez que chegou a abrir shows, como sanfoneiro amador, para o Rei do Baião. “Ele era um gênio. Não há nada de novo na música nordestina. Ele fez tudo. Se você for ver o caráter enciclopédico da musica de Gonzaga, não é brincadeira, não. O tema que você quiser, você encontra na música dele”, analisa.

Ele lembra ainda, que Gonzagão fazia inclusão social sem nenhuma ajuda do poder público, e numa época que essa palavra passava longe da mídia. “Uma sanfona não é um instrumento barato, mas ele sempre dava uma sanfona de presente quando descobria alguém de talento. Ele distribuiu mais de 200 sanfonas por esse país Brasil afora”, conta.

Santana também revela o lado criativo de Gonzagão, ao citar o famoso jogo de fole idealizado por ele, que ninguém conhecia na época. A técnica exige muito esforço e é para poucos. “Quando alguém perguntava: ‘Seu Luiz, por que tocar com o fole fechado?’. Ele respondia: ‘meu filho, eu não tinha ‘sustância’ (sic) pra ficar abrindo e fechando’. Mas ele fazia o mais difícil. Ele foi o primeiro artista pop brasileiro, o primeiro a protestar politicamente. Foi um criador de ritmos, e criar ritmos não é fácil. Ele chegava sempre na frente”, afirma o Cantador.

Petrolina

Orgulhoso de suas raízes, Santana afirma que só há duas nações no país: a dos nordestinos e a dos gaúchos. “Nação é abstrato. Não é aquilo que você pode pegar não, é o que lhe pega”, filosofa. Nessa questão, ele ainda vai mais longe. Para o Cantador, nem todo nordestino é ‘nordestinado’ como ele. “Ser nordestinado é diferente de ser nordestino. Tem muito nordestino que não é nordestinado, até muda o sotaque quando está em outra região. Mas quando você é nordestinado, essa fica latente e você leva pra onde você vai”, pontua.

Embora tenha um público fiel em Petrolina, Santana não vem à cidade como seus fãs gostariam, no período mais típico – o dos festejos juninos. Provavelmente ele também queria estar todos os anos, se pudesse. Mas Perguntado se fica incomodado com isso, ele garante que não. “O bom é quando lhe chamam. Você não pode forçar o gestor a lhe contratar. Mas a voz do povo é a voz de Deus. Se o povo quer, então o gestor teria de contratar”, ressalta, lembrando já ter sofrido boicote em outras cidades.

O alto astral de Santana, no entanto, não o deixa se abater por questões menores como essas. “Costumo dizer que quando Deus me tira uma coisa muita boa, é porque tem uma muito melhor para mim”, finaliza.

Serviço:

– Encontro de Mestres com Santana o Cantador, Targino Gondim e Elisson Castro;

– Casa de Shows Zé Matuto, a partir das 22h;

– Ingressos: R$ 30,00 (individual); R$ 200,00 (mesa).

1 COMENTÁRIO

  1. José Francisco; Aos nossos mestres que . pela sua presença; marcaram nossas vidas. e em um simpre gesto ou até mesmo um olhar transmitiram -nos palavras .A vocês;o nosso eyeno obrigado parabéns Santana; por tão justa homennanes

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