Crime ainda sem solução: Como seria a vida de Beatriz Angélica 3 anos depois?

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Beatriz Angélica foi brutalmente assassinada aos sete anos de idade. (Foto: Reprodução/Facebook)

Beatriz Angélica Mota, de 7 anos de idade, era uma menina carinhosa, inteligente e muito alegre. Ela não tinha maldade, gostava de estudar e adorava ser fotografada. A família de Beatriz morava na zona rural de Juazeiro (BA), onde a garota viveu os momentos mais felizes de sua curta vida, que foi ceifada na noite do dia 10 de dezembro de 2015, durante uma solenidade de formatura do Colégio Nossa Senhora Maria Auxiliadora, no Centro de Petrolina, onde estudava. Seu pai, o professor Sandro Romilton, fazia parte do quadro de funcionários da unidade de ensino.

Interrompida de forma cruel, com 42 facadas, a vida de Beatriz Angélica será lembrada nesta quarta-feira (12), quando os familiares da menina vão realizar um protesto em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, no Recife, e seguirão até a frente do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo do Estado, também na capital pernambucana. A intenção é a mesma das outras manifestações já realizadas: pedir rigor nas investigações e a elucidação do crime. A família da menina também vai exigir a abertura do inquérito, que continua sob sigilo.

Três anos depois, sobram perguntas. Mas uma em especial – que não diz respeito ao trabalho investigativo – deixa uma lacuna que jamais será preenchida: como seria a vida de Beatriz 3 anos depois? Essa pergunta, infelizmente, nunca terá resposta. Lucinha Mota, mãe de Beatriz, continua acreditando que o alvo do brutal crime não era a sua filha.

Passado todo esse tempo, o que foi divulgado de concreto em relação ao Caso Beatriz é um vídeo, liberado em setembro de 2016, com imagens do homem suspeito de participar da morte da menina. Nas filmagens é possível ver o suspeito andando ao redor do colégio e entrando na quadra onde acontecia a festa, 20 minutos antes de Beatriz ser vista pela última vez. Seis meses depois, a Polícia Civil divulgou imagens detalhadas do suspeito do assassinato.  No entanto, até hoje, depois de quatro delegados passarem pelo caso, o responsável não foi preso, apesar da recompensa de R$ 10 mil oferecida para quem fornecer informações que levem à prisão do mesmo.

Investigações

A Secretaria de Defesa Social (SDS) falou sobre o sigilo das investigações, mas garante que a delegada Polyana Neri tem “estrutura necessária” para realizar seu trabalho. “A delegada Polyana Neri está exclusivamente na investigação do caso, com uma equipe de quatro policiais à disposição e estrutura necessária, além do apoio do Ministério Público e da Diretoria de Inteligência da PCPE”, diz nota enviada a este Blog.

A SDS também comentou sobre as pessoas já ouvidas pela Polícia Civil e sobre aparelhos apreendidos durante um mandado de busca e apreensão. “Durante o último ano foram escutadas 50 pessoas, que ainda não haviam sido ouvidas, e outras 30 testemunhas foram reinquiridas. Um pedido de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão foram solicitados à Justiça relativos a uma pessoa suspeita de ter atrapalhado o andamento das investigações. O pedido de prisão foi negado pela Justiça, porém o mandado de busca e apreensão foi cumprido. Aparelhos celulares, computadores, pen-drives e HDs foram recolhidos e perícias estão sendo realizadas pelo Ministério Público de Pernambuco. Parte do material também se encontra no Instituto de Criminalística sendo analisado”.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já está de posse das 4 mil páginas que formam o inquérito do caso. “O inquérito que hoje conta com 19 volumes e mais de 4 mil páginas está atualmente no MPPE e a família da vítima terá acesso a todo material. A polícia trabalha incansavelmente na apuração do caso que é de extrema complexidade para responder a família e a toda sociedade pernambucana, apontando o autor dessa morte que tanto chocou a todos. Por fim, a PCPE reafirma sua confiança na elucidação do caso”, finaliza a nota da SDS.

O Blog pediu um esclarecimento sobre o trabalho realizado pela ‘força-tarefa’ do MPPE, mas foi informado, por meio de nota, que, devido ao sigilo, não é possível repassar informações mais aprofundadas neste momento. “O grupo de trabalho do Ministério Público de Pernambuco segue atuando para elucidar a morte da menina Beatriz“, reforça.

Escola

No decorrer desses três anos, os pais de Beatriz denunciaram várias irregularidades que teriam sido cometidas pelo Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Entretanto, a direção sempre negou tudo e garantiu que a escola está ao longo dos 90 anos de história “preservando valores que são imutáveis”. Passados três anos, este Blog voltou a questionar a direção sobre como a escola tem ajudado a polícia nas investigações.

Em nota, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora disse que “atende prontamente todas as solicitações das autoridades, disponibilizando materiais, gravações e toda e qualquer informação que possa contribuir com os responsáveis pela investigação”. A direção também diz que vem “acompanhando e disponibilizando funcionários, professores e corpo diretivo para prestar depoimentos. A escola acionou o serviço de disque-denúncia logo após o crime e provocou diversos encontros com instâncias como Ministério Público, governo do estado e até mesmo a Prefeitura. A escola investiu – e continua investindo – todos seus esforços para contribuir com as autoridades”, frisa.

Perguntamos como o colégio enxerga o trabalho desenvolvido pela Polícia Civil, e a escola disse que “confia inteiramente no trabalho que está sendo executada e enseja que o crime seja elucidado com a maior brevidade possível”.

O caso

O corpo de Beatriz Angélica foi encontrado atrás de um armário, dentro de uma sala de material esportivo que estava desativada após um incêndio provocado por ex-alunos do Colégio Auxiliadora. Essa sala fica próximo à quadra de esportes onde acontecia a solenidade de formatura das turmas do terceiro ano da escola, em 10 de dezembro de 2015. A irmã da menina era uma das formandas.

A última imagem que a polícia tem de Beatriz foi registrada às 21h59 da noite do crime, quando ela se afasta da mãe e vai até o bebedouro do colégio, localizado na parte inferior da quadra. Minutos depois, o corpo da criança foi encontrado.

Disque-Denúncia

Quem tiver informações relevantes sobre o caso, pode acionar a Ouvidoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco – 181; WhatsApp – (87) 9 9911-8104; e Disque-Denúncia  (81) – 3421-9595/3719-4545. Além disso, há um grupo de trabalho do MPPE, também por meio do WhatsApp: (81) 98878-5733. O sigilo é absoluto.

6 COMENTÁRIOS

  1. Quando a Policia quer realmente elucidar,Ela descobre….Mas se trata de pessoas simples a coisa fica dificil…..Se isso estivesse sido no USA ja tinham achados os verdaeiros culpados….Em uma filmagem que tem o suspeita em uma ligacao no celular….ICom essa simples ligaçao telefonica a Policia Amereicana ja teria desvendado esse Crime….Nao existe crime perfeito…… Que justiça seja feito nesse caso…..Eu nao sou investigador mas sei que seria uma boa pista nessa ligaçao que o acusado o faz na area externa do Colegio…….Que justiça seja feita e a sociedade clama por isso urgente.

  2. 4 delegados mostra o despreparo de nossas polícias. Os números são aterradores, menos de 10% dos crimes tem solução no Brasil. Enquanto isso os governos investem apenas na repressão e no policiamento ostensivo, e adivinhem só, dinheiro jogado fora, pois a PM não consegue evitar nenhum roubo e nenhum homicídio. Já nos EUA e na Inglaterra, onde só existe 1 policia, que é civil e municipal, a taxa de solução de crimes é superior à 70%. Mas tem imbecil que acha que acabar com a PM é coisa de comunista….

  3. Com toda certeza. No caso da juíza Acioly, através da ligação de celulares, foram descobertos os assassinos. É possível se verificar todas as ligações naquele horário em Petrolina, basta uma autorização judicial, mas essa história tem muitos mistérios.

  4. Esse caso tem um misterio…Um caso travado…Ninguem desvenda esse Misterio porque?…Quando vc ver isso ai e porque tem gente grande envolvida….Mostra tua cara Policia e o Ministerio Publico. pra sociedade Petrolinense.

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