Concurso de literatura de cordel em Caruaru está com inscrições abertas

por Carlos Britto // 25 de fevereiro de 2009 às 17:00

Em Caruaru, no Agreste pernambucano, um concurso pretende estimular a criatividade e o talento de jovens estudantes. Com o tema “Nordeste, aqui é o meu lugar”, a Academia Caruaruense de Literatura de Cordel espera que o folheto permaneça presente no imaginário popular.

As inscrições para o concurso vão até o dia 2 de março e podem ser feitas no Museu do Cordel, que fica no Parque 18 de Maio, na Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, situada no Bairro Boa Vista I, ou ainda pelo site www.maiorcordeldomundo.com.br.

O concurso será nos dias 14 e 15 de março, na Praça do Artesão, no Alto do Moura.

Concurso de literatura de cordel em Caruaru está com inscrições abertas

  1. Paulo Roberio Rafael Marques disse:

    Quem valoriza a nossa legítima cultura faz assim. Não é a toa que Caruaru se destaca em tudo: Feira maior do mundo, São João maior do mundo, ícone no artesanato de barro (bonecos de Vitalino) e até Academia de Literatura de Cordel. Tudo isso é impossível para outros municípios? Não! é só privilegiarmos a cultura nordestina e deixarmos de importar cultura alheia.

  2. Harisson Juazeiro, cidade-dinamismo no Nordeste disse:

    São João maior do mundo???????? Campina Grande

  3. Harisson Juazeiro, cidade-dinamismo no Nordeste disse:

    Feira maior do mundo?????????? Sou mais Agraba

  4. Ismael Gaião - UNICORDEL disse:

    Gostaríamos que a Academia Caruaruense de Litaratura de Cordel publicasse em seu site, ou no Blog do Carlos Brito, dez primeiras poesias classificadas na categoria Adulto, pois todo público que gosta de Cordel está curioso para conhecer os dez melhores poetas e suas obras neste grande evento que a ACLC realizou.

  5. Idemar Marinho Barros disse:

    É isso aí, Carlos Britto, amigos conterrâneos, ainda bem que vcs aí em Caruaru estão vacinados contra essa epidemia, essa xenofobia que vem até nas escolas ensinando nossas crianças a desprezarem nossa histórtia, nossas raízes. Vejam o conteúdo, as normas dos ” festivais” de música que a máquina do próprio governo tem a petulância de patrocinar, investindo dinheiro e suor do povo brasileiro para sustentar esta corja de falsos agenciadores da cultura nacional. São pessoas conscientes do processo de degradação da cultura brasileira que irão, em breve, desfraldar a bandeira de luta contra o que eu chamo de ditadura cultural em nosso país. Parabéns!!! Contem comigo.

    “As elites aplaudiram quando viram Vitalino
    Fazer do barro do chão um espelho cristalino
    O notável Manuel Bandeira o exaltou
    E o cognominou “O Flautista de Papel”

    Seus colegas ceramistas o chamavam de Inventor
    Lélia Coelho escreveu Massanjana publicou
    Artes de um analfabeto nascido em Caruaru
    Considerado no Sul o artista mais completo

    Um simples trabalhador
    Moldando o barro do chão
    No Nordeste se tornou
    Um gênio da criação (Bis)

    Quem fosse à feira sábado veria num stand
    Os albores de um grande sonho ainda inacabdo
    Brotando no anonimato de um menino criativo
    Que trazia o distintio de Pai do Artesanato

    Enquanto os canhões na Europa faziam o jogo das trevas
    Com os soldados em tropa exterminando as levas
    O pracinha nordestino desfilava pelass ruas
    Nas belezas ingênuas do meu Mestre Vitalino”

    Marinho do Nordeste
    (músico e cordelista natural de União dos Palmares, radicado no Rio de Janeiro, Membro titular – cadeira 35 – Academia Brasileira de Literatura de Cordel)
    Contatos: marinhodonordeste@hotmail.com

  6. Clóvis Matias Alves disse:

    Vocês estão de parabens, por uma iniciativa tão bonita como essa, manter viva a tradição e cultura de um povo, incentivando as novas gerações a continuarem, levando adiante a cultura nordestina que encanta o Brasil e o mundo, como foi falado acima pelo grande poeta, cantor, compositor e cordelista de primeira Idemar Marinho, profundo conhecedor da obra do mestre Vitalino, nós precisamos aprender a valorizar mais o que é nosso, chega de festa das bruxas, nós não queremos os nossos filhos aprendendo nas escolas, sobre tradições exportadas da Europa e A mérica do Norte, nós somos 100% verde e amarelo e amamos o nordeste e o Brasil.

  7. Clóvis Matias Alves disse:

    No meu comentário acima, gostaria de fazer a seguinte correção:
    Onde se lê exportadas, leia-se importadas. Agradeço imensamente pela oportunidade.

  8. Marinhodo Nordeste disse:

    Carlos Brito, com meus agradecimentos por esse importante espaço aberto à nossa formosa Cultura, dedico a você e aos leitoress esta singela homenagem do Cordel ao Mestre Vitalino:

    A EPOPEIA DOS CORDEIS
    Cordel Cantado N° 1
    Marinho do Nordeste (Idemar Marinho)

    Quem nunca leu só não leu
    Porque não aprendeu
    E seu nome escreveu com o dedo polegar

    Quem nunca viu se não viu
    Porém nunca esqueceu
    A história de um povo que sempre sofreu

    E que gerou da frase do barro do chão
    A imagem do amor pra sua louvação

    João de Lima, meu caro Ivanildo
    Meu Cego Aderaldo sempre a pelejar
    Ai das lutas amargas pelejas
    Em versos de feira que fazem chorar

    Patativa do Assaré
    Zé Limeira mostrando Absurdo o que é
    Para mudar

    Quem nunca leu só não leu
    Porque não aprendeu
    E seu nome escreveu com o dedo polegar

    Quem nunca viu se não viu
    Porém nunca esqueceu
    A história de um povo que sempre sofreu

    Luis da Câmara Cascudo
    Provinciano incurável de inigualável visão
    Num vaticínio previu
    Em um cordel multicor as violas brasileiras
    Ultrapassando as fronteiras nos braços de um cantador

    Aureolado de azul ele regia e escutava o canto de uirapuru
    Ao leve sopro da brisa sob a relva purpurina
    Infenso à insolação e à seca do sertão
    Numa récita nordestina

    Nos dedos renascentistas de um singelo artesão
    A luz dos grandes artistas alumiou meu sertão
    Com Vitalino virtuoso em suas mãos modelando
    O barro e revelando seu mundo maravilhoso

    Desde os tempos de Zumbi o caboclo Marcolino
    Fez do barro um biscuí para agradar ao menino
    Porém só trezentos anos depois é que Vitalino
    Assim nasceu com o destino de conquistar os arcanos

    Gaudino seu seguidor
    Me contou que o paladino
    Tinha paixão pela massa
    Pelo feito nordestino
    E lá em Caruaru
    Sua infância foi
    Inventar bumba-meu-boi
    Boneco maracatu

    Das argilas penumbrosas do ipojuca vazante
    Suas mãos vertiginosas moldaram num só instante
    Um enredo fabuloso dando vida ao inanimado
    E ele é condecorado artífice venturoso

    Deste modo o nordestino com seus valores sagrados
    Em franca propagação desfilava nas vitrines
    Dos nobres e elevados como relíquia importante
    Ornamentando a estante dos mundos civilizados

    Quem nunca leu só não leu
    Pque não aprendeu
    E seu nome escreveu como o dedo polegar

    Quem nunca viu se não viu
    Porém nunca esqueceu
    A história de um povo que sempre sofreu
    Para mudar

    O destino de um povo latino
    Rio São Francisco um braço de mar
    Socorrendo todo o ocidente
    E um bravo repente a se rebelar

    Depois de desumanas torturas
    Suas previsões vêm-se eternizar

    Abram alas para o romanceiro
    Da alma do povo que eu quero passar
    Na presença de vossa excelência
    Eu peço licença vou-me retirar
    Para mudar

  9. Vanderson Melo Silva disse:

    Prezado Carlos Brito, grandes elogios para o seu trabalho aí no Nordeste e a pessoa que você é. O Brasil precisa muito de homens como você.
    E quem viu o concerto de Marinho do Nordeste no Teatro aqui no Rio de Janeiro, sabe que o talento e a cultura deste moço merecem o nosso reconhecimento. Meu abraço. Vanderson

  10. Idemar Marinho disse:

    Emissoras de rádio e televisão brasileiras, que se afirmam ter um compromisso definido dentro da soberania nacional, assimilam, importam e divulgam a cultura musical. No meio dessa grade aviltante para quem quer desfrutar da boa música, permite-se a introdução de alguns programas que, de ordinário, só podem tocar ícones da música nacional, com ênfase para aqueles que têm sua obra estribada nos umbrais da alma estrangeira. Nunca se procurou, até aqui, cobrar a carga horária das rádios e instituições oficiais sustentadas pelo suor do trabalhador. Quanto de produto nacional está veiculando? Pergunta que tende a ficar no ar durante, ainda, muito tempo, até que se dê a devida importância ao nosso povo. Não se trata de favor ou acordo de cavalheiros coagidos pela hegemonia da imprensa submissa, dependente e carente de um sistema engordado e mantido por ela
    própria.

    Numa época em que o mundo começa a redescobrir a linguagem brasileira, críticos e comunicadores respeitados pelo público, decerto porque, sutilmente, podem manipulá-lo como desejam, omitindo-lhe o que gostaria de ouvir, expressam a ignorância de afirmar que nossa música vai muito bem obrigado! Tudo continua sendo levado a público em tabletes de conteúdo e dimensões adrede, cuidadosamente, muito bem empacotados e amarrados, para que o ouvinte não questione, não pergunte e nem reclame de nada. Não incomode! E tem sempre um bom consumidor desses produtos porque, como se sabe o espectador brasileiro também é bonzinho!

    A extinção maquiavélica dos programas ao vivo, tanto no rádio quanto na TV; as longas e autênticas edições enfileirando artistas que se destacavam pelo talento e não pela cotação de suas bolsas de valores; a massiva repetição e endeusamento de nomes e mitos que fizeram e fazem a história da música internacional; a petulância de órgãos governamentais promovendo festivais que financiam a banda podre da música estrangeira; crianças aprendendo em casa e na escola a superestimar a música alienígena, alimentando descrédito ao autor brasileiro; a discriminante e mentirosa justificativa de que a partitura tomjobiniana é superior aos rapps, forrapps e funks fielmente sonorizados nos centros e periferias de toda a nação; a vergonhosa distorção das leis de incentivo à cultura; o desconhecimento científico de que não houve outra safra de artistas genuinamente brasileiros no decorrer dos últimos 50 anos, até numa roupa nova de modelagem psicofísica que pudessem fazer por merecer a mínima atenção dos especialistas; o monopólio dos espaços jornalísticos por aqueles que detêm o poder econômico, tudo isso nos dá uma pálida idéia de como anda o Brasil na preservação de sua identidade cultural.

    Uma orquestra de câmera não é melhor nem pior que o improvisado ré bemol de João do Pife. Não é a melodia ou a tessitura de uma obra que vai determinar o seu valor real. É o que a obra estará trazendo em termos de construção humana, questionando seus atavismos perniciosos e receios de expansão e compreensão do complexo universo em que vivemos, prisma de relevante teor, reputado de secundária e, mais, nula importância.

    Chega-se a afirmar, com certa razão, que não existem mais músicos e compositores brasileiros. Mas nós estamos aqui trabalhando em nossos cortiços. Quem conhece o interior sabe que é só aparente o caráter subliminar das abelhas. Quando se olha para as caatingas ou para um cortiço na mata atlântica, não se tem a menor noção de quantas abelhas ali se criam e se movimentam, nem qual o volume de mel dentro de cada oco de pau. Enxerga-se tão-somente a paisagem ou, quando muito, uma oropa aqui e outra ali. E quando se extrai o mel, o inseto é obrigado a abandonar o local. Quem ainda não conhece a ciência das abelhas, imagina que elas nunca mais retornarão ao cortiço, ou que. para onde migraram. não mais fabricarão o doce mel, por desalojadas que parecem estar. Acredita-se que, dispersas, as abelhas vão vagar para sempre sem rumo. Mas isto não ocorre. As abelhas permanecerão vivas e prósperas. Juntam-se, de novo, umas às outras e recomeçam a tarefa ainda com mais vigor. No próximo inverno haverá mel de correição!Parecem compreender a lei de solidariedade! Mas o que ocorre com as abelhas não se verifica com os artistas. Divididos em classes e castas, cada um ostentando seu supremacismo tolo, evitam-se. Não se tocam. Estão todos ali no mesmo avião. Porém mal se percebem. A menos que… Desconhecem-se. E mesmo assim, há milênios, ufanam-se da desarmonia! Do ódio, do medo e da violência… Tudo fazem, mas em proveito próprio. Estão encarcerados em cápsulas como se fossem objetos dentro de uma sacola de aço. Assim somos nós. Mais de 20 milhões. Músicos. Roteiristas. Diretores. Brasileiros. De renome. Corda e focinheira – ainda – dos norte-américo-japoneses-holandeses… Ó, Pátrias amadas idolatradas! Brasil. Cantarolando, assando e comendo e pensando exatamente como eles querem. Como os grandes ditadores da música assim o desejam.

    Por que será que nossas emissoras continuam priorizando a péssima música estrangeira? Vergonha num país como o Brasil, nossas artes, nossas raízes arrancadas e jogadas ao esgoto, local onde deveriam estar toda a mentira que nos contam e cantam esses perigosos traficantes da cultura. O grande equívoco do difusor musical é impor ao artista nato a condição de patrocinador. Ora, aqueles que vivemos a música somos humildes trabalhadores braçais que mal sustentam a família. Seus filhos não frequentam escolas caras, nunca chegarão a uma faculdade. Andam a pé e de estômagos vazios. Não sabem se expressar como os executivos. Não têm a sutileza nem a diplomacia dos empresários. Nunca serão vistos em eventos sociais e recepções de celebridades.

    Como será a qualidade, o exterior de seus discos? Será, naturalmente, precário. Toda essa massa está irremediavelmente fora do contexto musical. Sem levar em conta estas limitações tão claras, o comunicador inconsequente exige desses artistas um absurdo e volumoso quite de produtos musicais como garantia de atenção. A primeira condição é que essas músicas não sejam produzidas em casa com os meios ao alcance, ainda que digitalizados por profissional competente. E notificam: para gáudio do ouvinte, essa classe de artistas desapareceu para sempre!

    Mantém-se, assim, uma política de exclusão falsamente defendida pela questão da qualidade. Cria-se uma contracultura igualmente nociva, perniciosa. Insurgem-se, aqui e ali, apadrinhados pelos contraventores da mídia, belicosos e perigosos capatazes da música. Com raríssimas exceções são os ex-carpinteiros, ex-boiadeiros, ex-brasileiros que, por abuso de poder econômico, inconscientemente, passam a humilhar seus mesmos pares e manipular o mercado. Nada contra os heróicos filhos de Francisco que são, como outros poucos, resposta concreta do que somos capazes.

    O compromisso do rádio brasileiro hoje, como tão bem exemplifica a Rádio Grande Rio de Petrolina, devia ser o de desmantelar e não paramentar os cartéis musicais que afrontam e utilizam o próprio poder constituído para aviltar a memória brasileira. Os romanos, quando, em praça pública, viram os gregos manifestando as artes cênicas, questionando a política e a aristocracia, cuidaram logo de transformá-los em propagandistas do império. Assim, somos os Caetanos, os Ramalhos, os Amados, muitos, entretanto, padecendo sono e menosprezo à porta das grandes empresas de comunicação. Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, para citar apenas estes dois nomes grandiosos, por um bom período, foram induzidos a fazer uso constante de indumentárias e expressões da cultura americana para sobreviver como artistas brasileiros. Reza a cartilha da crítica imparcial que somente muito depois combateram o processo de degradação da nossa música. À época, instintivamente, os meninos do Brasil adotávamos determinadas formas de comportamento do povo americano porque nossos pais, nossos professores, nossos meios de comunicação já eram orientados ou forçados a isso. Não apenas porque éramos um país essencialmente simples. Fosse à praia ou no sertão, sentíamo-nos bem no fulgor do trópico usando as roupas grossas porque, na expressão nordestina, as famosas camisas de banlon eram lindas e confortáveis.

    Ainda hoje sentimo-nos muito confortáveis vestindo a calças jeans, os sapatos italianos! Até dizemos que eles são marcas nacionais! Nunca procuramos saber sua origem nem os critérios pelos quais chegaram ao nosso vestuário. Dizem que não é esta ingênua passividade que vai determinar o grau de aculturação das massas. Mas sabemos que isso acontece de maneira organizada, por ideologia orquestrada, com métodos políticos e econômicos que atingem seus objetivos de cima para baixo. A sertaneja que dá ao filho o sugestivo nome de Wesley o faz com um profundo sentimento de americanismo, sim. O modo é que é subjetivo, espontâneo. Não se trata, entretanto, de gesto antinacionalista porque não houve a intenção.

    Incentivaram-nos a tirar um presidente da República porque diziam que ele estava acabando com o país. Entraram no palácio dizendo que iriam moralizar a cultura e as artes. Onde a ética? Agora não conseguimos mais tirar nem um secretário de prefeito que zomba da nossa inteligência. Este sistema cultural que avilta o sentimento brasileiro precisa ser mais discutido em público. Lembramos aqui a divinização de Licurgo, o magnânimo legislador grego. Tudo que de Licurgo viesse era bom, inclusive as leis que sancionavam o genocídio e as guerras espartanas. Ai de quem as contradissesse. Licurgo era um grande legislador! Mas ninguém lembra, sequer de soslaio, que Esparta passou para a história como o berço do crime e da crueldade, consequências que vão influenciar o mundo moderno.Todo déspota necessita de portões e muralhas por dois motivos principais. Primeiro para que seus cúmplices não o deixem a sós e segundo para que a plebe não o incomode.

    O músico, o artista de menor poder aquisitivo é discriminado e rejeitado como se fosse marginal malfeitor. Quem não sonha não realiza o impossível. Mas nem como fabricador de sonhos é visto este cidadão brasileiro. Façam algo! Não nos peçam projetos. Somos páginas vivas.
    Marinho do Nordeste

  11. matheus souza disse:

    “o jente vamos no sentiva para nao desmata sir ajente vai sir ferar mais nao sir preucupe que a desmatao so faz parte do nosso meiao kkkkkkkkkkk
    sem graça

  12. A vorta de lampião
    Autor poeta
    Raimundo Nonato da Silva

    Eu ontem á noite sonhei
    Que o bandido lampião
    Estava de vorta ao Brasi
    Pra da uma correção
    Nos gabiru de Brasília
    Que comero o mensalão

    Armado com um facão
    O seu rife e um punhá
    Entrou com chapéu de couro
    No planato federá
    Quando a turma de corruto
    Lhe viro passaro má

    Foi logo no popular
    E esculhambou a reca
    Disse cadê quem levou
    O dinheiro na cueca
    Mim traga aqui o safado
    Pra eu cortar a munheca

    Disse todo mundo peca
    E passou pra outra sala
    Vou pegar o senvegonho
    Que leva dinheiro em mala
    E um falso evangélico
    Quando uviu perdeu a fala

    Lampião disse eu espremo
    Prefeito e governador
    Vou acabar deputado
    Não vai ter mais senador
    Outra coisa sem futuro
    É o ta do vereador

    Só vai ter mermo eleitor
    Governador e presidente
    Prefeito também vai ter
    Mais se robar nossa gente
    Eu mato de um e um
    Não fica um pra semente

    De onde tira e não bota
    Se acaba e ninguém descobre
    Porque a justiça vê
    Se faz de sega e encobre
    E os macacos do governo
    Só sabe preseguir pobe

    Tenho raiva de quem bota
    Os pobe pa tabaiá
    E depois não paga o salaro
    Que os coitados ganhar
    Mais na minha vorta agora
    Quem for rim vai se ajeitar

    Essa turma do congresso
    Não durma não se acorde
    Eu vim acabar o crime
    A mamata e a desorde
    Quem não agüentar abra
    Que o Brasi vai ter orde

    Vou mudar os generá
    Comandante e coroné
    Eu vou botar os meu cabra
    Porque a mim são fié
    E os político que robar
    Eu corto as mão e os pé

    Secretario nota dez
    De justiça do Brasi
    Vai ser meu cabra curisco
    Armado com um fuzi
    E o político pá robar
    Só se for muito imbeci

    Oto cabra de veigonha
    É meu cabra jararaca
    Vai comandar o nordeste
    Sei que ele se destaca
    Agora um prefeito robe
    Pra ser cortado de faca

    Tudo agora vai mudar
    Saba que o meu destino
    É miorar o Brasi
    E o sertão nordestino
    Doido é quem se meter
    Na frente de Virgulino

    Esses cabras corta jaca
    E chefe politiqueiro
    Que quer vender o povão
    Pa ficar com o dinheiro
    Onde eu suber que tem um
    Vou botar um cangaceiro

    Lampião disse a justiça
    Do Brasi não ta com nada
    Ela se vende os políticos
    Como se fosse cocada
    Quem vai botar orde agora
    É eu e minha cambada

    Disse a justiça é mais lenta
    Que passo de tartaruga
    Os eleitor não tem chance
    E os políticos tem fuga
    Se os rico sujar as mão
    A justiça lava e enxuga

    Lampião disse eu vou ser
    Advogado e juiz
    Acuso e faço a defesa
    Do jeito que sempre quis
    Quem me desobedecer
    Eu quebro o pau do nariz

    O ser humano é de carne
    A se fosse de madeira
    Se político virar lenha
    Vou passar a noite inteira
    Queimando esses sangue suga
    De Brasília na caeira

    Quem sobrar vai pra fogueira
    Ou para o forno de bolo
    Eu já não suporto mais
    Quem faz o pobre de tolo
    Meu povo não brinque não
    Em Brasília tem ladrão
    Que da pa queimar tijolo

    Chega de justiça lenta
    Juiz e advogado
    O político que robar
    Pro mim mermo ele é caçado
    Seu pegar o sinvegoi
    Eu vou matar bem matado

    Eu mermo faço o jurado
    E também dou a sentença
    Eu vou mostrar que não é
    Como algums marajá pensa
    E quem se achava o ta
    Vai ter que me dar a bença

    Chamou de seiscentos diabo
    Os políticos que robava
    Gota serena da peste
    Lampião arto gritava
    E falou assim ôxente
    O Brasi quais se acabava

    Disse uma gota serena
    É o ladrão de gravata
    Porem a despois que eu
    Acabar toda mamata
    No eis juiz niculau
    Mando meter a chibata

    Lampião pegou os caba
    E açoitou com chicote
    Banhou com água de sá
    Fria tirada do pote
    Tinha um bucado gemendo
    De longe eu fiquei só vendo
    Os caba dando pinote

    Lampião disse eu só temo
    A Deus que é pai eterno
    Eu sei que o Brasi hoje
    Ta diferente e moderno
    Mais eu faço a CPI
    E mando os ladrão pro inferno

    Uviu seu Lula se esforce
    Vou da ota chanche a Lula
    Não beba e viaje pouco
    Trabai como uma mula
    Vós me cê é nordestino
    Com você não tem quem bula

    Ao invés de avião
    Lula vai andar de pé
    Chega de luxo e conforto
    Mordomia de oté
    Se não fizer o que eu mando
    Já sabe como é qui é

    Pru você ser nordestino
    Eu li tratei com carim
    Mais se você no prestar
    Com você eu vou ser rim
    Li tiro da presidência
    E boto Ontôe garotim

    Disse ele eu já to farto
    De vê tanta safadeza
    Eu vim pra tirar a mama
    De quem massacra a pobreza
    Finalizou o discurso
    Dando um bofete na mesa

    Lampião foi muito macho
    Provou ter autoridade
    Mais isso só foi um sonho
    Não foi na realidade
    Porque quando eu acordei
    Vi que não era verdade

    Mais isso foi Virgulino
    Que falou não foi eu não
    Como disse foi um sonho
    Como sonho é ilusão
    Nosso Brasi continua
    Na merma esculhambação

    Não quero atingir ninguém
    Da política Brasileira
    A todos peço desculpa
    Como sonho é brincadeira
    Mais se lampião vortasse
    Fazia dessa maneira

  13. Muito bem, Raimundo Nonato. A poesia popular é nossa história-memória. Lamentamos que uma forma de expessão tão bela e transparente como o idioma do cordel ainda não tenha sido reconhecida como linguagem propriamente dita, e seja vista apenas como simples manifestação folclórica ao alcance da criança e do jovem somente em determinadas datas comemorativas já massificadas pelo prórpio sistema educativo.
    marinhodonordeste@hotmail.com

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