Com medo de perder a visão, comunitário petrolinense sofre com burocracia e faz apelo

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Foto: divulgação

Há quase dois anos na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para tentar uma cirurgia oftalmológica em virtude de um descolamento de retina, o comunitário Ivanildo Barbosa, de 59 anos, não sabe mais o que fazer para ser atendido. Sem esconder o aborrecimento com o Governo de Pernambuco, ele contou que em agosto de 2019 ele foi chamado pelo Hospital das Clínicas, no Recife (PE), para agendar o procedimento. Tudo transcorria normalmente. Ele só não contava com o novo coronavírus (Covid-19) no meio do caminho.

“Estava tudo certo. Dei quatro viagens ao Hospital das Clínicas, eles tiraram a medida dos meus olhos. Agora, devido a essa epidemia, disseram que foi suspenso (o serviço). Eu só quero saber o que vão fazer por mim, porque a cada dia que passa eu vou ficando pior, perdendo a minha visão”, desabafa Ivanildo, que reside no Bairro Vale do Grande Rio, zona norte de Petrolina.

Desempregado, Ivanildo diz ter acionado até a Defensoria Pública, na capital pernambucana, em busca da garantia dos seus direitos. O problema é que, para pegar a assinatura da médica responsável, ele precisa voltar ao Recife, mas não tem condições financeiras para isso. A situação do comunitário ganha um ar ainda mais dramático devido a sua diabetes, que o levou a passar por uma cirurgia para amputar parte do pé direito. Ele acha que a doença provavelmente também esteja, agora, agravando sua visão. “Aqui em Petrolina tem como eu fazer a cirurgia, mas custa R$ 14 mil. Eu não tenho como pagar, estou parado”, lamentou.

O comunitário procurou o Conselho Popular de Petrolina (CPP), o qual alegou que a demora em atender Ivanildo não se justifica, uma vez que ele deu entrada na documentação para sua cirurgia oftalmológica bem antes da pandemia. Segundo o CPP, a maior responsabilidade é governo estadual, mas cabe também à prefeitura interceder pelo paciente e cobrar do Estado, uma vez que ele foi encaminhado pelo município, ou até mesmo buscar outra alternativa para resolver seu problema. O Conselho reforça que Ivanildo não está pedido nenhum favor, já que seu direito é garantido pela Constituição Federal e pela Lei Orgânica da Saúde. A reportagem vai tentar um contato com os órgãos citados sobre o assunto.

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