Codevasf apoia política ambiental no Araripe

por Carlos Britto // 22 de fevereiro de 2009 às 08:00

A Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a organização não-governamental, Cooperação Técnica Alemã (GTZ), querem firmar um acordo de cooperação técnica com a Codevasf para melhorar a eficiência e a sustentabilidade da fonte energética consumida na produção do gesso no Sertão do Araripe pernambucano.

Nessa perspectiva de estudos ambientais, a Companhia patrocinou por três anos extensa pesquisa coordenada pela Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupef) para elaboração do Programa de Desenvolvimento Florestal da Chapada do Araripe. O Programa Florestal é uma das ações adotadas pelo Governo Federal para revitalização da Bacia do Rio São Francisco.

Segundo o consultor da GTZ, Roberval Veras, a parceria com a Codevasf objetiva modernizar o processo industrial e otimizar o uso da matriz energética renovável por meio de manejo florestal sustentável e plantios florestais com espécies nativas e exóticas.

“Queremos promover o manejo sustentável da vegetação nativa no Polo Gesseiro e assim conciliar geração de energia oriundo da madeira e preservação ambiental na atividade gesseira”, salienta Frota referindo-se ao uso da lenha extraída do bioma Caatinga para a produção do gesso. O superintendente também ratificou a disposição da Companhia em contribuir na otimização dos fornos de calcinação do gesso e na aquisição de um triturador para a produção de cavaco (lascas de
madeira).

Araripe – O Pólo Gesseiro do Araripe detém o maior conjunto de jazidas de gipsita em exploração no Brasil (o 2º do mundo) e abastece quase todo o mercado nacional de gesso com 95% da produção brasileira. O Araripe é considerado um arranjo produtivo local em nível estadual e federal que emprega em torno de 72 mil trabalhadores diretos e indiretos.

Fonte:Acom 3ª SR Codevasf Petrolina

 

 

Codevasf apoia política ambiental no Araripe

  1. André Luiz Queiróz de Andrade disse:

    A discussão da sustentabilidade ambiental é um tema que muito interessa a humanidade, e principalmente, aos empresários de visão, tendo em vista que é a melhor forma de continuar produzindo por mais tempo.

    A questão e a gestão da base energética do pólo gesseiro do Araripe é dentre os temas da sustentabilidade da atividade econômica de exploração do gesso naquela região, o de maior relevância no curto prazo.

    As calcinadoras de gesso, como as principais consumidoras de energéticos florestais da região do Araripe, queimam 1.103.800m³ de lenha por ano, seguido da indústria siderúrgica que consome 643.200m³ / ano (Codevasf: 2007). Considerando que o 1m³ de lenha pesa 340kg, o consumo de lenha nessas atividades é de aproximadamente 600 milhões de toneladas de madeira.

    No entanto, a oferta de madeira oriunda da chapada do Araripe é cada dia mais escassa e os custos cada vez maiores. Desta forma governo e empresários buscam alternativas que possam amenizar esse problema, e pelo que percebo a implantação da monocultura do Eucalipto está sendo a mais cogitada.

    Mas como explicar a biodiversidade e a sustentabilidade em uma monocultura ?

    Como garantir a sustentabilidade da vegetação nativa de uma região com a implantação de uma cultura dominante ?

    Como garantir a sustentabilidade de um cultura que necessita de pelo menos 800mm de água por ano, numa região que só oferta em média 400mm ?

    Por que as instituições públicas e privadas não analisam outras alternativas ? tais como a produção de energia a base da queima de pneus inservíveis.

    No Nordeste, o consumo de pneus representa 17% da produção nacional. Atualmente, esse percentual corresponde a 9,8 milhões de unidades. Em 2004, estudos realizados pela USP concluiu que cerca de 90% dos pneus consumidos no Nordeste ainda não recebiam destinação ambientalmente correta (LIMA/ Jornal do Comercio. 28/ 05/ 04). Naquele ano a produção nacional de pneus foi de 52,6 milhões de peças. Neste sentido, no ano de 2004 foram produzidos no Nordeste 8,04 milhões de pneus inservíveis, e somente 800 mil foram reciclados. O restante, aproximadamente 7,2 milhões de peças foram acondicionadas incorretamente.

    As calcinadoras de gesso são as principais consumidoras de energéticos florestais da região do Araripe, consumindo 1.103.800m³ de lenha por ano, seguido da indústria siderúrgica que consome 643.200m³ / ano (Codevasf: 2007). Considerando que o 1m³ de lenha pesa 340kg, o consumo de lenha nessas atividades é de 593.980 toneladas.

    Desta forma, estima-se que a demanda de pneus inservíveis no Pólo Gesseiro do Araripe pode chegar até 231.120 toneladas por ano, isso significa 46,2 milhões de unidades de pneus de passeio, cerca de 77% de toda a produção anual de pneus inservíveis no Brasil, proporcionando uma economia de quase 2 milhões de toneladas de óleo.

    Nesta perspectiva, podemos enunciar o produto entre as seguintes variáveis: a) a oferta de pneus inservíveis no Nordeste, de 8,04 milhões de peças; b) a capacidade energética por cada kilo de pneu, que equivale à 2,57 kilos de lenha; e c) o peso médio de um pneu inservível, em 7 kilos, encontramos como resultado que a produção de energia a base da queima de pneus inservíveis no Nordeste poderia diminuir a queima de pelo menos 140 milhões de toneladas de madeira, ou 12% a menos de toda madeira queima no Pólo Gesseiro do Araripe.

    Solução ? ainda não, mas pelo menos é uma alternativa.

    André Luiz

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