Cancão solta o verbo contra fechamento do matadouro: “Esse governo é contraditório e não tem responsabilidade”

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ronaldo cancão

Inconformado com a decisão judicial que respaldou o prefeito Julio Lossio (PMDB) em fechar o matadouro municipal, o vereador oposicionista Ronaldo Cancão soltou o verbo no retorno aos trabalhos plenários da Casa Plínio Amorim, na manhã de ontem (2). Cancão considera “uma arbitrariedade” a medida tomada contra os marchantes.

O vereador comparou a decisão do juiz Josilton Reis, da Vara da Fazenda Pública, em favor da prefeitura a um réu condenado em Petrolina e tendo de cumprir pena em Juazeiro (BA). “Você fecha o matadouro em um estado, e obriga os marchantes a irem para Juazeiro. Não posso concordar”, declarou.

Em entrevista à imprensa, durante a sessão, o ex-líder oposicionista disse que a prefeitura “enganou o tempo inteiro” o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), porque participou de 17 reuniões sobre a matéria, além de ter assinado Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) comprometendo-se a regionalizar o matadouro – coisa que nunca aconteceu.

Cancão lembrou que a lagoa de estabilização ao lado do matadouro (na Pedra do Bode), um dos motivos alegados por Lossio para fechar o local, serviu apenas de pretexto. “Quando ele (Lossio) assumiu o TAC no dia 21 de julho de 2012, a obra da lagoa de estabilização já estava sendo construída em 2007. Qual a diferença de 2007 para 2012? Por que assinar um TAC em 2012 se a lagoa foi construída em 2009? É algo estranho e alguém precisa responder à sociedade”, ressaltou.

Governo do estado

O vereador justificou ainda que, embora respeite a decisão da justiça, não houve uma avaliação mais aprofundada quanto ao fechamento do matadouro. “Vejo arbitrariedade no momento em que fecham o matadouro sem nenhum juízo de valor, prejudicando 70% da população que frequentam as feiras”.

Cancão rebateu ainda o argumento de Lossio, de que a prefeitura não teria responsabilidade na administração do matadouro, sugerindo que não votará na venda do terreno onde hoje funciona o local. “Ele não é obrigado a dar saúde ao povo, mas nós (Câmara Municipal) somos obrigados a votar para ele vender um patrimônio de 110 mil metros quadrados (m²)?”, questionou. O oposicionista lembrou ainda que o prefeito havia se comprometido junto ao MPPE de construir um novo matadouro, se a Casa autorizasse a venda. “Nessa contradição eu não entro. Esse governo não tem responsabilidade com a situação delicada do matadouro”, pontuou.

O oposicionista lamentou ainda o fato de Lossio não ter mantido uma sintonia com o governo do estado, sobretudo na gestão Eduardo Campos, que se mostrou disposto em compartilhar a solução do impasse, mas o prefeito nunca acenou para isso – segundo ele. “O governador Eduardo Campos fez um compromisso de doar a área para a construção do novo matadouro, mas toda vez que Eduardo vinha a Petrolina, bastava ele virar as costas e o prefeito falava mal dele”, finalizou.

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