Câmara dos Deputados fará homenagem ao centenário de Paulo Freire

por Carlos Britto // 20 de setembro de 2021 às 08:59

Foto: Inácio Melo/divulgação

A Câmara dos Deputados realizará nesta segunda-feira (20), a  partir das 9h, um seminário em homenagem ao educador Paulo Freire, que completaria ontem (19) 100 anos se estivesse vivo. O objetivo do evento, que irá acontecer de maneira remota e durante todo o dia, é debater, ampliar e aprofundar o pensamento e o método de ensino desenvolvido pelo patrono da educação brasileira. A iniciativa foi proposta pela deputada federal Marília Arraes (PT-PE) e contará com a participação das deputadas federais Luiza Erundina (PSOL-SP), Lídice da Mata (PSB-BA) e do deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE).

Marília irá mediar a mesa “A atualidade do pensamento de Paulo Freire”, a partir das 15h30. Os participantes da mesa serão Agostinho Rosas (professor titular da UPE associado ao Centro de Estudos Paulo Freire); Maria Monica Antunes Sales de Melo (diretora do Instituto Capibaribe); e Sérgio Haddad (doutor em História e Filosofia da Educação pela USP, professor e pesquisador de Paulo Freire).

É sempre importante e fundamental promover debates sobre Educação, já que é através do conhecimentos que as sociedades se transformam. Diante de tantos ataques contra o pensamento freiriano e do centenário de Paulo Freire comemorado em setembro, tivemos a ideia de realizar esse seminário na Câmara. Não podemos deixar que toda construção realizada por Freire seja diminuída por um governo que não acredita na transformação social“, afirma a deputada.

Quem foi

Paulo Freire foi uma das vozes mais importantes da educação e da filosofia no Brasil no Século XX. Seus ensinamentos, sua produção acadêmica e literária seguem extremamente atuais e alimentam as utopias de grande parte daqueles que lutam por uma sociedade justa. Em vários países, a produção da filosofia educacional freiriana segue ajudando educandos e educadores a compreender a complexidade das relações de poder na sociedade, ao passo que instrumentaliza e constrói os saberes pela educação formal e não-formal.

Paulo Freire, Arraes e o MCP

A gestão de Miguel Arraes à frente da Prefeitura do Recife, entre 1960 e 1963, foi fortemente marcada pela priorização de ações e projetos estruturadores nas áreas de educação e cultura. Foi na gestão de Arraes, ao lado de Paulo Freire, que a prefeitura criou o Movimento de Cultura Popular (MCP), que tinha como principal foco a alfabetização e a educação de base. O MCP tinha por objetivo ajudar na construção de uma consciência política e social entre os trabalhadores e trabalhadoras no intuito de tornar a população mais apta para a participação na vida política do país. Entre diversas ações, o movimento realizou uma experiência através do rádio, transmitindo programas de alfabetização e de educação de base com recepção organizada em escolas experimentais. Paralelamente procurou diversificar suas atividades, criando ‘parques’ e ‘praças de cultura’.

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