Caatinga se destaca como aliada no combate às mudanças climáticas

por Antonio Carlos Miranda // 25 de agosto de 2026 às 19:26

Foto: Tarciso Augusto/divulgação

Manter o Bioma Caatinga em pé contribui para a proteção da biodiversidade, dos recursos hídricos e do solo, além de favorecer o armazenamento de carbono e a regulação do clima. A constatação foi feita pela Associação Caatinga, que destaca a importância da conservação da vegetação nativa para o enfrentamento da degradação ambiental e das mudanças climáticas.

A importância da Caatinga nesse processo é reforçada pela ciência. Estudo publicado na revista Science of the Total Environment aponta que, em 2022, o bioma respondeu por quase 50% das remoções de gases de efeito estufa registradas no Brasil. A pesquisa, que analisou dados de 2015 a 2022, também relaciona a capacidade de remoção de carbono à dinâmica das chuvas e à rápida resposta da vegetação durante os períodos chuvosos.

No Ceará, a conservação da vegetação nativa ganha ainda mais relevância diante do avanço das emissões. Segundo o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Ceará, lançado em fevereiro de 2026, as emissões líquidas de GEE cresceram 24% entre 2018 e 2023, passando de 28,1 milhões para 34,96 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e).

O levantamento aponta ainda que o setor de Agropecuária e Uso da Terra se tornou a principal fonte de emissões do Estado. Entre 2018 e 2023, as emissões associadas à conversão de áreas naturais para uso produtivo, incluindo o desmatamento para expansão agropecuária e áreas sem vegetação, cresceram 172%, passando de 4,79 milhões para 13,03 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

Nesse contexto, proteger a Caatinga significa também preservar sua capacidade de retirar carbono da atmosfera. Embora ocupe cerca de 10% do território nacional, o bioma responde por quase metade do sequestro de carbono do Brasil. Essa capacidade está relacionada às adaptações da vegetação ao clima semiárido e à rápida recuperação após as chuvas.

Um exemplo dessa contribuição está na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará, localizada entre Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI). Com 6.285 hectares, a área protege uma parcela representativa da Caatinga e contribui para a manutenção de serviços ecossistêmicos importantes para as comunidades do entorno.

Levantamento

Um levantamento realizado pela Associação Caatinga em parceria com a brCarbon identificou que a RNSA mantém um estoque de 1.647.245 toneladas de CO₂, o equivalente a cerca de 266 toneladas por hectare. O cálculo considera o carbono armazenado na vegetação, nas raízes, no solo e na serrapilheira. A reserva também sequestra anualmente 2.290,67 toneladas de CO₂ da atmosfera, reforçando a contribuição da conservação da floresta para a redução da concentração de carbono atmosférico.

Manter a floresta em pé é uma das formas mais importantes de preservar os serviços que a natureza oferece. Na Serra das Almas, a vegetação nativa contribui para armazenar carbono, proteger nascentes, conservar a biodiversidade e manter o equilíbrio ambiental. Esses benefícios mostram que a conservação da Caatinga também é uma estratégia de enfrentamento à poluição e às mudanças climáticas“, destaca Gilson Miranda, gestor da Reserva Natural Serra das Almas.

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Últimos Comentários

  1. Falta só 3 anos pra essa magnífica obra completar 100 anos