Banqueiros, políticos e empresários se unem ao STF em defesa da democracia

por Carlos Britto // 03 de setembro de 2021 às 07:53

Foto: Pedro Gontijo/Agência Senado

Às vésperas do 7 de Setembro, quando estão programados atos no País convocados pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus apoiadores, a defesa da democracia, da harmonia entre os Poderes e de reformas que sustentem a recuperação econômica permeou manifestos, comunicados e declarações de representantes do empresariado nacional, de instituições bancárias e das cúpulas do Judiciário e do Congresso.

Após vir a público a iniciativa da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) – suspensa pelo seu presidente, Paulo Skaf, que adiou a divulgação de um documento que cobra a harmonia entre os Poderes –, empresários mineiros divulgaram na quarta-feira (1º) um manifesto destacando que a “ruptura pelas armas, pela confrontação física nas ruas, é sinônimo de anarquia” e que “a democracia não pode ser ameaçada; antes, deve ser fortalecida e aperfeiçoada”.

Nesta quinta-feira (2), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reafirmou, em nota, o apoio ao manifesto ‘A Praça é dos Três Poderes’, encampado pela Fiesp. A entidade, no entanto, procurou se desvincular das decisões da Fiesp e considerou que o manifesto, “aprovado por governança própria, foi amplamente divulgado pela mídia, cumprindo sua finalidade”.

Na seara do Judiciário, numa enfática e direta mensagem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, disse ontem que a Corte está vigilante aos movimentos do Dia da Independência e não vai tolerar atos atentatórios à democracia. Quase ao mesmo tempo, em reunião com o Fórum de Governadores, o presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), defendeu um esforço entre os agentes políticos para a “construção de um ambiente de estabilidade política”.

Intitulado ‘Segundo Manifesto dos Mineiros ao Povo Brasileiro’, em alusão ao documento assinado por líderes estaduais, em 1943, que exigia o fim do Estado Novo e a redemocratização do Brasil (na época, a carta aberta trilhou o caminho para o surgimento de diversas outras, contribuindo para um clima político que levou à deposição de Getúlio Vargas, em 1945), o documento subscrito por representantes de peso da economia mineira diz que “as mudanças estruturais que o Estado brasileiro necessita (e que o povo reclama) exigem das lideranças, todas, e daqueles que ocupam cargos e funções nas estruturas produtivas e fornecedoras de serviço e de conhecimento (tanto públicas quanto privadas) uma urgente tomada de posição”.

Entre os signatários do manifesto estão Salim Mattar (fundador da Localiza e ex-secretário de Desestatização do governo Bolsonaro), Cledorvino Belini (ex-presidente da Fiat Chrysler Automobiles), Henrique Moraes Salvador Silva e José Henrique Dias Salvador (Rede Mater Dei), Modesto Carvalho de Araújo Neto (Drogaria Araújo) e Evandro Neiva (Grupo Pitágoras).

O texto, que não cita Bolsonaro, foi divulgado horas após a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) divulgar um outro manifesto com críticas ao Supremo e apoio a temas defendidos pelo presidente. No documento, os industriais mineiros pedem que o STF revise sanções e a possibilidade de desmonetização de sites e portais de notícias alvo de inquéritos que apuram fake news – alegam que se trata de uma luta pela “segurança jurídica e institucional” e contra o “cerceamento à liberdade de expressão”.

Reformas

No ‘Segundo Manifesto dos Mineiros’, o foco é outro. Os empresários e executivos defendem uma reforma do Estado, com “a reforma político-eleitoral, a reforma administrativa, a reforma do sistema de educação (só a educação transforma as pessoas), a reforma do sistema de segurança, a reforma orçamental e econômica, a reforma do sistema tributário (são reformas de conteúdo)”.

Afirmam ainda que “é preciso pôr fim à vida estamental do aparelho do Estado que, no Brasil, desde sempre, é uma presa capturada por grupos de pessoas que se autoprivilegiam e conduzem a vida das pessoas segundo seus interesses pessoais” e fazem referência ao clima de tensionamento institucional e ameaças que vive o País. “A ruptura pelas armas, pela confrontação física nas ruas, é sinônimo de anarquia, que é antônimo de tudo quanto possa compreender uma caminhada serena, cidadã e construtiva. A democracia não pode ser ameaçada; antes, deve ser fortalecida e aperfeiçoada. O que se pretende provocar é outro tipo de ruptura: a ruptura através das ideias e da mudança de comportamentos em todas as dimensões da vida”, diz o manifesto. (Fonte: Estadão)

Banqueiros, políticos e empresários se unem ao STF em defesa da democracia

  1. Paulo disse:

    E só fechar o STF que som tem corruptos já está bom

  2. Bosco disse:

    É só prender o Bozo e família que fica 80% resolvido.

  3. Ysrebelde+temerário; disse:

    Até onde eu sei as manifestações de 7 de setembro é pela liberdade de expressão, que está sendo duramente atacada pelo STF, ou melhor, por 1 único ministro que se acha “o iluminado” querendo nos dizer o que podemos falar e até mesmo o que pensar. Se acha acima de criticas e detém o poder de saber o que é certo ou errado. Para todos aqueles que estão aplaudindo os desmandos do STF, eu aviso que hoje eles miram nos conservadores, amanhã será todos da esquerda também. Dê poder ao homem e voce o conhecerá. É uma piada essas entidades de empresariados soltando manifestos contra manifestações de livre liberdade de expressão. Estamos vivendo uma ditadura da toga, e devemos sim, nos manifestarmos contra isso. Somos um país democrático e livre, e vamos continuar assim. Não preciso que um advogadozinho transvestido de ministro do supremo me diga o que eu posso falar ou pensar.

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