A apresentação do relatório sobre a gestão estadual na área de saúde pela secretária Zilda Cavalcanti, realizada em audiência pública na última quarta (10) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), gerou debate entre parlamentares. Zilda mostrou que houve a aplicação de R$ 2,17 bilhões em recursos do próprio Tesouro Estadual no primeiro quadrimestre de 2026, o equivalente a 15,5% da receita líquida total do Estado – o mínimo de gastos com saúde determinado pela Constituição Federal é 12%.
Líder do governo na Alepe, a deputada Socorro Pimentel (PSD) destacou a reforma e requalificação de grandes hospitais da Região Metropolitana. “A prioridade da governadora Raquel Lyra em reformar e requalificar os seis grandes hospitais da Região Metropolitana é algo histórico. Um hospital como o Otávio de Freitas tem 80 anos e em nenhum momento recebeu uma requalificação tão robusta”, exemplificou a parlamentar.
A deputada também destacou a abertura de novas maternidades e UTIs neonatais, especialmente na sua região, o Sertão do Araripe.
Do mesmo partido de Raquel Lyra, o deputado Joãozinho Tenório (PSD) ressaltou a evolução do gasto per capita em saúde pelo Governo de Pernambuco, que foi de R$ 238,00 por habitante em 2021 para R$ 368,00 em 2026, considerando o primeiro quadrimestre de cada ano.
Críticas
Mas os deputados da oposição questionaram a secretária em relação ao montante de investimentos na saúde e à demora nas obras realizadas pela atual gestão. “Logo após a pandemia, o investimento em saúde chegou a quase 19% da receita líquida. Mais de R$ 1,5 bilhão deixou de ser investido para melhorar o atendimento da saúde de todos os pernambucanos”, apontou o deputado Rodrigo Farias (PSB). O mesmo questionamento foi feito pelo deputado Romero Albuquerque (PSB) e pelo presidente da Comissão de Saúde, Sileno Guedes (PSB).
Este também questionou o encerramento dos partos de alta complexidade na maternidade do Hospital Regional Inácio de Sá, em Salgueiro (Sertão Central). “O serviço foi fechado e as gestantes são obrigadas agora a serem transferidas para fazer o procedimento em Petrolina, porque no hospital de Salgueiro já não existe mais esse atendimento”, apontou o parlamentar socialista, que também fez ressalvas à estratégia de distribuição de leitos, que incluiu o fechamento de alguns estabelecimentos no início da gestão.
Resposta
A secretária refutou os questionamentos dos oposicionistas. Primeiro, afirmou que os anos de pandemia distorcem a comparação com a porcentagem de receita revertida para a saúde no período atual. “O ponto mais fora da curva é 2022, em que o percentual para saúde foi de 18,8%, quando o investimento histórico do Estado percentualmente em cima da receita fica em torno de 15% desde 2015”, justificou.
Ela reconheceu problemas no caso de Salgueiro. Segundo Zilda, isso ocorreu por conta do não preenchimento de vagas disponibilizadas pelo Governo Estadual, mesmo após tentativas de seleção simplificada para o estabelecimento, especialmente para médicos obstetras.


