Atraso no pagamento das indenizações preocupa trabalhadores rurais

por Carlos Britto // 23 de janeiro de 2009 às 10:00

Dez mil trabalhadores rurais do Vale do São Francisco foram demitidos, em dezembro, das fazendas de uva. Em Petrolina, uma parte deles reclama de atraso no pagamento das indenizações. Há um mês o serviço temporário de auxiliar de pedreiro é o novo trabalho de Josemar Evangelista. Ele conseguiu depois que foi demitido de uma fazenda de uva em Petrolina. Ele tenta receber o dinheiro da rescisão do contrato.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina, cerca de 400 pessoas que foram demitidas das fazendas de uva do município ainda não receberam o dinheiro da rescisão do contrato. Mais de dez fazendas da região estão pendentes com os ex-funcionários. O departamento jurídico do sindicato teve de entrar com ações na Justiça para resolver o problema. Depois que começaram as demissões, no final do ano passado, dezenas de processos são abertos todos os dias. Segundo o advogado do sindicato, Agrinaldo Sidrônio, as negociações já começaram. “Tem algumas empresas que procuraram o sindicato para fazer alguns acertos, que estão devendo aos trabalhadores e estão dizendo que estão em dificuldades financeiras”, disse. No campo os donos das fazendas preferem não falar sobre o assunto. A empresa Copa Fruiti divulgou nota dizendo que continua em negociação com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina. Enquanto isso, muitos agricultores que já fizeram as homologações dos contratos vao à procura do seguro desemprego. Por dia, desde o começo do ano, cerca de 200 trabalhadores rurais lotam a delegacia e a Agência Regional do Trabalho no município. No mesmo período do ano passado eram aproximadamente 80 atendimentos.

Atraso no pagamento das indenizações preocupa trabalhadores rurais

  1. Marcelo disse:

    Prezado Carlos,

    Mesmo quando a economoia brasileira e mundial estava de vento em popa ouvíamos notícias a respeito da crise no mercado da manga. Agora, no dia 21 de janeiro voce postou uma nota informando que “Produtores de manga de Maniçoba comemoram o aumento no preço da fruta”.

    Neste momento, a situação está complicada para a cultura da uva que em anos anteriores se mostrava um negócio excepcional. Talvez com outras frutas cultivadas por aqui observemos uma trajetória parecida.

    É inegável a seriedade do atual momento econômico.

    Mas, talvez, para nos daqui, e tendo em mente a preciosa síntese chinesa de ver as crises como oportunidades (yin/yang), é hora de repensar muitas coisas do nosso modelo agrícola. Há questões conjunturais e há aquelas estruturais que se arrastam ao longo dos anos e são colocadas debaixo dos tapetes das empresas, dos colonos, dos bancos, da sociedade, dos governos…

    Se diante da magnitude dessa crise econômica a mais vistosa consequência for a demissão de trabalhadores – pais, mães e jovens – tenho poucas dúvidas: as iniquidades do nosso passado desigual, as megas riquezas concentradas nas mãos de alguns poquíssimos, os máximos privilégios das ínfimas parcelas da nossa população continuarão por ai….muito faceiras.

  2. Deus é maior disse:

    Por isto é que se diz que a manga cebolou. Virou loteria, quando alguem ganha dinheiro, ganha bem, mas a grande maioria não acertou e a situação da maioria é de penúria. Aqueles sortudos passam muitos anos perdendo, junto com a maioria. Em resumo, é uma loteria. A uva está entrando na mesma situação da manga. Vai mangar.

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