Artigo do leitor: “O racismo é real e inaceitável”

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Pré-candidato a vereador de Rodelas (BA), o Professor Generino Gabriel relata a este blog um fato ocorrido com ele no ano de 2010, quando era vice-prefeito do município, para reforçar que o racismo no país está bastante presente, e o pior: é velado.

Confiram:

Nos últimos três meses, a pauta dos principais jornais e demais meios de comunicação do mundo inteiro tem sido a pandemia do coronavírus, causada pelo Covid-19, novo vírus que, apenas no Brasil, já tirou a vida de 50 mil pessoas.

No entanto, o assassinato do norte-americano George Floyd, em 25 de maio, em Mineápolis, Minnesota, nos Estados Unidos, por um policial branco, quando supostamente tentava trocar uma nota falsa de 20 dólares numa loja, reacendeu o debate, muitas vezes velado em diversos países, sobre o racismo.

Protestos e mais protestos se espalharam por todos os Estados Unidos e por diversos países, por mais de duas semanas, em busca da desconstrução desse mal, tão prejudicial à convivência humana.

Em torno desse assunto, veio-me à memória um episódio que ocorreu comigo, em junho de 2010. Eu e outras pessoas da família íamos a Paulo Afonso, numa segunda-feira, por volta do meio-dia e, de lá, iríamos para Caruaru/PE. Na reta, próxima à entrada de Itacoatiara, deparamo-nos com uma viatura da Polícia da Caatinga parada e, ao avistarem meu carro, armados até os dentes, deram ordem de parada e pediram que saíssemos, apontando para nós essas armas, como se abordassem criminosos de alta periculosidade. O pessoal no carro ficou meio nervoso; eu, como é de praxe, demonstrei muita tranquilidade. Afinal de contas, não temia nada, porque nada devia! Como reflexo ao exagero dos policiais, sem sair do carro, mostrei minha carteira funcional, já que na época, estava Vice-Prefeito.

Não era e nunca foi algo comum eu querer mostrar quem era ou quem sou, mesmo porque ninguém é mais que o outro pelo cargo que exerce. No entanto, a situação exigia tal atitude, não por deslumbramento. Um cargo passageiro é apenas um cargo passageiro. E nem que fosse permanente!

Observei que os policiais ficaram muito constrangidos quando o que chegou mais próximo de mim virou para os outros e disse: “É o Vice-Prefeito da cidade!’ E hoje eu me pergunto: qual a razão daquela ação abusiva? Será que foi o fato de haver um negro ao volante de um carro seminovo? Ou havia alguma operação em curso e o meu carro correspondia às características do veículo dos meliantes? Se havia, por que não checaram o carro e se recolheram constrangidos diante da carteira funcional?

Ato racista ou não, nunca me vitimei nem baixei a cabeça para quem quer que seja, na vida, por ser negro e, economicamente, pobre. Graças a Deus, tenho a meu favor o respeito de pessoas de todas as raças e vertentes sociais, aonde quer que eu vá, pela pessoa e pelo profissional comprometido que sempre fui. Assim como jamais vou me achar mais do outro, bobagem de quem achar que vou me sentir inferior, quando, na verdade, todos somos iguais, perante o Criador.

Prof.Generino Gabriel/Ex-Vereador, Ex-Vice-Prefeito e Pré-Candidato a Vereador

3 COMENTÁRIOS

  1. Cansei desta palavra racismo,os incompetentes sempre tem essa palavra na boca,sobre policiais truculêntos isso não é questão de negro ou branco ,se eles acham que você é pobre tanto faz ele querem meter a ripa, eles se acham deuses,esse que se dizem políticos tem que mudar esse descurso só engana retardados,oportunidade hoje tem para todos só estudar, antigamente quem queria estudar andava 5 ,10 km ,hoje o cara pega quase na porta de casa, então não tem essa desculpa de negro,se o cara é preguiçoso fazer o que tem que sofrer mesmo.

  2. Amigo, o racismo só existe só existe na cabeça dos que tem estrumes na cabeça, seu exemplo é bem esclarecedor, o que existe na verdade é a sua condição financeira, é a sua posição social, é o valor do carro em que você anda, é a sua beleza física etc.etc. Os chamados esquerdistas, que para mim não são nada disso, não passam de uns bobões como diria o João Gilberto, não entenderam, e os não bobões se fizeram de desentendidos quando o Ex-Ministro da Educação falou que detestava as denominações, Cotas para Negros, Quilombolas, Indios etc.etc.,ora! o que o Ex-Ministro quis exatamente dizer foi isso, somos todos iguais, todos temos a mesma capacidade, somos todos brasileiros, não há porque diferenciar o negro do branco, os quilombolas também são brasileiros, tem a mesma capacidade. Nos livros de história do Brasil, o índio é contado como preguiçoso, sabe por que? porque a história foi contada por aqueles que queriam escravizar o índio, e, o índio claro que resistia, resistiu ou coisa que o valha, não era cultura do índio fazer trabalhos forçados, ´índio era livre. Na abordagem do amigo pelos policiais é um exemplo claro, tão logo se fez reconhecido o tom de voz dos policiais baixou, se fosse o Pelé, não tenho dúvidas de que iriam pedir autógrafo e talvez até baixar as calças. Conclusão, o povo na sua grande maioria não passa de pura hipocrisia.

  3. Como deixei claro no texto, amigos, nunca me deixei medir, achar-me inferior ou superior a ninguém, justamente porque busquei meu caminho, independente, de me dizerem “você não pode”! A nossa capacidade de conquistar os nossos espaços de tornou maior do que qualquer preconceito e acredito que é essa a arma que deveria ser utilizada por todos aqueles que se sentem ou são tratados como inferiores.

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