Artigo do leitor: “Eu sou quem eu sou, e você?”

por Carlos Britto // 07 de janeiro de 2023 às 20:10

Foto: divulgação

Neste artigo, o professor e empresário petrolinense, Rinaldo Moraes, faz uma reflexão sobre o documentário “Eu sou o que sou”, do jornalista André Calixto, que conta a história do poeta e compositor regional Manuca Almeida, ganhador do Grammy Latino de 2001, com “Esperando na Janela”. A canção foi composta em parceria com Targino Gondim e Raimundinho do Acordeon. No artigo ele fala sobre a obra recém lançada e sobre a importância de valorizar a cultura local.

Confiram abaixo:

Imperdível! Documentário ‘Eu Sou o Que Sou’

Foi lançado em Juazeiro, no mês passado, (dez/22), durante o Festival Edésio Santos da Canção, o excelente documentário EU SOU O QUE SOU, produzido pelo jornalista André Calixto, uma homenagem ao poeta e compositor Manuca Almeida. As narrativas e a memória de Lu Almeida, brilhante comunicadora e jornalista, parceira de Manuca, ajudam a validar mais ainda este trabalho.

Carinhosamente eu chamava o poeta pelo apelido de “Manuquinha”. Enquanto corria a barca, ele conversava com “Seu Moraes”, assim falava o nome do meu pai, Augusto Moraes, que despachava as autorizações para os gaiolas navegarem pelo São Francisco. Na sequência, eu ficava esperando na janela do sobrado da praça da Bandeira o “chá das cinco” pra ver a grande performance de Manuquinha no palco, beber o chá de erva doce de Mauriçola, além de ouvir os divertidos berros de Naldinho apresentando o Chá.

Dos afagos e brigas com João Sereno, grandes parceiros, vale a pena conferir nessa belíssima produção áudio visual as falas e depoimentos de artistas nacionais e Lu almeida resgatando a história do poeta. Nas palavras de Carlos Britto, Manuca foi “devagarinho imprimindo a sua arte e transgredindo os valores da época”. Perdeu quem não viu Manuca sumir por uns instantes e de forma mágica subir no telhado do Quintal do Poeta e recitar uma poesia da escola de arte “Manuquiana”.

Manuca era um apaixonado por Juazeiro que ele tanto amou e cultivou muito mais do que muitos que aqui nasceram e se criaram. O poeta dizia: “Você pode falar mal de todo mundo, menos da minha mulher, das filhas e de Juazeiro…”. Nessa pegada de amor por Juazeiro, disputou e ganhou um Grammy de melhor música brasileira em 2001, com “Esperando na Janela”, composta em parceria com Targino Gondim e Raimundinho do Acordeon, além de ter revelado grandes intérpretes da música como Andreza Santos e Andréa Vitória, no Festival Edésio Santos.

Na viagem do tempo, Manuca conhece Alexandre Leão e se tornam grande parceiros musicais, que nas palavras de Lu Almeida, “rolou uma química muito forte e uma sede por música e por gravar” entre os dois compositores. Tudo isso, por causa de um pedacinho de papel escrito pelo poeta que dizia “a minha cabeça não quer mais ficar em casa, a minha alma não precisa da cabeça pra ficar ou partir”, porque, afinal de contas, “ eu não nasci de calça jeans”.

A importância colocada na frase, ” EU SOU O QUE SOU”, como ele é usado por Deus para se identificar na Sarça Ardente, decorre da concepção hebraica do monoteísmo que Deus existe por si mesmo, para si mesmo, e é o Criador incriado, que é independente de qualquer conceito, força ou entidade.

André Calixto, parabéns pela iniciativa. Sugiro que esse documentário em áudio visual possa ser apresentado e debatido nas universidades, faculdades, institutos tecnológicos, escolas da nossa região e divulgado para os quatro cantos do Brasil e do mundo.

https://www.youtube.com/results?search_query=manuca+almeida

Portanto, “eu sou quem eu sou”. E você?

Rinaldo Moraes, professor e empresário 

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