Artigo do leitor: “E o que dizer dos votos brancos e nulos de Juazeiro?”

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A jornalista e professora de Comunicação, Teresa Leonel, numa crônica publicada em seu perfil no Facebook, explica, através de análise, o rumo que tomaram as eleições municipais em Juazeiro (BA), com ênfase para a questão dos votos nulos e brancos.

Acompanhem:

Pouco, quase nada, nem sempre, um pouquinho às vezes, e alguns ainda dizem ‘pra que isso’, se fala dos resultados dos votos brancos e nulos nas eleições. Numa leitura rápida sobre o processo eleitoral de Juazeiro-BA (aqui como exemplo, mas pode servir para outras localidades) podemos perceber a força desses votos (ou a ausência deles) numa decisão apertada.

Fazendo uma suíte dos fatos (como o jornalismo assim pede), pode-se pontuar que Juazeiro elegeu/reelegeu o vaqueiro Isaac Carvalho (PCdoB) em 2008/2012, e agora em 2016, elegeu o garçom Paulo Bomfim (PCdoB). 

Ambos, nunca antes na história da cidade, vieram da coxia política. Isaac nas mãos de articulistas políticos, conhecedores das entranhas do poder, foi transformado da noite pro dia de vaqueiro/empresário a político sangue puro. 

O garçom/maitre, simpático, elegante no atendimento à mesa e longe dos calabouços da corrupção da classe política, foi alçado da cozinha da churrascaria para trilhar os caminhos tortuosos da periferia de Juazeiro com o lema de manter o povo no poder.

Numa disputa acirrada com Joseph Bandeira (SD), um político de todas as épocas, quase do período de Dom Pedro II, é ex-deputado federal e foi prefeito da cidade por dois mandatos. Poeta, de fala eloquente e professor de Direito, Joseph é carinhosamente (ou ironicamente) chamado de “o louco” ou “o doido”.

O “Bandeira de fé”, frase de um dos jingles clássicos de campanhas anteriores do candidato, chegou próximo, muito próximo do garçom e quase volta ao poder. Numa análise sucinta, podemos dizer que os votos brancos (1.708) e nulos (5.606) definiram a eleição. A diferença entre o garçom e o “louco” foi de apenas 2.449 votos. (ver quadro)

Longe de querer exaltar uma coisa ou outra, apenas serve para reflexão que nem mesmo o charmoso delegado Charles Leão (PPS), com toda sua máquina escultural do tipo mister Juazeiro, conseguiu levar os votos das indecisas (já que a maioria dos eleitores é mulher) e deixar as delegacias da vida pra sentar na cadeira de prefeito da cidade.

Risadas à parte, a eleição de Juazeiro-BA ainda traz um pouco da máxima que um produto bem trabalhado, marketeiramente falando, consegue ser vendido/aceito pelo consumidor de modo (aparentemente) mais natural.

Agora, se tivesse 2º turno, aí a história era outra.

Teresa Leonel/Jornalista e professora de Comunicação

2 COMENTÁRIOS

  1. concordo com a jornalista e diria que esse “produto bem trabalhado” de marketing está sendo vendido desde as eleições de 2008 infelizmente o eleitorado ainda cai nessa

  2. Esses votos em branco e nulos demonstram uma isatisfação daqueles ou daquelas, quem não querem mais na política, nem os “bonitões” e nem os “loucos”, muito menos os “fantoches” dos Coroneis políticos, da nossa polítca arcaica e alienadora.

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